PANDEMIA

CNI: 68% das indústrias têm dificuldades de comprar insumos no país

Alta dos preços é um dos desafios para obtenção de matéria-prima

Jailson R. Sena*
postado em 23/10/2020 14:35 / atualizado em 23/10/2020 14:36
 (crédito: Wilson Dias/Agência Brasil)
(crédito: Wilson Dias/Agência Brasil)

De acordo com a Sondagem Especial Mercado de Insumos e Matérias Primas da Confederação Nacional da Indústria (CNI), 68% das empresas consultadas estão com dificuldades para obter insumos ou matérias-primas no mercado doméstico; e 56% das empresas que utilizam insumos importados regularmente estão com dificuldades em adquiri-los no mercado internacional.

Além disso, 82% perceberam alta nos preços, sendo que 31% falam em alta acentuada. A pesquisa contou com a participação de 1.855 empresas, entre 1º e 14 de outubro, em 27 setores das indústrias de transformação e extrativa.

O presidente da CNI, Robson Braga de Andrade, explica que as empresas optaram por reduzir seus estoques para enfrentar a forte queda no faturamento e o difícil acesso ao capital de giro nos primeiros meses da crise. “A economia reagiu em uma velocidade acima da esperada. Assim, tivemos um descompasso entre a oferta e a procura de insumos. E tanto produtores quanto fornecedores estavam com os estoques baixos", afirma.

Dificuldade de atendimento

A pesquisa mostra que 44% das empresas consultadas disseram estar com problemas para atender seus clientes. Essas empresas apontam, entre as principais razões para a dificuldade de atendimento, a falta de estoques, levantada por 47% das empresas; demanda maior que a capacidade de produção, com 41%; e incapacidade de aumentar a produção, com 38%.

Do total de empresas que não conseguem aumentar a produção, 76% alegam que o motivo é a falta de insumos. E o problema deve durar pelo menos mais três meses. Mais da metade, 55% das empresas, acredita que sua capacidade de atender os clientes se normalizará apenas em 2021. A percepção sobre o mercado de insumos é menos otimista. Entre os entrevistados, 73% acreditam que situação só deve melhorar em 2021.

 

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