Retomada

Construção civil terá melhor desempenho da década em 2021, diz CBIC

De janeiro a novembro deste ano, o Índice Nacional de Custo de Construção (INCC) subiu 13,46%. Indicador está em seu maior patamar desde 2003

Fernanda Strickland
postado em 13/12/2021 16:37 / atualizado em 13/12/2021 16:39
 (crédito:  Minervino Júnior/CB/D.A.Press)
(crédito: Minervino Júnior/CB/D.A.Press)

A Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) apontou que a construção civil terá o maior crescimento da década, com uma expansão que chegará a 7,6% em 2021. Segundo estudo realizado pela entidade, a indústria vem registrando aumentos persistentes no custo do setor. De janeiro a novembro deste ano, o Índice Nacional de Custo de Construção (INCC) subiu 13,46%. O indicador está em seu maior patamar desde 2003.

Os índices foram apresentados no estudo “Construção Civil: desempenho 2021 e cenário para 2022”, realizado pela entidade, em parceria com a Ecconit Consultoria, e apresentado durante coletiva de imprensa virtual nesta segunda-feira (13/12).

Esse crescimento significará mais emprego, mais renda e mais investimentos. O setor inclui o imobiliário, que deve ser atingido pela alta das taxas de juros. Desde o início do segundo semestre de 2020, os materiais de construção vêm registrando forte aceleração. O INCC Materiais e Equipamentos registrou aumento de 42,25% de julho de 2020 a novembro deste ano.

A geração de empregos foi um dos grandes destaques em 2021. Nos primeiros 10 meses do ano foram criados cerca de 285 mil novos empregos formais no setor, de acordo com dados do Ministério do Trabalho. Com os saldos positivos recentes, a construção chega a quase 2,4 milhões de trabalhadores com carteira assinada, patamar que não era alcançado desde 2016.

De acordo com a economista da CBIC, Ieda Vasconcelos, a importância da construção no mercado de trabalho é vista também em relação ao salário médio de admissão, que, em outubro, conforme dados do  Trabalho, chegou a R$ 1.858,43, perdendo somente para o setor de serviços (R$ 1.924,00).

“Tivemos um excelente desempenho, com a construção civil, registrando há 10 meses consecutivos admissões superiores a demissões, o que representa nosso melhor resultado da última década. Além disso, a média do salário no setor fica maior do que a média nacional, perdendo somente para o setor de serviços. Em 2022, essa questão salarial será a fonte de maior pressão no custo da construção”, explicou a especialista.

Mercado imobiliário

Em 2021, o mercado imobiliário registrou incremento nos lançamentos e vendas. O número de unidades lançadas neste ano está 24,59% maior do que em 2019. Já a venda de imóveis novos cresceu 42,29% nesta mesma base de comparação. Somente a oferta teve queda no período: -3,39%. “Apesar do resultado de incremento no lançamento, o resultado para estoque caiu, o que significa que esgotaríamos o estoque em 9 meses e meio. Por isso, é extremamente necessário a ampliação de novos lançamentos”, afirmou o presidente da CBIC, José Carlos Martins.

O ponto de preocupação, de acordo com o presidente da CBIC, está no preço dos imóveis, que deve sofrer reajuste nos próximos meses. Segundo Martins, o preço não acompanhou o aumento do INCC, ou seja, a elevação do custo da construção ainda não foi repassada ao consumidor. “A curva de materiais e equipamentos segue em crescente e não manifesta nenhuma tendência de queda, o que é preocupante. Aguarda-se aumento nos preços dos imóveis nos próximos meses em função dessa enorme e persistente alta nos insumos”, explicou.

A concessão de crédito imobiliário com recursos do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) registrou queda significativa em 2021, tanto em valor financiado, com queda de 14,10% (até 9 de dezembro em relação ao total do ano anterior), quanto no número de unidades financiadas, que caiu 17,05% na mesma base de comparação.

De acordo com o presidente da CBIC, os índices demonstram o impacto nas famílias de mais baixa renda, onde está concentrado 90% do deficit habitacional. “Este ano aconteceu algo alarmante, que é sobrar recurso do FGTS, porque as pessoas não tiveram capacidade de adquirir sua casa. Em 2022, já vamos sentir o reflexo dessa redução de vendas. Por isso, é importante que a infraestrutura reaja para que a gente possa ter uma compensação do que vai perder com mercado imobiliário”, ressaltou.

A economista Ieda Vasconcelos ressaltou que a queda do número de unidades é maior do que a baixa registrada no valor, demonstrando que as classes de mais baixa renda estão perdendo a capacidade de acessar o crédito.

 

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