
Agentes do mercado financeiro elevaram pela sétima semana consecutiva a projeção para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) em 2026. A estimativa para a inflação oficial passou de 4,80% no relatório anterior para 4,86% no Boletim Focus publicado nesta segunda-feira (27/4) pelo Banco Central. Para 2027 e 2028, as previsões também subiram, para 4% e 3,61%, respectivamente.
Enquanto analistas preveem a inflação cada vez mais descontrolada, as projeções para a atividade econômica permanecem praticamente estáveis, com leve queda em relação ao último relatório — de 1,86% para 1,85% ao fim de 2026. Para os outros três anos do horizonte considerado pelo BC, não houve mudança na mediana das estimativas.
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Em relação ao câmbio, analistas apontam um dólar mais fraco no fim do ano, com a terceira revisão consecutiva para baixo no relatório do BC. A projeção para 2026 passou de R$ 5,30, há uma semana, para R$ 5,25.
Entre os principais indicadores do boletim, apenas a previsão para a taxa básica de juros permaneceu inalterada em relação à semana anterior, em 13% ao ano. Atualmente, a Selic está em 14,75% ao ano, e a maioria dos analistas de mercado prevê um novo corte de 0,25 ponto percentual na reunião desta semana, que se encerra na quarta-feira (29/4).
Na avaliação do CEO da Azumi Investimentos, Edgar Araújo, a manutenção da projeção para a taxa de juros em 13% reflete a leitura de que ainda não há espaço para uma flexibilização mais agressiva da política monetária. Segundo ele, o nível atual de juros segue necessário para manter as expectativas sob controle e evitar uma desancoragem, especialmente em um ambiente de crescimento moderado.
“Por outro lado, já é um patamar que encarece o crédito e reduz a velocidade da economia. Existe um certo excesso de otimismo no mercado em relação à trajetória da Selic, especialmente quando se considera a persistência inflacionária. A tendência é de cortes mais graduais e condicionados a uma melhora mais consistente dos dados”, considera o especialista.

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