Conjuntura

Governo revisa previsões, admite PIB menor e volta a culpar a guerra

Fernanda Strickland
postado em 18/03/2022 06:00

A equipe econômica do governo federal revisou para baixo a projeção de crescimento econômico em 2022, admitindo que os efeitos da guerra entre a Rússia e a Ucrânia serão duradouros para o Brasil. O Boletim Macrofiscal do Ministério da Economia, divulgado na quinta-feira (17/3), revisou a projeção de alta do Produto Interno Bruto (PIB) de 2,1% para 1,5%. Já a expectativa para a taxa de inflação do Índice de Preços do Consumidor Amplo (IPCA) de 2022 aumentou de 4,70% para 6,55%.

A pasta destacou que os principais fundamentos para o aumento do PIB neste ano foram a forte expansão do mercado de trabalho, aumento do investimento, maior robustez do setor de serviços e manutenção do processo de consolidação fiscal. Já a expectativa para a taxa de inflação de 2022 aumentou de 4,70% para 6,55%.

A partir de 2023, segundo o boletim, espera-se convergência da inflação do IPCA para a meta de 3,25%. Em relação ao INPC, a projeção para 2022 elevou-se de 4,25% para 6,70%. Os fatores para a alta inflacionária são a alta nas commodities agrícolas e energéticas, em meio às tensões no leste europeu.

De acordo com o professor de geopolítica Fábio Tadeu Araújo, o governo fez bem em rever tanto a taxa do crescimento do PIB quanto da inflação, mas para ele, as estimativas estão otimistas. "Quando nós conversamos com agentes financeiros ou empresários, muitos já dizem que a expectativa de inflação está acima de 8% neste ano, com viés de alta e PIB provavelmente no território negativo", compara.

Segundo Araújo, é provável que o governo ainda esteja otimista e isso diz respeito não apenas a respeito da guerra na Ucrânia, mas também da questão de preços. "A inflação tem, claramente, um efeito sobre o poder de compra, o que reduz a demanda potencial que já estava baixa, mas tende a manter a taxa de juros mais alta por um período maior, piorando as expectativas dos empresários", afirma.

O Banco Central (BC) também informou ontem, um recuo. O Índice de Atividade Econômica (IBC-BR), considerado a "prévia" do Produto Interno Bruto (PIB) — soma de todos os bens e serviços produzidos no país para medir a evolução da economia —, registrou queda de 0,99% em janeiro deste ano na comparação com dezembro de 2021. Em 2021, a economia brasileira registrou crescimento de 4,6%. 

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