GASTOS

"Consolidação fiscal é boa especialmente para os pobres", diz Sachsida

Segundo secretário de Política Econômica, consolidação fiscal é importante para os mais pobres porque garante o controle da inflação e o investimento produtivo, que aumenta o emprego

Marina Barbosa
postado em 28/10/2020 18:24 / atualizado em 28/10/2020 18:24
 (crédito: Fotos: Carlos Vieira/CB/D.A Press
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(crédito: Fotos: Carlos Vieira/CB/D.A Press )

O secretário de Política Econômica do Ministério da Economia, Adolfo Sachsida, disse nesta quarta-feira (28/10) que a consolidação fiscal é benéfica para todos os brasileiros, especialmente para a população mais pobre. Por isso, defendeu a revisão dos gastos já previstos no Orçamento como uma forma de bancar o Renda Brasil em 2021.

"Em um ambiente de elevada relação dívida/PIB, se o governo gastar mais, como alguns querem, em vez de a economia melhorar, ela piora. Ou seja, a melhor maneira de alavancar o crescimento econômico é por meio da consolidação fiscal. A consolidação fiscal está no melhor interesse possível para o Brasil e em especial para a população mais pobre", declarou Sachsida, em live com o mercado financeiro.

O secretário argumentou que, com as contas públicas em uma trajetória sustentável, haverá mais confiança dos investidores no Brasil. Por isso, "os juros continuam baixos, a inflação continua baixa, o investimento aumenta, o emprego e a renda aumentam". "A consolidação fiscal contribui com o bem-estar de um país e contribui mais ainda com a população pobre porque ela é preservada da inflação e porque o investimento melhora a condição de empregabilidade", argumentou.

Apesar disso, o governo federal vem sofrendo pressão para aumentar os gastos públicos no próximo ano, para aumentar as obras públicas e, sobretudo, para criar um novo programa social. Tanto que o ministro da Economia, Paulo Guedes, vem discutindo com o relator do Orçamento, o senador Márcio Bittar (MDB-AC), uma forma de encaixar o Renda Brasil no Orçamento de 2021.

Teto respeitado

Sachsida reconheceu a pressão, mas assegurou que o teto de gastos será respeitado. Ele defendeu que o Executivo, o Congresso e a sociedade civil olhem os gastos atuais do governo para identificar o que pode ser remanejado para esse novo programa social. "Infelizmente, no Orçamento, tem recurso destinado aos mais ricos. Enquanto sociedade, nós vamos ter que fazer escolhas. E eu sugiro que nós gastemos os poucos recursos que temos com a população mais pobre. Sugiro uma realocação dentro do Orçamento", declarou.

As propostas de remanejamento orçamentário já ventiladas pela equipe econômica para o Renda Brasil, contudo, não agradaram o presidente Jair Bolsonaro, pois atacavam benefícios como o abono salarial e os benefícios previdenciários. Outra ideia foi usar o recurso dos precatórios, o que foi visto como um calote pelo mercado e, por isso, foi deixado de lado. Por isso, o impasse sobre a fonte de recursos do Renda Brasil continua e já há quem diga que o programa corre o risco de não sair neste ano.

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