Bancos

Guedes acusa Febraban e diz que país é refém de "cartel bancário"

O ministro da Economia classificou a Federação dos Bancos como uma "casa de Lobby" e o "cartório institucionalizado dos bancos". Ele ainda acusou as instituições que financiam "ministro gastador para ver se fura teto"

Marina Barbosa
postado em 29/10/2020 16:38 / atualizado em 29/10/2020 19:49
 (crédito: Sergio Lima/AFP - 13/3/19)
(crédito: Sergio Lima/AFP - 13/3/19)

O ministro da Economia, Paulo Guedes, disse nesta quinta-feira (29/10) que a Federação Brasileira de Bancos (Federação Brasileira de Bancos) é uma "casa de lobby" que financia estudos de "ministro gastador" para tentar derrubar os ministros que querem acabar com os privilégios tributários e o "cartório institucionalizado dos bancos".

"A Febraban é uma casa de lobby. Muito honrada, muito justo o lobby. Mas está escrito na testa 'lobby bancário', que é para todo mundo entender do que se trata. Inclusive financiando estudos que não têm a ver com a atividade de defesa das transações bancárias. Financiando ministro gastador para ver se fura teto, se derruba o outro lado", acusou Guedes.

Durante audiência pública da Comissão Mista da Covid-19, Guedes disse ainda que existe um "cartel bancário" no Brasil, que deixa "200 milhões de trouxas sempre na mão de quatro bancos". E disse que, quando se sentem ameaçados, os bancos brasileiros "na mesma hora vêm correndo [atrás do governo], através da Febraban, que é o cartório institucionalizado dos bancos, que é paga para isso".

O ministro acrescentou que os bancos legislam em causa própria "fazendo lobby em Brasília, capturando os orçamentos públicos e subsídios para empresas campeãs". Porém, disse que o Brasil vai "escapar desse cartel bancário" por conta do aumento da competição no setor financeiro, que tem crescido com as fintechs, mas também porque o ministro está disposto a rever as atuais políticas de subsídios tributários.

Febraban

A instituição se manifestou por meio de nota: "A Febraban sempre se posicionou pela necessidade de sustentabilidade fiscal como pressuposto da retomada econômica e pela defesa clara em favor da manutenção do teto de gastos".

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