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Pesquisas de tecnologia da FAB podem gerar 21 mil empregos no país

Segundo major-brigadeiro Valter Borges Malta, presidente da Comissão Coordenadora do Programa Aeronave de Combate (Copac), projeto de aquisição de 36 caças Saab Gripen NG está em desenvolvimento, com entrega prevista até 2027

Edis Henrique Peres*
postado em 10/02/2021 17:36 / atualizado em 10/02/2021 19:12
 (crédito: Ed Alves/CB/D.A Press)
(crédito: Ed Alves/CB/D.A Press)

Projeto de aquisição de 36 caças Saab Gripen NG para a Força Aérea Brasileira (FAB), em conjunto com o desenvolvimento de conhecimento em estruturação e tecnologia, pode gerar cerca de 21 mil empregos em toda a cadeia econômica do Brasil. A informação é do major-brigadeiro Valter Borges Malta, presidente da Comissão Coordenadora do Programa Aeronave de Combate (Copac). Malta foi o entrevistado desta quarta-feira (10/2) do CB.Poder — uma parceria do Correio Braziliense com a TV Brasília.

“O conhecimento gerado nessas pesquisas aeroespaciais pode, inclusive, ser derivado para a indústria de medicina, como (no desenvolvimento de) sensores ópticos para diagnósticos, por exemplo. Além de, claro, atender a demanda que a FAB possui de controlar, defender e integrar o território nacional. E para isso, são necessárias aeronaves cada vez mais capazes, com longo alcance e capacidade de carga”, explica Malta.

O major-brigadeiro conta que a Copac possui cerca de 10 projetos em desenvolvimento e explica que o projeto Gripen ocorre dentro do cronograma planejado, apesar das dificuldades impostas pela pandemia. “O Gripen envolve a entrega de 36 aeronaves, 28 com um assento e 8 aeronaves com dois assentos, e o Brasil já recebeu a primeira, em 2020, no dia 23 de outubro, o Dia do Aviador”.

A nave recebida em outubro está em desenvolvimento nas instalações da Embraer, em Gavião Peixoto (SP). “O objetivo é que o F-39 Gripen, que recebemos, seja a aeronave de caça da FAB, com missões de força aérea, ataque ao solo e também reconhecimento. Ela já sobrevoou Brasília e está sobrevoando diariamente Gavião Peixoto em seu processo de desenvolvimento. Também as quatro primeiras aeronaves para compor o esquadrão do corpo de defesa aérea em Anápolis (GO) chegarão ao Brasil no fim deste ano”, revela.

A expectativa é que, entre 2026 e 2027, as 36 aeronaves da F-39 Gripen já estejam entregues no país. Malta esclarece que a integração de armamento e o desenvolvimento da estrutura das aeronaves podem possibilitar que as indústrias participantes do Brasil desenvolvam ao fim do ciclo Gripen aeronaves de 5° geração. “Atualmente, o F-39 Gripen está basicamente entre a 4° e 5° geração, um meio termo entre os dois”, pontua.

Dificuldades na pandemia

O presidente da Copac também defende a atuação da FAB em meio à pandemia. Questionado sobre a falta de aeronaves capazes de transportar carga no país, Malta reconheceu a demanda, mas reiterou que a força aérea atua fortemente na questão do novo coronavírus.

“Desde o começo da pandemia, atuamos de maneira bem integrada, essencialmente sobre a dificuldade na região amazônica. Mas já voamos mais de 1.600 horas, transportamos mais de 1.800 toneladas de materiais, e retiramos mais de 600 pacientes de Manaus para outros lugares do Brasil. Estamos realizando essa ação de transporte com todo o nosso sistema de apoio”, afirma.

Estratégia nacional de defesa

Malte explica ainda na entrevista que a FAB tem cerca de 18 projetos principais e que a força aérea possui na sua concepção aeronáutica um planejamento para 2041, quando completa 100 anos. “Estabelecemos essa estratégia nacional de defesa. É um plano que mira na infraestrutura e tecnologia necessárias para o que esperamos no centenário da FAB”, conta.

O major-brigadeiro acrescenta que os 18 projetos são espalhados entre as diversas áreas de infraestrutura, tecnologia e modernização: os caminhos necessários para se desenvolver aeronaves de 5° geração. “Uma aeronave desse modelo terá alta performance, alta velocidade, integração dos sistemas, inteligência artificial, além de baixa visibilidade perante os sensores e radares. Por isso, para atingir essa tecnologia, elaboramos esses diversos projetos”, finaliza.

*Estagiário sob a supervisão de Andreia Castro

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