IMÓVEIS

Bancos aumentam os juros para compra da casa própria

Taxa média dos financiamentos habitacionais, que era de 6,3% ao ano em março, subiu para 7,25%, com as instituições antecipando-se a novas altas da Selic. Caixa, porém, promete agir na direção contrária e anunciar, hoje, redução nos encargos financeiros

Vera Batista
postado em 16/09/2021 05:55 / atualizado em 16/09/2021 05:56
Mercado aquecido: apesar da alta no custo financeiro, procura por casas e apartamentos continua firme, de acordo com especialistas do setor -  (crédito: Antonio Cunha/CB/D.A Press - 20/1/16)
Mercado aquecido: apesar da alta no custo financeiro, procura por casas e apartamentos continua firme, de acordo com especialistas do setor - (crédito: Antonio Cunha/CB/D.A Press - 20/1/16)

Os bancos privados aumentaram as taxas de juros dos financiamentos da casa própria, antecipando-se a novas altas da taxa básica de juros (Selic), definida pelo Banco Central. A Selic está, hoje, em 5,25% ao ano, mas deve continuar subindo para conter a inflação. Com isso, a taxa média dos financiamentos, que era de 6,3% em março, chegou a 7,25% ao ano. No entanto, especialistas em mercado imobiliário garantem que a demanda continuará aquecida no setor, mesmo com a crise hídrica e a queda do poder de compra da população.

Eduardo Aroeira, presidente da Associação de Empresas do Mercado Imobiliário (Ademi-DF), avaliou que os juros ainda estão convidativos. “Se olharmos as taxas cobradas há dois anos, elas eram em torno de 10,5%. Hoje, o mercado está otimista”, afirmou. Ele lembra que a última pesquisa da Ademi, em junho, apontou que 50% dos empresários previam aumento da demanda; 55% acreditavam na melhora do ambiente de negócios; e apenas 5% apostavam na piora. “Não há preocupação. Todos os indicadores são favoráveis. A Associação de Notários e Registradores do Brasil (Anoreg) comprovou que os registros de compra e venda de imóveis no país tiveram aumento de 43% de maio para julho deste ano”, reforçou Aroeira.

Ele destacou, ainda, que ontem mesmo o governo federal anunciou uma série de medidas para o programa habitacional Casa Verde e Amarela (que substitui o Minha Casa, Minha Vida), com a promessa de corte de juros de 1 ponto percentual. E o presidente da Caixa Econômica Federal — instituição que responde por 70% de todo o financiamento do setor — afirmou que hoje vai baixar os juros cobrados pela instituição. “Creio que a taxa média deve cair de 7,25% para 6,75%. Isso deverá afetar a concorrência. Os outros bancos deverão se ajustar”, assinalou Aroeira.

Ana Castelo, coordenadora de projetos da construção da Fundação Getulio Vargas (FGV/Ibre), ponderou, por outro lado, que a alta dos juros pode ter efeitos diferenciados. Há quem se apresse para realizar logo o sonho da casa própria, mas também há aqueles de se assustam e adiam a decisão de compra, com medo do que o futuro pode lhe reservar. Mas concordou com Aroeira de que, se agora o cenário não é tão bom quanto no ano passado, não está totalmente deteriorado a ponto de expulsar os compradores do mercado.

“É importante destacar que cada ponto percentual de aumento nos juros afeta de 8% a 9% no valor da prestação da casa própria. Mas quando a inflação começar a ceder e os juros ficarem mais comportados, o consumidor também ganhará”, ressalta Ana Castelo. O comprador que quer um imóvel novo, alerta, deve ficar atento aos termos do contrato e aos índices de correção. “Normalmente, não significa que as construtoras e incorporadoras estão se apropriando da diferença quando cobram mais. Estão, na verdade, ajustando as contas.”

Ieda Vasconcelos, economista-chefe da Câmara Brasileira da Indústria da Construção Civil (CBIC), explica que o consumidor precisa entender a diferença entre juros — que ajustam os financiamentos — e índice de custo (com impacto do preço dos insumos e da variação do câmbio), que estão ligados à construção de imóveis novos. Os juros são influenciados pela Selic que, em 2014, por exemplo, estava em 14,25% ao ano. “E os índices de custos estão subindo em torno de 12% a 13% ao ano”, destaca Ieda.

Insumos

De janeiro a julho de 2014, explicou Ieda, o custo acumulou alta de 6,04%. No mesmo período, em 2020, ficou em 3,67%. E, em 2021, em oito meses, ficou em 11,17%. Se considerar períodos de 12 meses, o ano de 2014 encerrou em 7,26%; 2020, em 4,60%; e 2021, até agora, já acumula alta de 16,68%.

Os vilões dos custos foram os tubos de aço, com alta de 46,57% de janeiro a agosto e avanço de 90,36%, em 12 meses; elevadores (20,80% e 24,30%, respectivamente) e tubos de PVC (24,22% e 62,67%). “Isso vem prejudicando o setor de construção, que emprega 18,31 milhões de trabalhadores. E cada R$ 1 investido na construção civil gera mais R$ 1,36 na fase seguinte. Ajuda a economia em geral, porque as pessoas acabam comprando eletrodomésticos, roupas de cama, banho, entre outros”, reforçou Ieda.

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