IBGE

Setor de serviços cresce 2,6% em julho, aponta IBGE

O setor, contudo, ainda não recuperou as perdas acumuladas na pandemia de covid-19

Marina Barbosa
postado em 11/09/2020 09:50
 (foto: Minervino Júnior/CB/D.A Press - 15/7/20)
(foto: Minervino Júnior/CB/D.A Press - 15/7/20)

O setor de serviços cresceu 2,6% em julho, no segundo mês consecutivo de recuperação. O resultado, porém, segue abaixo do avanço observado no varejo e na indústria. E mostra que o setor, que representa 70% da economia brasileira, é o que mais sofre para deixar para trás os prejuízos acumulados na pandemia de covid-19.

Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o crescimento de 2,6% foi sentido em quatro das cinco atividades pesquisadas e vem depois da alta de 5,2% de junho. Porém, ainda não é suficiente para compensar o prejuízo acumulado na pandemia. Afinal, o setor de serviços foi o mais atingido pelo isolamento social.

O setor foi o que mais teve atividades paralisadas na quarentena. Além disso, atividades como os bares e restaurantes, as academias e os salões de beleza foram as últimas autorizadas a reabrir e reclamam que, mesmo depois da retomada, têm registrado um movimento bem inferior aos níveis pré-pandemia. 

Por conta disso, o IBGE calcula que, entre março e maio deste ano, os serviços acumularam uma perda de 19,8%. E aponta que, mesmo com o avanço de junho e julho, o setor acumula uma queda de 8,9% neste ano. Nos últimos 12 meses, o baque é de -4,5%.

Até a atividade de julho é negativa, se comparada não com o mês anterior, mas com o mesmo período do ano passado. Neste caso, o resultado do mês muda de 2,6% para -11,9%.

Atividades

Segundo o IBGE, a reação do setor de serviços tem sido puxada, sobretudo, pelos serviços de informação e comunicação e de transportes, serviços auxiliares aos transportes e correio, que cresceram 2,2% e 2,3% em julho, respectivamente.

Gerente da Pesquisa Mensal de Serviços (PMS) do IBGE, Rodrigo Lobo conta que os serviços de informação e comunicação foram menos impactados pela pandemia por conta do maior uso de aplicativos e plataformas de videoconferência na quarentena e também pelas atividades de portais, provedores de conteúdo e ferramentas de busca na internet, que têm receitas de publicidade. Já o setor de transporte tem sido puxado pelo transporte rodoviário de carga, responsável pela distribuição da produção industrial e agropecuária brasileira.

Na outra ponta, o setor que mais tem apresentado dificuldade de reagir é o de serviços prestados às famílias. A atividade foi a única a apresentar um saldo negativo em julho (-3,9%), mesmo tendo dado sinais de reação em junho (12,2%). Afinal, depende muito da renda do consumidor brasileiro, que foi afetado financeiramente pela crise da covid-19, e também da disposição desse consumidor de sair de casa. Lobo lembra que estes serviços "dependem de atendimento presencial, a exemplo dos serviços prestados às famílias por hotéis e restaurantes".

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