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José Jr realiza audição do seu novo álbum Linhas Invisíveis em Brasília

Segundo disco de estúdio do artista conta com participação de Gustavo Bertoni e retrata os dilemas da fé

José Jr realiza audição do seu novo álbum Linhas Invisíveis em Brasília -  (crédito: TMJBrazil)
José Jr realiza audição do seu novo álbum Linhas Invisíveis em Brasília - (crédito: TMJBrazil)

Entre discos de vinil, câmeras analógicas, televisores de tubo e uma iluminação cuidadosamente construída, o músico mineiro José Jr. reuniu cerca de 35 convidados em Brasília (DF) para apresentar, pela primeira vez na cidade, seu segundo álbum de estúdio, Linhas Invisíveis.

A audição aconteceu na noite de quinta-feira (6), no Estúdio Nero, localizado na quadra 213 Sul do Plano Piloto. O disco chega às principais plataformas de streaming nesta terça-feira (11) com 14 faixas e participações do músico brasiliense Gustavo Bertoni, vocalista do Scalene, e do rapper capixaba César MC.

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Produzido por Gabriel Bullara, em colaboração com Gabriel Eubanck e Fellipe Fernandes e com arranjos de Henrique Albino, o álbum aproxima diferentes referências da música brasileira. A escrita popular associada a nomes como Cazuza e Belchior encontra elementos da performance de Gal Costa e da tradição cantautoral de Chico Buarque e Caetano Veloso, enquanto influências do pop internacional completam a construção sonora.

Audição transforma estúdio em experiência imersiva

A apresentação de Linhas Invisíveis foi concebida para ultrapassar a experiência convencional de simplesmente colocar um disco para tocar. A noite começou com convidados reunidos em torno de uma mesa, com risoto de camarão, quitutes e suco de maracujá.

Depois, o público atravessou uma cortina e chegou ao ambiente preparado para a audição. Com pé-direito alto, o espaço recebeu quatro luminárias japonesas vermelhas e grandes estandartes semitransparentes suspensos no teto, nos quais apareciam fotografias dos bastidores e trechos das letras.

As cadeiras dispostas em círculo reforçavam a proximidade entre artista e convidados. apresentou o trabalho visivelmente emocionado diante de amigos e pessoas ligadas à sua trajetória.

O nervosismo também fazia parte daquele momento. Antes de iniciar a audição, o músico falou sobre a importância de Brasília em sua história e sobre a própria ideia que sustenta o álbum.

Eu tenho muitas conexões aqui, e o álbum fala sobre isso, a ideia de que existe alguém costurando de maneira milimetricamente pensada e calculada as histórias da nossa vida. E se eu não tivesse participado de uma escola de missões aqui nessa cidade, em 2019, talvez eu nem estivesse lançando um álbum hoje, contou.

Linhas Invisíveis conecta experiências e espiritualidade

explicou as experiências, leituras e acontecimentos responsáveis por conduzir sua composição. O processo revelou um álbum no qual música, espiritualidade, literatura e episódios da própria vida aparecem constantemente interligados.

Veneza, por exemplo, foi concebida pelo artista como se um amigo estivesse cantando para ele. Já Sólidos Líquidos nasceu de uma viagem realizada à Tailândia, enquanto Feito Amigo explora a capacidade da linguagem de produzir interpretações diferentes para cada pessoa.

Em Medular, José Jr. aproxima a composição de suas experiências na medicina. A faixa, uma das mais antigas do projeto, conta com a participação do pianista Fellipe Fernandes.

Eu sempre junto muito as vivências na medicina com as minhas escritas, é algo presente na minha maneira de enxergar a vida, explicou.

Outra composição importante nesse percurso é Estrangeiro, definida pelo músico como a faixa mais imersiva de Linhas Invisíveis. , foi depois dela que passou a se reconhecer verdadeiramente como compositor.

Fé aparece nas pequenas experiências da vida

A espiritualidade ocupa uma posição central no repertório, mas aparece frequentemente associada às experiências comuns do cotidiano. Em Encontrar com Deus, José Jr. parte de sua relação com a vida rural para questionar a ideia de que experiências espirituais dependem necessariamente de grandes acontecimentos.

O espírito está nas minúcias da vida, basta a gente perceber, afirmou durante a apresentação da faixa.

Acolha estabelece uma conexão com o livro bíblico de Oséias e aborda ideias relacionadas à infidelidade, purificação e restauração.

Literatura e música voltam a se encontrar em Verde Gramado, última composição escrita para o álbum. A faixa nasceu durante a leitura de O Filho de Mil Homens, do escritor português Valter Hugo Mãe, e conta com a participação de César MC.

A reflexão apresentada na música gira em torno daqueles momentos em que uma pessoa deseja simplesmente existir como ela própria, sem precisar corresponder às expectativas construídas ao redor dela.

Gustavo Bertoni participa de Beira Rio

A relação de José Jr. com Brasília também aparece musicalmente em uma das participações do projeto. Gustavo Bertoni, do Scalene, participa de Beira Rio, apontada pelo músico mineiro como uma de suas faixas preferidas do álbum.

A composição aborda o momento em que alguém se encontra diante de um propósito e precisa decidir se está disposto ou não a aceitá-lo.

Outro momento de destaque é Predestinação, faixa que recebeu arranjo de Henrique Albino, músico que já trabalhou com nomes como Rubel e Liniker.

Ao apresentar a canção aos convidados, José Jr. brincou sobre o investimento realizado na produção: Todas as vezes que vocês virem que o José não tem carro, é porque eu paguei tudo que eu tinha nessa música.

Amor Melhor, por sua vez, sintetiza uma percepção afetiva do compositor, enquanto Alegria Proposta e Há de Haver funcionam como alguns dos momentos mais animados do álbum depois da densidade emocional encontrada em boa parte do repertório.

Volto encerra percurso de vulnerabilidade

Entre os momentos mais pessoais da audição esteve a apresentação de Volto. José Jr. contou que escreveu a música no início de um período de crise existencial e que apenas posteriormente conseguiu compreender a importância que a composição teria em sua própria trajetória.

Na época, eu não havia entendido por que a escrevi, mas, nesse último ano, ela representou um fio que me manteve ligado à minha espiritualidade, revelou.

A declaração ajuda a explicar o conceito que atravessa Linhas Invisíveis. procura identificar conexões entre acontecimentos que, quando observados isoladamente, poderiam parecer independentes, mas que ganham outro significado quando vistos como partes de uma mesma trajetória.

Depois de audições realizadas em Minas Gerais e no Rio de Janeiro, Brasília tornou-se uma parada especialmente simbólica para a apresentação do projeto. Foi na capital federal, segundo o próprio músico, que uma experiência vivida em 2019 contribuiu para alterar o caminho que posteriormente o levaria até seu segundo álbum.

Entre espiritualidade, literatura, medicina, relações humanas e memórias pessoais, Linhas Invisíveis chega às plataformas digitais nesta terça-feira (11) apresentando um José Jr. disposto a transformar essas conexões em 14 capítulos de uma mesma história.

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RE
postado em 10/08/2026 15:17
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