Cinema

Nova Supergirl ganha identidade própria longe de Superman

Em entrevista ao Correio, Milly Alcock, que interpreta Supergirl, fala sobre os bastidores do filme que estreia na próxima quinta-feira

Bem direta, a super-heroína interpretada por Milly Alcock, em Supergirl (que estreia na próxima quinta) não vem com rodeios, quando lhe perguntam do primo, Superman: "é um nerd fofo", diz, ao falar do herói que "vê o bem em todos", enquanto ela destaca zelar pela "verdade". Em passagem pelo Rio de Janeiro, na semana passada,  com a equipe do novo filme da DC Studios, a atriz foi categórica: "O que mais me empolgou na Supergirl foi o quão diferente ela é de todas as versões que vimos antes. Em termos de preparação, recebi um presente maravilhoso, que foi um roteiro. Nele, senti a experiência de vida dela, o fato de ter realmente sido uma menina, isso transparecia no roteiro. Só precisei me apoiar nas palavras que estavam em cada página, e foi fabuloso. Eu realmente não precisei fazer nada", exagerou.

Descolada do relacionamento com o primo, Supergirl ganhou complexidade individual, pelo que celebrou a roteirista Ana Nogueira que, para orgulho do Brasil, tem pai brasileiro. "Formatar a identidade própria foi uma alegria e um sonho realizado. Eu me senti muito sortuda por Peter Safran e James Gunn (co-CEOs da DC Studios) terem se interessado por isso. Eles não tiveram medo dessa caracterização. Achei corajoso não defini-la apenas por seu relacionamento com Clark Kent; nisso, pesou honestidade. Todos nós somos produtos de nossos relacionamentos. A conexão com Clark importa na história dela, mas é apenas uma parte dela", demarca Ana.

Com temas como família e um passado trágico, fatores pessoais da personagem, cujo nome civil é Kara Zor-El, saltam aos olhos, na nova aventura de cinema. "Acho que, como seres humanos, é muito difícil existir em um mundo onde sentimos que não temos poder ou nenhuma influência. Acho, incrivelmente, admirável e corajosa a escolha por salvar o próprio mundo, enquanto tudo ao redor está em chamas. Kara é um belo exemplo disso. O público do cinema não quer que lhe digam quem ela deva ser, quer que lhe mostrem quem ela é", pontua Milly Alcock.

Afastada da Metrópolis que sedia as ações de Superman (David Corenswet), a Supergirl recebe uma mensagem do primo empenhado em ações da justiça, a exemplo da moça. Às vésperas do 23º aniversário, que, como destaca Peter Safran (co-Ceo da DC Studios), "é capaz de beber em enormes quantidades, sem que isso a afete", tem, num crescente, um chamado para maiores responsabilidades. Na empreitada da personagem criada por Jerry Siegel e Joe Shuster, a inspiração acata dados da graphic novel Supergirl: mulher do amanhã, de Tom King e da quadrinista brasileira Bilquis Evely. A roteirista Ana adianta uma pequena homenagem a trabalhadores da "comunidade brasileira" associados aos bastidores, entre os quais o colorista Math Lopes. "Foi muito legal o trabalho, e surreal também. Estou muito feliz em trabalhar com os brasileiros: para mim é um sonho realizado. Verdade. Contando um pequeno segredo: colocamos o nome de Bilquis no filme como homenagem. Os personagens vão a muitos planetas, e nós demos o nome de um dos planetas em homenagem a ela".

Sem tanta pompa ou circunstância, Superman será execrado pelo cãozinho de Kara, Krypto, que urina justo numa página de jornal com a imagem do herói. "Krypto é o símbolo de todo o mundo de Kara. Ela traz, praticamente, um renascimento, quando vemos o momento do encontro de ambos. Krypto representa muito mais do que apenas um animal. Ele é todos os lugares por onde Kara já passou. Todas as pessoas que ela já conheceu. Traz à lembrança toda comida que ela já comeu quando criança. Representa algo sólido como todas as pessoas, os lugares e as coisas que moldam quem somos", aponta a intérprete de Supergirl.

Ao lado de Lobo

A aventura desenvolvida em várias coordenadas interestelares traz a cena personagens interpretados por Matthias Schoenaerts, Eve Ridley e Emily Beecham. A todos, soma-se o esforço de Jason Momoa, na pele do anti-herói Lobo. "Jason simplesmente tem uma energia única e marcante. Ele é o homem mais alto do mundo. Isso é um fato (risos). Então, tinha algo muito divertido em eu ter 1,57m ao lado do homem mais alto do mundo. Jason estava tão empolgado por estar no filme, o que dava para sentir. Foi tão divertido", destaca Milly.

Introspectiva, em Mulher do amanhã, Kara contou com nuances e muita complexidade nas telas. "No rascunho bem inicial do roteiro, Peter Safran e James Gunn leram,e deram ótimas sugestões, algumas de cortes nos diálogos. O temor do pleno entendimento do público e dados de entrelinhas desapareceram. Você traz alguém como Milly Alcock, e é quase como se ela não precisasse dizer nada", aponta Ana Nogueira. Entre desafios com queda de braço numa taverna à la Star Wars, repleta de monstros, lutas a favor do legado de uma dinastia, representada por Ruthye Marye Knoll, um bando de perdas acumuladas, brigas com bandoleiros, ameaças de roubos (com a pirataria tecnológica), e teletransporte, evidentemente, o uniforme pesa para a Supergirl.

"Vestir o traje pela primeira vez era interessante porque foi um ano antes de filmarmos, para o longa Superman. Lembro de vesti-lo e fizemos uma tomada e Chantal (Nong Vo), uma de nossas produtoras, estava chorando. Eu fiquei assustada: 'Você está bem? E ela disse: 'Estou tentando fazer este filme há cinco anos'. Então, foi aí que eu realmente entendi a responsabilidade, sabe, não só pelos fãs, mas também pelas pessoas que estão fazendo este filme", contou Milly. Dentre tanta caracterização, a estrela teria algum interesse de superpoder útil, na vida real? "Acho que velocidade. Voar vejo como algo superestimado. Surgem queimaduras de vento, se você pensar bem: seus lábios ficam cheios de bolhas. Não seria nada divertido. Acho que a velocidade seria melhor", conclui.

 


Mais Lidas

Warner Bros/Divulgação - Depois de participar de Superman, Kara tem o filme solo
Warner/ Divulgação - Pela ordem, a roteirista Ana Nogueira, o co-CEO da DC Studios Peter Safran, a atriz Milly Alcock e o diretor Craig Gillespie
Warner/ Divulgação - A atriz Milly Alcock: na pele de Supergirl