
Em comemoração aos 53 anos de criação do Grupo Experimental de Dança da Universidade de Brasília (GEDUnB), está sendo lançado o livro intitulado Pequeno compêndio de coisas que dançando aprendemos. A obra traz depoimentos e menções a grande parte dos artistas dos anos 1980 e uma homenagem a Luiz Mendonça, que criou e conduziu o Endança e o GedUnB durante aquela década. Entre os vários artistas citados estão Renato Matos, Cássia Eller, Legião Urbana e Hugo Rodas.
O livro é a culminância de projeto de mesmo nome que comemora os 53 anos de criação do Grupo Experimental de Dança da Universidade de Brasília, com depoimentos de grande parte dos artistas que promoveram a efervescência cultural de Brasília na década de 1980. A obra é, também, uma homenagem a Luiz Mendonça, que criou e conduziu o Endança e o GedUnB durante toda a década de 1980, e que faleceu ano passado, no Rio de Janeiro.
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Ao mesmo tempo, na Galeria Espaço Piloto do Instituto de Artes, está sendo mostrada uma exposição sobre o GedUnB. O livro reconstitui a trajetória do grupo e resgata a história da cena artística de Brasília nos anos 1970 e 1980, ainda num contexto de regime militar. O GEDUnB foi criado em 1973 por Maria Rute Jácomo Cavalcanti. Surgiu como um núcleo de criação, ensino e experimentação em dança em solo universitário, e serviu como um polo pioneiro de investigação do corpo e do movimento na capital federal.
Gilberto Lacerda Santos, um dos organizadores e coordenador geral do livro, conta que o projeto surgiu quando ele e antigos membros do GEDUnB perceberam o impacto do grupo na constituição de cada um enquanto cidadãos: "Nos demos conta de que essa dimensão da arte na formação das pessoas foi desaparecendo ao longo do tempo. Nenhum de nós era da área de artes, e nós nos encontrávamos na prática da arte, como uma espécie de cimento que nos unia a todos. Ao nos darmos conta da importância disso, resolvemos fazer um projeto que explicasse a importância da arte na constituição do sujeito."
Aproximadamente 10 anos após a criação, o grupo ficou sem coreógrafos, e Luiz Mendonça foi convocado para dirigir o GEDUnB. "O Luiz trouxe uma linguagem que tem como base o fato de que todo mundo pode dançar, e que a arte de modo geral, mas a dança em particular, porque nós estamos falando de um grupo de dança, cria elos de pertencimento dos indivíduos ao contexto sociopolítico e cultural em que ele habita", comenta Gilberto, "E nós somos a prova disso e tentamos demonstrar isso em nosso livro. A mensagem é para que a arte volte a ocupar um lugar de destaque nas escolas, nos currículos, na Universidade de Brasília, onde ela aos poucos foi sendo dissolvida."
Além do livro, o projeto traz um histórico de realização de seminários, palestras, um Encontro de Memórias, podcast e exposição física e virtual. O livro será disponibilizado gratuitamente no Museu Virtual de Ciência e Tecnologia da Universidade de Brasília.
*Estagiária sob a supervisão de Severino Francisco