Combustíveis

Petrobras indica risco ao alterar a política de preços internacionais

A estatal informou que citar possíveis mudanças na política de preços internacionais (PPI) ocorre mesmo antes da implementação da atual regra

Rosana Hessel
postado em 01/04/2022 06:00
 (crédito: Tânia Rêgo/ Agência Brasil)
(crédito: Tânia Rêgo/ Agência Brasil)

Na semana em que foi anunciada a troca da diretoria, a Petrobras encaminhou o relatório anual para os investidores, com todos os riscos possíveis para a empresa. O Formulário 20-F, referente a 2021 e remetido à Securities and Exchange Commission (SEC), a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) norte-americana, reconhece que não há como assegurar que a forma de fixar preços dos combustíveis "não mudará no futuro".

"Mudanças em nossa política de preços de combustíveis podem ter um impacto material adverso em nossos negócios, resultados, condição financeira e valor de nossos títulos. As flutuações do mercado, relacionadas à instabilidade política, atos de terrorismo, conflitos armados e guerras em várias regiões do mundo, podem ter um efeito adverso relevante em nossos negócios", destacou o documento de 487 páginas.

O Formulário 20-F é uma praxe das companhias abertas listadas na Bolsa de Nova York. O procedimento padrão consiste na empresa listar todos os riscos, de modo a não ser acusada de omitir informações.

Procurada, a estatal informou que citar possíveis mudanças na política de preços internacionais (PPI) ocorre mesmo antes da implementação da atual regra. "Na edição deste ano, estão listados mais de 40 riscos, das mais diferentes naturezas, como mudanças climáticas, cibersegurança e guerras, dentre outros. O risco relacionado à política de preços tem sido mencionado em todos os relatórios 20F publicados pela companhia desde 2017", informou a assessoria da Petrobras, em nota.

Entre os riscos listados no relatório estão os operacionais; os financeiros; os de conformidade, legais e regulatórios; e os relacionados ao Brasil e à relação da empresa com o acionista controlador. Neste último, por exemplo, a estatal destacou que a fragilidade no desempenho da economia brasileira, a instabilidade no ambiente político, as mudanças regulatórias e a percepção do investidor dessas condições "podem afetar adversamente os resultados das operações e o desempenho financeiro e podem ter um efeito adverso relevante sobre a estatal".

O documento menciona interferências na definição do preço dos combustíveis. "O presidente brasileiro tem, por vezes, feito declarações sobre a necessidade de modificar e ajustar nossa política de preços para as condições domésticas. Tendo em vista as declarações feitas pelo presidente brasileiro, uma nova Diretoria Executiva e equipe de gestão ou Conselho de Administração poderá propor alterações em nossa política de preços, incluindo a decisão de que tal política não busque alinhamento com o preço de paridade internacional", afirma o texto.

Um especialista da área de infraestrutura ouvido pelo Correio ressaltou que, além da mudança na PPI, há riscos reputacionais para a Petrobras. Tanto Rodolfo Landim quanto Adriano Pires, indicados para o comando da estatal, são muito ligados ao setor de gás. "É preciso ficar muito atento aos movimentos da companhia nessa área, porque ela é o principal fornecedor de gás no país", disse.

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