CONJUNTURA

Ipea aponta crescimento mais sustentado na economia no segundo semestre

Na média do ano, o crescimento projetado é de 4,8%, e para 2022, de 2%. Mercado de trabalho, no entanto, ainda não se recuperou e se mantém em níveis pré-pandemia, segundo dados da Carta de Conjuntura do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada

Vera Batista
postado em 30/06/2021 10:32
 (crédito: Maurenilson Freire/CB/D.A Press)
(crédito: Maurenilson Freire/CB/D.A Press)

No segundo semestre de 2021, com o avanço da vacinação, diante do ambiente externo favorável e da redução das incertezas fiscais no curto prazo, a expectativa é de crescimento mais sustentado da atividade econômica. Na média do ano, o crescimento projetado é de 4,8%, e para 2022, de 2%. Os dados são da Carta de Conjuntura do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), que também aponta que a economia brasileira vem registrando recuperação significativa desde o terceiro trimestre de 2020, embora ainda sinta os impactos do distanciamento social, em consequência da pandemia, que exigiu ainda novas medidas restritivas em março e abril deste ano.

“O choque da covid-19 em março de 2020 e as medidas de distanciamento social produziram uma queda acumulada do PIB de 11,2% no primeiro semestre relativamente ao final de 2019. Desde então, o PIB cresceu 12,6% até o primeiro trimestre deste ano”, informa o levantamento. O crescimento do primeiro trimestre de 2021, de 1,2% na comparação dessazonalizada com o trimestre anterior, e de 1% em termos anuais, foi particularmente surpreendente diante do agravamento da pandemia a partir de novembro e do fim do auxílio emergencial em dezembro”, reforça.

Mercado de trabalho

De acordo com o Ipea, apesar da aceleração na margem, os dados ainda mostram uma força de trabalho 5% abaixo do período pré-pandemia. Mesmo com o comportamento melhor que o esperado da produção e das vendas, as condições gerais do mercado de trabalho pouco se alteraram nos últimos meses, revelando um quadro ainda deteriorado. Os dados dessazonalizados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua mostram que em março a taxa de desocupação foi de 14,7%, levemente superior à registrada em fevereiro (14,4%), pressionada principalmente pelo retorno à força de trabalho de uma parcela de dos trabalhadores. De janeiro a março de 2021, a força de trabalho aumentou em 589 mil pessoas, enquanto o contingente ocupado recuou em 11 mil.

Economia mundial e impactos no Brasil

O quadro externo tem impactado positivamente a economia brasileira por meio da valorização das commodities exportadas pelo Brasil, do aumento dos fluxos de comércio internacional e de condições financeiras globais que estimulam o apetite por risco e, portanto, maiores fluxos de capital para países emergentes, aponta o estudo. O cenário externo favorável tem sido um dos fatores críticos para explicar a resiliência da economia à situação ainda grave do quadro sanitário.

Desde o segundo semestre do ano passado, com algumas oscilações relacionadas à evolução da pandemia, as economias mais avançadas e a China têm registrado crescimento robusto, tendência que se acelerou em 2021 à medida em que a vacinação avançou e novas medias de estímulo foram adotadas, especialmente nos Estados Unidos.

As previsões para o crescimento da economia mundial e para os países desenvolvidos foram significativamente revistas para cima desde o início do ano. A Organisation for Economic Co-operation and Development (OECD), por exemplo, reviu o crescimento global previsto para 2021 de 4,2% em seu World Economic Outlook de dezembro de 2020 para 5,8% no relatório de maio, principalmente pelo desempenho dos países desenvolvidos, cita o Ipea.

A reabertura da economia nesses países tem contribuído para a retomada de atividades como lazer e turismo, acelerando a redução do desemprego e aumentando a confiança de consumidores e empresários. O volume do comércio internacional em abril foi 25% superior ao de um ano antes, já tendo retomado nível compatível com a tendência pré-pandemia.

Expectativas de IPCA, juros e câmbio

Na última sexta-feira de março, o IPCA previsto pela mediana do Focus para 2021 era de 4,81%. Essa expectativa subiu até os atuais 5,97%. Para o ano que vem, a previsão passou de 3,51% para 3,78%; para 2023, não se alterou, continuando presa à meta de 3,25%. Concomitantemente ao aumento da inflação esperada para este e o próximo anos, a trajetória da Selic definida pelo Copom alterou-se, com o nível de 6,5% passando a ser esperado para outubro deste ano; em março, a Selic para o fim de 2021 era esperada em 5,00% e uma sequência de elevações a levaria até 6,50% somente em março de 2023. Agora, espera-se que, uma vez atingido o patamar de 6,50%, ele será mantido ao longo de todo o ano que vem.

Ao mesmo tempo, toda a estrutura a termo da taxa de juros de títulos públicos se elevou, mais nos primeiros dois anos e entre 0,4 e 0,1 ponto percentual, a partir do terceiro. Em 26 de março, quando a taxa vigente era de R$ 5,70, a expectativa era de valorização até R$ 5,33, em dezembro deste ano; e R$ 5,26, em dezembro de 2022. Agora, com a taxa observada de R$ 4,92 em 25 de junho, a expectativa é de desvalorização até R$ 5,10, em dezembro deste ano; e R$ 5,20, em dezembro de 2022.

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