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IPCA: inflação registra maior alta para setembro desde o Plano Real

Puxado pela alta da de 6,47% na conta de energia elétrica, IPCA subiu 1,16% no mês e, no ano, acumula alta de 6,90%. Nos últimos 12 meses, fica em 10,25%, sendo a primeira vez em mais de 5 anos que a taxa anual atinge dois dígitos

Fernanda Strickland
postado em 08/10/2021 10:53 / atualizado em 08/10/2021 10:57
 (crédito: Reprodução/Internet)
(crédito: Reprodução/Internet)

A inflação calculada pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), inflação oficial do país, acelerou de 0,87% em agosto para 1,16% em setembro, de acordo com dados divulgados nesta sexta-feira (8/10) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Essa foi a maior variação para um mês de setembro desde 1994, quando o índice foi de 1,53%. No ano, o IPCA acumula alta de 6,90% e, nos últimos 12 meses, de 10,25%, acima dos 9,68% observados nos 12 meses imediatamente anteriores. É a primeira vez em mais de 5 anos que a taxa anual atinge dois dígitos. Resultado do mês foi puxado pela alta da de 6,47% na conta de energia elétrica.

De acordo com os dados, oito dos nove grupos de produtos e serviços pesquisados apresentaram alta em setembro. O maior impacto (0,41 p.p.) e a maior variação (2,56%) vieram de Habitação, que acelerou em relação a agosto (0,68%). Na sequência, vieram Transportes (1,82%) e Alimentação e Bebidas (1,02%), cujos impactos foram de 0,38 p.p. e 0,21 p.p. respectivamente. Esses três grupos contribuíram, conjuntamente, com cerca de 86% do resultado de setembro (1,0 p.p. do total de 1,16). Os demais grupos ficaram entre a queda de 0,01% em Educação e a alta de 0,90% em Artigos de residência.

O resultado do grupo Habitação (2,56%) foi influenciado principalmente pela alta da energia elétrica (6,47%). Em setembro, passou a valer a bandeira Escassez Hídrica, que acrescenta R$ 14,20 na conta de luz a cada 100 kWh consumidos. Em agosto, a bandeira vigente era a vermelha patamar 2, na qual o acréscimo é menor (de R$ 9,492 para os mesmos 100 kWh). Além disso, houve reajustes tarifários nas seguintes áreas de abrangência do índice: Belém (9,43%) — reajuste de 8,92%, em vigor desde 7 de agosto; Vitória (7,35%) — reajuste de 9,60%, a partir de desde 7 de agosto; São Luís (6,33%) — reajuste de 2,20%, vigente desde 28 de agosto.

O grupo dos Transportes variou 1,46%. A maior contribuição (0,18 p.p.) veio dos combustíveis, que subiram 2,43%, influenciados pelas altas da gasolina (2,32%) e do etanol (3,79%). Além disso, o gás veicular (0,68%) e o óleo diesel (0,67%) também apresentaram variação positiva.

Ainda em Transportes, destacam-se as altas de 28,19% nas passagens aéreas, após a queda de 10,69% registrada em agosto, e de 9,18% nos transportes por aplicativo, cujos preços já haviam subido 3,06% no mês anterior. Os automóveis novos (1,58%), os automóveis usados (1,60%) e as motocicletas (0,63%) seguem em alta, contribuindo conjuntamente com 0,08 p.p. no IPCA de setembro. Por fim, cabe mencionar a alta de 0,19% nos ônibus intermunicipais, que decorre, em particular, dos reajustes entre 11% e 13% aplicados em Fortaleza (6,55%) a partir de 3 de setembro.

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