Combustíveis

Subsídio ao diesel não deve ter efeito imediato nos preços, diz Sindicombustíveis-DF

Com adesão de cerca de 80% dos estados, medida prevê R$ 1,20 por litro, mas DF fica de fora. Setor aponta incertezas operacionais e pressão de custos como entraves ao repasse nas bombas

O presidente do Sindicombustíveis-DF, Paulo Tavares, afirma que a proposta de subvenção ao diesel importado não deve gerar efeito imediato nos preços ao consumidor, mesmo nos estados que aderirem à medida. Segundo ele, a complexidade da formação de preços no setor impede que o subsídio seja automaticamente repassado nas bombas. 

A medida do governo federal prevê um subsídio de R$ 1,20 por litro de diesel importado, dividido igualmente entre União e estados. A iniciativa, de acordo com informações preliminares, teria adesão de cerca de 80% das unidades da Federação, mas o Distrito Federal ficou de fora do programa. 

No DF, a ausência de adesão ocorre em meio a um cenário de alta recente, com distribuidoras já tendo aplicado reajustes de aproximadamente R$ 1,15 por litro, mantendo a pressão sobre o consumidor local.

Segundo Tavares, o impacto da subvenção depende de uma série de fatores. “A formação de preços envolve origem do produto, volume importado, custo logístico e a gestão dos estoques já adquiridos”, disse nesta quarta-feira (1º/4).

Outro ponto de incerteza é o formato operacional da medida. Ainda não há definição sobre se o subsídio será repassado de forma imediata ou por meio de créditos posteriores às companhias, o que pode atrasar ainda mais qualquer efeito sobre os preços finais. “Essa definição é crucial para entender o impacto real na bomba”, afirmou.

A situação é considerada mais sensível no Distrito Federal, que depende quase integralmente de abastecimento externo e não possui produção relevante de combustíveis ou biocombustíveis. Com a logística baseada no transporte rodoviário, movido a diesel, os reajustes têm efeito ampliado sobre os custos.

“Os postos já enfrentam aumento significativo no frete, pressionando margens e preços finais”, reforçou Tavares. Para ele, a decisão do governo distrital de não aderir à subvenção exige explicações. “É uma decisão com impacto direto na inflação regional e no bolso da população, e precisa ser acompanhada de justificativa técnica, matemática e orçamentária”, acrescentou.

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