MANIFESTAÇÕES

Empresários e investidores protestam contra o governo

Banqueiros e empresários voltaram às ruas pela primeira vez desde o impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff, neste domingo (12/09). "Voto em qualquer um que não seja o Bolsonaro", diz um dos investidores

Fernanda Fernandes
postado em 12/09/2021 21:45 / atualizado em 13/09/2021 07:20
Manifestantes participam de um protesto convocado por grupos e partidos de direita para exigir o impeachment do presidente brasileiro Jair Bolsonaro, em São Paulo, Brasil, em 12 de setembro de 2021. -  (crédito: NELSON ALMEIDA / AFP)
Manifestantes participam de um protesto convocado por grupos e partidos de direita para exigir o impeachment do presidente brasileiro Jair Bolsonaro, em São Paulo, Brasil, em 12 de setembro de 2021. - (crédito: NELSON ALMEIDA / AFP)

Grandes nomes ligados à economia têm abraçado os protestos contra o governo e pelo impeachment do presidente Jair Bolsonaro. É a primeira vez desde o impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff que empresários e investidores vão às ruas. Segundo o jornal Folha de S.Paulo, que acompanhou de perto os protestos deste domingo na Avenida Paulista, nomes como Horácio Lafer Piva (acionista da Klabin e ex presidente da Fiesp), José Olympio Pereira (presidente do banco Credit Suisse), Fábio Barbosa (da Gávea Investimento e ex-presidente do banco Santander), Antônio Moreira Salles (filho do presidente do conselho de administração do banco Itaú Unibanco, Pedro Moreira Salles), Eduardo Wurzmann e Lucia Hauptman estiveram presentes nas manifestações, pedindo “Fora, Bolsonaro”.

Os agentes do mercado financeiro ainda demonstram acreditar na possibilidade de uma terceira via para a eleição de 2022 e acusam o presidente de ser “ruim para os negócios”, além de representar ameaça à democracia. "Se o setor privado não enxerga que é importante lutar pela democracia, pelo menos deveria entender que, sem democracia, nossos negócios valem menos", defende Lucia Hauptman, dona de uma empresa de investimentos.

Os empresários reconhecem que os barulhos políticos de Bolsonaro, com ameaças ao Estado Democrático de Poder, têm gerado incertezas e espantado os investidores. Ainda que defendam a terceira via, parte dos empresários não afasta a possibilidade de apoio a Luiz Inácio Lula da Silva, em um eventual segundo turno em 2022. "O simbolismo de uma volta de Lula ao poder é ruim, mas precisamos ver que Lula seria esse, qual seria sua equipe econômica", diz Hauptman. "Um segundo governo Bolsonaro seria péssimo, precisamos evitar que ele chegue ao segundo turno. Uma reeleição de um presidente golpista é ruim para os negócios", completa.

O investidor e conselheiro empresarial Eduardo Wurzmann, afirma que os investimentos no país estão “em compasso de espera” por causa das incertezas no país. “Os investidores querem uma pessoa previsível e racional no governo", ressalta o especialista que investe em setores como educação. Ele, que também participou dos atos contra Dilma, diz não se arrepender, e justifica o voto em Bolsonaro: “A situação tinha ficado insustentável e, depois, muitos empresários votaram em Bolsonaro para evitar o PT no poder", disse à Folha.

Embora a baixa adesão aos protestos deste domingo (12/09) tenha causado certa frustração nos empresários e investidores, alguns afirmam que participarão novamente dos projetos contra o governo, em 2 de outubro, desta vez convocado pelo Partido dos Trabalhadores e com participação do PSoL.

Wurmann conta que está preparado para votar no PT caso seja a única opção contra Bolsonaro. "Voto em qualquer um que não seja o Bolsonaro. Espero que haja alternativa, alguém que tire Bolsonaro do segundo turno. Mas o fato é que a inflação hoje está mais alta do que era no governo Dilma, o dólar também, nada foi privatizado, reformas estão patinando", pontua.

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