Pandemia

BC: instituições financeiras ainda não veem economia em recuperação

Apesar de o governo anunciar uma retomada em V, a Pesquisa de Estabilidade Financeira revela que, no mercado, predomina a visão de uma economia em recessão ou depressão. Há preocupação também com o problema fiscal

Marina Barbosa
postado em 15/10/2020 15:05
 (crédito: Danilson Carvalho/CB/D.A Press)
(crédito: Danilson Carvalho/CB/D.A Press)

Menos de um terço das instituições financeiras acreditam que a economia brasileira já está se recuperando da crise causada pela pandemia de covid-19, como vem dizendo o governo. É o que demonstra a Pesquisa de Estabilidade Financeira (PEF) do Banco Central (BC), que também aponta um aumento da preocupação com a sustentabilidade fiscal do Brasil.

Divulgada nesta quinta-feira (15/10) por meio do Relatório de Estabilidade Financeira (REF), a Pesquisa de Estabilidade Financeira revela que 29% das instituições financeiras acreditavam que a economia brasileira já se encontrava em uma fase de recuperação em agosto deste ano. A maior parte acreditava, então, que a economia ainda se encontrava em recessão (40%). E uma parcela expressiva dos respondentes já apontava para uma depressão (25%).

"Em consequência dos efeitos da crise da Covid-19 na economia brasileira, a pesquisa de agosto revela uma percepção mais negativa sobre os ciclos econômico e financeiro em relação à pesquisa de fevereiro, embora menos negativa que a da pesquisa de maio. [...] Predomina a visão de uma economia em recessão ou depressão", comentou o BC, que ouviu as 55 instituições financeiras que respondem por 93% dos ativos bancários brasileiros em agosto para elaborar esta pesquisa.

Segundo o Relatório de Estabilidade Financeira, as instituições financeiras também demonstraram mais preocupação com a situação fiscal do Brasil, devido ao aumento de gastos exigido pelo novo coronavírus. "Em particular, foi destacado por muitas instituições financeiras consultadas o risco de a situação fiscal agravar-se no caso de despesas fiscais temporárias relacionadas à pandemia tornarem-se permanentes, ameaçando o teto de gastos e prejudicando a sustentabilidade da dívida pública", destaca o documento.

Além disso, há receio em relação ao aumento da inadimplência, devido às incertezas sobre a recuperação econômica e ao fim de medidas de estímulo adotadas na pandemia. "A presença e a proeminência das palavras “Covid-19”, “desemprego”, “governo”, “recessão”, “incerteza”, “contágio”, “dívida” e “recuperação” representam a preocupação com os efeitos da crise da Covid-19 no Brasil e com seus impactos locais no nível de atividade, na inadimplência, no aumento de incerteza e nas condições fiscais do país nos próximos meses", conta o BC.

O Relatório de Estabilidade Financeira destaca, por sua vez, que, apesar de ter elevado "significativamente sua percepção de risco com a inadimplência e com o nível de atividade econômica", o mercado financeiro "considera adequadas as medidas adotadas pelo BCB para mitigar os efeitos econômicos decorrentes da Covid-19".

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