Crítica

Brinquedos lutam pela infância saudável, no SOS visto em 'Toy Story 5'

Novo exemplar da franquia, assinado por McKenna Harris e Andrew Stanton, revitaliza a graça de uma saga que atravessa 30 anos

Crítica // Toy Story 5 ★★★★

Fazer número 1 ou fazer número 2? Sem definição, o espectador de Toy Story 5 descobre que — na graça do hilário roteiro da animação Toy Story 5 — é possível realizar (no banheiro) o inesperado um e meio. Com tiradas deste naipe, algumas discretas, a dupla de realizadores e roteiristas McKenna Harris e Andrew Stanton responde por absoluta aprovação em mais um produto Disney Pixar. Andrew Stanton, vale a lembrança, é codiretor de Procurando Nemo (2003) e foi consagrado pela crítica como o responsável por Wall-E (2008).

Situações lúdicas, tracejado crítico e sentimentalidade que aguça os nostálgicos balizam o enredo capaz de expandir o universo dos bonecos Jessie, Woody e Buzz. Abandonado, como matriz de uns outros colegas, idênticos e dispostos em caixas lacradas, Buzz inicialmente puxa a trama que, na sucessão de Andy e Emily — proprietários de brinquedos nos filmes anteriores da franquia — agora vem centrada na figura de Bonnie, meio isolada e insegura, que, indignada, solta lamúrio para os pais: "ninguém quer ser meu amigo". O hábito das conexões, sejam humanas, carnais ou virtuais, se revela a expressão chave por trás da maior questão do filme: o despontar das máquinas e da tecnologia, muito possivelmente, responsáveis pelo fim da "era dos brinquedos".

Num cenário que registra a adoção de um porco como animal de estimação ou mesmo determina um destino cruel para os outrora vistosos brinquedos (repentinamente, destinados a caixas de entulho dispostas em garagens), o brilho maior cerca a novata personagem Lilypad, quase uma vilã, já que, na condição de um tablet de entretenimento, monopoliza atenção da criançada que, diante do fascínio, deixa de socializar com o resto da meninada. Segundo um comentário de personagem, a ação dela estaria "envelhecendo as crianças".

Chamada de "a garota do cavalo", Jessie (sempre ao lado do companheiro Bala no Alvo) se mostra bastante autônoma e bem diferente da comandada Lilypad, "que só faz o que mandam". Com bastante criatividade e donas de muita imaginação, algumas personagens humanas imprimem cenário de linguagem diferenciada, com o recurso de informar para as ações, aparentemente, sem muita lógica que habitam o lúdico das meninas entretidas com bonecas e afins. Nisso, os diretores de fotografia de Toy Story 5 Jean-Claude Kalache e Matt Aspbury despontam, Kalache lembrado pela direção de fotografia de Toy Story 4 e de Elementos, e Aspbury por Soul (2020) e como artista integrado ao longa de 2022 Lightyear. Entre outros ótimos momentos, o registro da bateria fraca para os nada energizados novos personagens Atlas e Clica, que saem das trevas, e do instrutor de higiene Amigo Rolinho.

 

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