O Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania e o Banco Mundial divulgaram uma pesquisa inédita que analisa como estigma, discriminação e desigualdade afetam emprego, renda e produtividade no país, baseada em novos dados coletados em 2025.
De acordo com o estudo, intitulado “O Custo Econômico da Exclusão Baseada em Orientação Sexual, Identidade e Expressão de Gênero e Características Sexuais no Mercado de Trabalho Brasileiro”, a exclusão de pessoas LGBTQIA+ do mercado de trabalho gera um impacto econômico estimado em R$94,4 bilhões por ano no Brasil, o equivalente a aproximadamente 0,8% do Produto Interno Bruto (PIB).
A pesquisa, publicada na quarta-feira (29/4), também aponta impactos diretos nas contas públicas. As perdas fiscais associadas à exclusão são estimadas em R$14,6 bilhões anuais, resultado da combinação entre menor arrecadação e maior pressão sobre gastos públicos.
Outro fator que compromete a eficiência do mercado e limita o potencial econômico do país é a discriminação no ambiente de trabalho. Pessoas LGBTQIA+ enfrentam uma taxa de desemprego de 15,2%, o dobro da média nacional (7,7%). Além disso, 37,4% estão fora da força de trabalho, acima da média da população geral (33,4%).
Segundo o relatórios, os principais motivos que explicam esse cenário estão a dificuldade de acesso a oportunidades, a subutilização de qualificações profissionais e a saída do mercado de trabalho em decorrência de experiências de estigma e discriminação.
A pesquisa revela que a exclusão não afeta de maneira igual as pessoas LGBTQIA+. Pessoas transgênero, não-binárias e intersexo relatam níveis mais elevados de discriminação no ambiente profissional, com perdas salariais mais acentuadas entre mulheres. No total, as perdas salariais anuais foram estimadas em R$ 40,1 bilhões entre homens e R$ 54,3 bilhões entre mulheres.
Para o estudo, os efeitos da exclusão se manifestam em três frentes principais: redução de rendimentos entre pessoas empregadas que não conseguem utilizar plenamente suas habilidades; maior desemprego entre pessoas LGBTQIA+; e menor participação na força de trabalho. Esses fatores resultam não apenas em perdas individuais, mas também em menor produtividade, má alocação de talentos e redução na geração de empregos no setor privado.
*Estagiário sob supervisão Paulo Leite
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