LIDE BRASÍLIA

Montezano: 'Brasil se tornou referência para países emergentes'

Ex-presidente do BNDES afirma que governança e mudanças regulatórias ampliaram segurança jurídica e abriram espaço para novos investidores no setor

Durante o 6º Brasília Summit, realizado nesta quarta-feira (15/4) pelo Lide e pelo Correio Braziliense, o CEO e fundador da Yvy Capital e ex-presidente do BNDES, Gustavo Montezano, afirmou que o modelo brasileiro de governança em infraestrutura se tornou referência para países emergentes.

Segundo Montezano, o país estruturou, ao longo da última década, um conjunto de práticas voltadas ao planejamento de longo prazo, à organização de projetos e à ampliação de parcerias público-privadas. “O que temos no Brasil, através do PPI e da governança em fábricas de projetos em diversos estados do governo federal, é um exemplo em nível internacional para países emergentes”, disse.

Ele destacou que, durante sua atuação no BNDES, apresentou esse modelo em encontros internacionais. De acordo com ele, a experiência brasileira chamou a atenção de outros países em desenvolvimento. “Apesar de termos muito o que evoluir, o eixo central e a espinha dorsal da mentalidade que estruturamos no Brasil nos últimos 10 anos é exemplo global para países emergentes”, afirmou.

Montezano também detalhou a evolução do modelo de infraestrutura no país. Ele dividiu esse processo em três fases, começando com o período pós-Segunda Guerra Mundial até os anos 1990, quando o investimento era concentrado em empresas estatais. Em seguida, apontou a fase iniciada com o Plano Real, que ampliou a participação do setor privado, mas com concentração em grandes grupos empresariais.

Segundo ele, o modelo atual busca ampliar a participação de novos agentes no setor. “O que viemos construindo no Brasil ao longo dos últimos 10 anos é um modelo de infraestrutura descentralizada”, afirmou. Nesse formato, o financiamento deixa de depender exclusivamente de crédito subsidiado e passa a ser distribuído no mercado, com maior diversidade de investidores.

O executivo ressaltou que mudanças regulatórias e legais contribuíram para ampliar a segurança jurídica e facilitar a entrada de novos operadores. “Foi feita uma verdadeira revolução e renovação em arranjos legais e regulatórios, trazendo mais segurança na relação público-privada”, disse.

*Estagiário sob a supervisão de Rafaela Gonçalves 

Mais Lidas