CONSTRUÇÃO

Construção civil refaz estimativas e volta a prever crescimento de 4% em 2021

De acordo com os dados do estudo Desempenho Econômico da Indústria da Construção do 2º trimestre de 2021, falta de insumos e seu alto custo continuam sendo os maiores entraves do setor

Vera Batista
postado em 26/07/2021 13:17
 (crédito: Antonio Cruz/Agência Brasil)
(crédito: Antonio Cruz/Agência Brasil)

O setor da construção civil está funcionando “como se fosse uma Ferrari com o freio de mão puxado”, na análise do presidente da Câmara Brasileira da Construção Civil (CBIC), José Carlos Martins. Isso porque, apesar dos bons resultados e das perspectivas de alta para este ano — com previsão de melhor resultado para o ano desde 2013, quando a alta foi de 4,5% —, ainda existem muitas incertezas “e medo dos empresários de continuar contratando”. Também atrapalha a alta do preço dos insumos, que vem sendo observada desde o início da pandemia, dos juros e da política do governo de liberar recursos do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS).

De acordo com os dados do estudo Desempenho Econômico da Indústria da Construção do 2º trimestre de 2021, apresentado na manhã desta segunda-feira (26/7), o setor da construção começou 2021 com expectativa de crescer 4% no ano. Com os desafios decorrentes da pandemia e a continuidades dos aumentos nos custos dos materiais, esse número foi reduzido para 2,5% em março. “Agora, apesar da capacidade de produção limitada, principalmente em função do desabastecimento e do aumento do preço do aço, a expectativa da CBIC para o PIB do setor voltou a subir para 4%, o que seria seu maior crescimento desde 2013”, informa o estudo.

O levantamento aponta, ainda, que, em junho, o nível de atividade do setor chegou a 51 pontos, o melhor desempenho desde setembro do ano passado (51,2 pontos) e também o melhor mês de junho desde 2011, quando o indicador alcançou 51,7 pontos. O resultado alcançado em junho de 2021 também foi o melhor observado no primeiro semestre do ano e é superior à média histórica do índice (45,6 pontos), com base nos números são da Sondagem Indústria da Construção, da Confederação Nacional da Indústria (CNI), com o apoio da CBIC.

Impacto dos insumos

A falta ou o alto custo de matéria-prima continua sendo o principal problema enfrentado pelos empresários da construção pelo quarto trimestre consecutivo, para 55,5% dos pesquisados na Sondagem. Desde o terceiro trimestre de 2020, o setor vem sentindo os efeitos do aumento expressivo nos custos dos seus insumos. A CBIC cita o Índice Nacional de Custo da Construção (INCC), da Fundação Getulio Vargas (FGV), que apontou que, no acumulado dos últimos 12 meses encerrados em junho, teve alta de 17,36%.

Resultado do INCC, reforça a CBIC, foi justificado pelo incremento expressivo no custo com materiais e equipamentos, que no período registrou alta de 34,09%, um recorde histórico desde o início da série histórica, iniciada em 1996 pela FGV. A elevada carga tributária foi apontada pelos empresários como o segundo principal problema enfrentado no segundo trimestre de 2021. Na comparação com o trimestre passado, esse foi o item com maior crescimento nas assinalações, passando de 24,7% para 31,5%.

Expectativas e projeções

De acordo com a Sondagem Indústria da Construção, as expectativas dos empresários do setor permanecem positivas em julho, apesar de menos intensas do que em junho. Considerando a melhora nas atividades no final do segundo trimestre e a manutenção do nível de atividade atual, a expectativa é de que o PIB do setor poderá registrar alta de 4% em 2021. Se confirmado, esse será o melhor desempenho da construção desde 2013, quando o crescimento foi de 4,5%. O incremento do financiamento imobiliário, as taxas de juros ainda em baixo patamar, a melhora do ambiente econômico, a demanda consistente, mesmo diante da pandemia, e a continuidade de pequenas obras e reformas são algumas das razões que ajudam a justificar a projeção atual.

Segundo a economista da CBIC, Ieda Vasconcelos, a melhora não significaria necessariamente um forte crescimento. “É preciso considerar que de 2014 até 2020 o setor acumulou uma queda de 33,34%. E mesmo com o crescimento de 4% em 2021, a retração desse período continuará superior a 30%, o que é bastante expressivo. A construção precisará continuar a crescer mais alguns anos nessa intensidade para que a recuperação total aconteça”, disse.

Atividade

A média do Índice do Nível de Atividade para o setor, no segundo trimestre de 2021, foi a melhor, para o período, desde 2012. A demanda consistente por imóvel, as baixas taxas de juros, o incremento do crédito imobiliário, o novo significado da casa própria para as famílias e a melhora nas expectativas para a economia são alguns dos fatores que ajudam a explicar esse resultado. Desagregando o indicador do Nível de Atividade da Construção por segmento, observa-se que o maior ritmo está na construção de edifícios, enquanto as obras de infraestrutura e os serviços especializados, apesar do incremento observado nos últimos meses, ainda estão em patamares de queda.

A Utilização da Capacidade Operacional (UCO) das empresas de construção cresceu um ponto percentual em junho, em relação a maio, e atingiu o seu maior patamar (64%) desde novembro de 2014 (66%). O resultado também é superior à média histórica do indicador (62%).

Emprego

A construção finalizou o mês de maio com 2,430 milhões de trabalhadores com carteira assinada, de acordo com dados do Ministério da Economia. Em maio de 2020, esse número correspondia a 2,113 milhões. Assim, o incremento no estoque de trabalhadores no setor em um ano foi de 15,01%.

Nos primeiros cinco meses de 2021, a construção gerou 156.693 novos postos de trabalho com carteira assinada. Usando como referência os resultados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) e do Novo Caged, observa-se que este foi o melhor resultado, para o período, desde 2012.

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