
A construção da autonomia de crianças e adolescentes é o tema do livro Pais desnecessários, filhos independentes, escrito por Lina Valléria, publicado pela Editora Gente.
A obra reúne orientações para o desenvolvimento de autorresponsabilidade, comprometimento, disciplina, proatividade, autonomia e autoconfiança, competências que a autora trabalha há mais de duas décadas em programas de desenvolvimento de comportamento e mentalidade empreendedora. A proposta parte da participação dos pais no processo de formação dos filhos, com responsabilidades e decisões adequadas a cada etapa do desenvolvimento.
Para Lina, tornar-se desnecessário não significa reduzir a presença dos pais, mas diminuir gradualmente a dependência dos filhos em atividades já que eles podem realizar sozinhos.
"O amor, a presença e o apoio continuam ali sempre. O que muda é o quanto o filho depende da gente para viver a vida dele. Cada passo que ele dá sozinho hoje é um passo a menos que eu vou precisar dar por ele amanhã", afirma. Entre as práticas que podem interferir nesse processo, a autora cita a resolução de problemas pelos adultos, na tentativa de evitar frustrações nas crianças. "É mais rápido fazer pela criança, e é justamente aí que mora o erro. Mais importante do que a tarefa sair perfeita, é o filho sentir que consegue", diz.
A metodologia também aborda os efeitos da busca por soluções imediatas na formação dos filhos. Segundo Lina, o acesso facilitado a respostas prontas pode reduzir situações em que a criança precisa esperar e tentar encontrar soluções sozinha.
"O problema do 'tudo à mão' é que ele apaga as pequenas frustrações e os pequenos esforços do dia a dia, e é exatamente ali que essas características se constroem", afirma. A autora também defende que a proposta pode ser aplicada em diferentes contextos socioeconômicos, embora a forma de condução precise considerar a realidade de cada família.
"O ajuste de condução não custa dinheiro. Combinado claro, acompanhamento desse combinado e incentivo para que o filho faça sozinho o que ele já é capaz de fazer. Isso serve para qualquer família e qualquer classe social", explica.
A ideia do livro foi desenvolvida a partir da experiência profissional de Lina e da aplicação das práticas em sua própria família. O período da pandemia, segundo ela, reforçou a percepção sobre a importância dessas competências na rotina doméstica e levou à criação de uma metodologia posteriormente aplicada a outras famílias.
Desde a publicação, em maio de 2025, a autora afirma ter recebido relatos de leitores sobre mudanças na dinâmica familiar. "Pais e mães chegam dizendo 'eu achei que era só comigo'. E não é. Essa angústia de querer o melhor e não saber se o que a gente faz é realmente o melhor está todo lugar", afirma. A reflexão proposta pela obra é sobre o papel dos pais na preparação dos filhos para assumir responsabilidades e fazer escolhas de forma progressivamente independente.
*Estagiária sob a supervisão de Severino Francisco
