INFRAESTRUTURA

Governo arrecada R$ 3,3 bilhões com leilão de aeroportos

Ágio médio na concessão de 22 aeroportos realizado hoje foi de 3.822% nos três blocos ofertados. Subsidiária do Grupo CCR arrematou dois blocos e pagou ágio de até 9.156%

Rosana Hessel
postado em 07/04/2021 12:41
 (crédito: Marcello Casal Jr/ Agência Brasil/reprodução)
(crédito: Marcello Casal Jr/ Agência Brasil/reprodução)

O governo federal arrecadou R$ 3,302 bilhões no leilão de 22 aeroportos agrupados em três blocos regionais realizado nesta quarta-feira (7/4), com ágio médio de 3.822%.

A Companhia de Participação de Concessões, do Grupo CCR, que tem forte atuação em rodovias, levou o Bloco Sul e o Bloco Central. No Bloco Sul, que inclui os aeroportos de Curitiba (PR), Foz do Iguaçu (PR), Londrina (PR), Bacacheri (PR), Navegantes (SC), Joinville (SC), Pelotas (RS), Uruguaiana (RS) e Bagé (RS), a companhia pagou R$ 2,128 bilhões. O ágio foi de 1.534,36% sobre o lance mínimo, de R$ 130,2 milhões. 

Já no Bloco Central, que inclui os aeroportos de Goiânia (GO), Palmas (TO), São Luís (MA), Imperatriz (MA), Teresina (PI) e Petrolina (PE), o preço final pago foi de R$ 754 milhões, com ágio de 9.156,01% sobre o preço mínimo, de R$ 8,1 milhões. 

O terceiro bloco, o Norte, foi arrematado pela francesa Vinci Airports, que desembolsou R$ 420 milhões pela concessão dos aeroportos de Manaus (AM), Tabatinga (AM), Tefé (AM), Porto Velho (RO), Rio Branco (AC), Cruzeiro do Sul (AC) e Boa Vista (RR). O ágio foi de 777,47% sobre lance mínimo de R$ 47,8 milhões. A empresa já opera no país sendo responsável pela operação do Aeroporto de Salvador, na Bahia.

"Resultado extremamente positivo"

Após o término do leilão, o ministro da Infraestrutura, Tarcisio Freitas, em entrevista à GloboNews, disse que o resultado superou as expectativas do governo e foi "extremamente positivo”. "Foi um resultado extremamente positivo", frisou.

Para o ministro, inclusive, foi uma “ousadia” do presidente Jair Bolsonaro realizar a iniciativa de organizar os leilões de infraestrutura nesta semana, a InfraWeek, "pois o governo tem dificuldade para investir e precisa atrair o setor privado". “Era necessário andar rápido para aproveitar e capturar o excesso de liquidez (do mercado) e antecipar a busca desses recursos”, afirmou.

Na avaliação de Ricardo Jacomassi, economista-chefe e sócio da TCP Partners, a maior surpresa do leilão de aeroportos de hoje foi a competição entre os participantes. “Não estávamos prevendo que haveria um número relevante de empresas participando do certame. Portanto, foi positivo, isso mostra que os ativos leiloados são atrativos em termos de retorno para o investidor”, disse.

A Confederação Nacional da Indústria (CNI) também classificou o leilão como um “sucesso”, porque atraiu empresas nacionais e estrangeiras. “Apesar da crise atual e da queda da movimentação de passageiros em razão da pandemia, os contratos de 30 anos dão a segurança necessária para o investidor”, informou a entidade, em nota, destacando que “as concessões na área de infraestrutura são fundamentais para a geração de empregos e a recuperação econômica do país”.

Novos leilões programados

O leilão de aeroportos é o primeiro dos três programados para a InfraWeek promovida nesta semana pelo governo na Bolsa de Valores de São Paulo (B3). Estão previstos também o leilão de uma ferrovia, nesta quinta-feira (8), e a concessão de cinco terminais portuários, na sexta-feira (9).

A expectativa do Ministério da Infraestrutura é arrecadar R$ 10 bilhões com todas as concessões previstas para esta semana.

 

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