CONJUNTURA

Contas externas têm superavit de US$ 1,7 bilhão em agosto

Dados do Banco Central também apontam recuo no deficit das contas externas, que acumula US$ 19,5 bilhões em 12 meses, e queda nos investimentos diretos no país

O Banco Central (BC) divulgou, nesta sexta-feira (24/9), as estatísticas do setor externo referentes ao mês de agosto. De acordo com os dados da autarquia, as transações correntes no mês fecharam com saldo superavitário de US$ 1,7 bilhão, ante US$ 1 bilhão registrado em 2020. O resultado é formado pela balança comercial (exportações x importações de produtos entre Brasil e outros países), pelos serviços adquiridos por brasileiros no exterior e pelas rendas de remessas de juros, lucros e dividendos do Brasil para o exterior.

Segundo o BC, as exportações de bens em agosto totalizaram US$ 27,4 bilhões, um aumento de 56,0% na comparação com o mesmo período do ano passado. As importações somaram US$ 21,7 bilhões, um incremento de 72,4% na mesma base de comparação. No mês, a balança registrou superavit de US$ 5,6 bilhões, maior que em agosto de 2020, quando esse valor foi de US$ 4,9 bilhões. 

Os dados apontam que o superavit na balança comercial acumulado em 12 meses é de US$ 39,8 bilhões. O resultado foi correspondente às expectativas do último boletim Focus, que previa US$ 27,7 bilhões para as exportações em 2021, e US$ 20,6 bi para as importações, com saldo comercial de 70%.

A conta de serviços totalizou deficit de US$ 1,6 bilhão em agosto, um aumento de 8,6% em relação ao ano passado. O deficit também foi verificado em renda primária, com saldo negativo de US$ 2,6 bilhões, 8,2% a menos que o registrado em 2020. As despesas líquidas de lucros e dividendos, associadas aos investimentos direto e em carteira, totalizaram US$ 1.

Embora o resultado das transações correntes totais tenha sido superavitário em agosto, no acumulado em 12 meses encerrados em agosto, o deficit é de US$ 19,5 bilhões, o equivalente a 1,23% do Produto Interno Bruto (PIB). Apesar disso, o saldo negativo desacelerou diante de julho, quando o saldo deficitário foi de US$ 20,2 bilhões (1,30% do PIB). E mais ainda na comparação com o acumulado em 12 meses encerrados em agosto de 2020, quando esse saldo foi de -US$ 35,7 bilhões (2,26% do PIB).

Na análise dos últimos oito meses, o BC aponta que o deficit nas contas externas foi de R$ 6,539 bilhões, com queda de 49,5% na comparação com o mesmo período do ano passado (US$ 12,957 bilhões). O valor é o menor para o período de janeiro a agosto, desde 2007.

De acordo com Fernando Rocha, chefe do departamento de estatística do BC, o resultado mostra a recuperação econômica após o pior período da pandemia, mas também demonstra avanço comparado ao cenário anterior à crise sanitária. “Vocês têm acompanhado bem essa evolução mês a mês, vendo uma redução do deficit das transações correntes em função (da mitigação) dos efeitos da pandemia. Mas fizemos outra comparação para isolar este efeito e, nos 12 meses encerrados antes da pandemia em 2020, o deficit era de US$ 69 bilhões”, relembrou Rocha, ao apresentar os dados, nesta sexta-feira.

Investimentos

As estatísticas do setor externo de agosto também trazem dados sobre investimentos em carteira no mercado doméstico. Os dados demonstram que os investimentos totalizaram ingresso líquido de US$ 1,2 bilhão no país. O valor é resultado da retirada de US$ 170 milhões de ações e fundos de investimentos por estrangeiros, compensada pelo investimento de US$ 1,4 bilhão em títulos públicos. Os investimentos em carteira somam US$ 43,7 bilhões nos 12 meses finalizados em agosto de 2021. Já os investimentos diretos no país (IDP) somaram US$ 4,5 bilhões no mês, abaixo da estimativa do próprio BC para o período, que era de US$ 5,8 bilhões.

Nos 12 meses encerrados em agosto, os IDP totalizaram US$ 49,4 bilhões (3,12% do PIB). O valor é acima dos US$ 47,5 bilhões (3,04% do PIB) registrados em julho, porém inferior aos US$ 56,8 bilhões (3,61% do PIB) registrados em agosto de 2020, o que mostra que os investimentos diretos caíram 26% em relação ao mesmo período do ano passado.

Para Fernando Rocha, a pandemia ainda é o principal fator que impacta nas transações e reflete na redução dos investimentos diretos. “Os impactos pelo efeito da pandemia provocaram redução muito superior no saldo das transações correntes e na redução dos fluxos de investimentos direto”, afirmou.