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Instabilidade do Pix gera reclamações contra Itaú

Usuários relataram dificuldades para realizar operações por meio do Pix; houve mais de 500 reclamações

Usuários relataram dificuldades para realizar operações por meio do Pix -  (crédito: Marcello Casal Jr./Agência Brasil)
Usuários relataram dificuldades para realizar operações por meio do Pix - (crédito: Marcello Casal Jr./Agência Brasil)

Clientes do Itaú Unibanco relataram instabilidade nas transações via Pix na manhã desta quinta-feira (19). Segundo publicações feitas na rede social X, o sistema de transferências apresentou lentidão e dificuldades para conclusão de operações. Os picos de reclamações começaram por volta das 10h. Usuários apontaram que o sistema estava fora do ar e indicaram que a falha estaria relacionada ao próprio banco, e não ao Banco Central do Brasil, responsável pela infraestrutura do Pix. De acordo com o site Downdetector, que monitora serviços on- -line, mais de 541 notificações haviam sido registradas até cerca de 10h.

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Nas redes sociais, consumidores marcaram o perfil do banco para relatar o problema. Em algumas respostas públicas, o Itaú informou que estava ciente da falha e que a equipe responsável atuava para realizar os ajustes necessários. Em nota, o banco informou que identificou uma instabilidade pontual pela manhã, que impactou parte dos clientes nas transações via Pix. “O banco ressalta que está trabalhando para que as operações sejam normalizadas o mais rápido possível e pede desculpas aos clientes pelo inconveniente”, informou.

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O episódio ocorreu após o Banco Central divulgar, há cerca de uma semana, que 5.290 chaves Pix de clientes do Banco Agibank S.A. tiveram dados cadastrais expostos. Foi o 21º incidente envolvendo chaves Pix desde o lançamento do sistema, em novembro de 2020, e o primeiro registrado em 2026. De acordo com o BC, a exposição ocorreu entre 26 de dezembro de 2024 e 30 de janeiro de 2025 e incluiu nome do usuário, CPF com máscara, instituição de relacionamento, agência, número e tipo da conta.

A autoridade informou que o incidente decorreu de falhas pontuais em sistemas da instituição de pagamento e que dados protegidos por sigilo bancário, como saldos e senhas, não foram expostos. Em todos os 21 registros, até agora, houve vazamento apenas de informações cadastrais. O Banco Central mantém página específica para acompanhamento de incidentes, conforme determina a Lei Geral de Proteção de Dados.

Para o especialista em direito digital Luiz Augusto D’Urso, presidente da Comissão Nacional de Cibercrimes da Associação Brasileira dos Advogados Criminalistas (Abracrim), falhas pontuais em sistemas bancários não geram, automaticamente, obrigação de indenizar. “A instabilidade em softwares e soluções disponibilizadas por instituições bancárias é algo normal.

Para que haja a responsabilização da instituição, o consumidor teria que comprovar que teve um prejuízo concreto em razão dessa instabilidade”, afirmou. Segundo ele, a análise da responsabilidade depende da origem do problema. “É preciso avaliar se a instabilidade foi consequência sistêmica da liberação do Banco Central ou se ocorreu de forma pontual naquele banco específico. Caso venha do sistema do Banco Central, os bancos não terão responsabilidade sobre o ocorrido”, declarou. D’Urso ressaltou que, desde o lançamento, o Pix apresentou 21 incidentes. “Isso indica que o sistema é seguro e confiável. Falhas são esperadas em sistemas eletrônicos, mas não representam nada de grande escala em comparação à utilização massiva do Pix no país”, disse.

O especialista acrescentou que o aumento de episódios pode levar à atuação de órgãos de defesa do consumidor, como a Secretaria Nacional do Consumidor e os Procons. Sobre vazamentos de dados, D’Urso afirmou que qualquer incidente é relevante à luz da Lei Geral de Proteção de Dados. “Na esfera administrativa, qualquer vazamento pode resultar em multas aplicadas pela Autoridade Nacional de Proteção de Dados. A gravidade do incidente e a categoria do dado vazado serão analisadas para dosar a punição”, concluiu.

*Estagiário sob a supervisão de Edla Lula

 

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postado em 19/02/2026 23:38
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