MERCADO DE TRABALHO

Desemprego aumenta no trimestre encerrado em março para 6,1%, segundo IBGE

Apesar do aumento da taxa de desocupação no primeiro trimestre do ano, dado ainda é o menor da série histórica do IBGE, iniciada em 2012. Renda média do trabalhador bate novo recorde e soma R$ 3,7 mil e analistas enxergam mercado de trabalho ainda aquecido

Processo seletivo de estágio do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) -  (crédito: Divulgação)
Processo seletivo de estágio do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) - (crédito: Divulgação)

A taxa de desemprego aumentou no trimestre encerrado em março para 6,1%, conforme dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), nesta quinta-feira (30/4). Apesar de ter ficado levemente acima do esperado pelo mercado, o dado ainda é menor para o período desde o início da série da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua Mensal (Pnad Contínua/Mensal), iniciada em 2012, dando sinais de que o mercado de trabalho segue aquecido, mesmo com os juros elevados e em patamares restritivos para a atividade.

Conforme os dados do IBGE, a taxa de desocupação no trimestre encerrado em março de 2026 cresceu um ponto percentual (p.p.) frente ao trimestre encerrado em dezembro de 2025, de 5,1%, mas ficou 0,9 p.p. abaixo da taxa do trimestre encerrado em março de 2025, de 7%.

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A população desocupada somou 6,6 milhões, apresentando aumento de 19,6% (ou mais 1,1 milhão de pessoas) no trimestre na comparação com o trimestre anterior, mas recuou 13,0% (menos 987 mil pessoas) na comparação anual. A população ocupada somou 102,0 milhões e apresentou recuou de 1% ou 1,0 milhão de pessoas no trimestre, mas cresceu 1,5% (mais 1,5 milhão) no ano, de acordo com os dados do IBGE.

Rendimento recorde

O rendimento real habitual de todos os trabalhos foi de R$ 3.722, o maior registrado na série histórica com crescimento nas duas comparações, de 1,6% no trimestre e de 5,5% no ano, conforme os dados da pesquisa do órgão ligado ao Ministério do Planejamento e Orçamento (MPO).

A massa de rendimento real habitual totalizou R$ 374,8 bilhões, e também foi novo recorde histórico, com estabilidade no trimestre e alta de 7,1% (mais R$ 24,8 bilhões) no ano.

Na avaliação do economista Alberto Ramos, do Goldman Sachs, os dados do IBGE mostram que o mercado de trabalho permanece aquecido e o crescimento real dos salários segue acelerando novamente. Logo, em geral, “as condições monetárias restritivas ainda não geraram um ponto de inflexão visível no mercado de trabalho”. “A criação de empregos fortaleceu-se em março. A taxa de desemprego ficou em 6,1% em março, ‘em linha com o consenso’. Ajustada sazonalmente, a taxa de desemprego subiu 10 pontos-base, para 5,6%, ainda baixa, próxima de mínimas históricas e abaixo da faixa de estimativas da Nairu (taxa de desemprego que não acelera a inflação)”, destacou Ramos, em relatório aos clientes.

Claudia Moreno, economista do C6 Bank, contou que a taxa de desemprego de março ficou ligeiramente acima da projeção dela, de 6%. “Na nossa série com ajuste sazonal, que elimina os eventos pontuais do calendário e ajuda a enxergar melhor a tendência do indicador, o desemprego passou de 5,6% para 5,7%, o que significa que a desocupação do país segue em patamar historicamente baixo. São números que, somados a outros indicadores, como a criação de vagas formais, reforçam que o mercado de trabalho segue aquecido no Brasil”, destacou.

Risco inflacionário

Contudo, a economista lembrou que a população economicamente ativa apresentou leve alta de 0,2%, assim como renda seguiu valorizada, o que pode ser um desafio para o Banco Central, que cortou a taxa de juros básica (Selic) em 0,25 ponto percentual, ontem, para 14,50% ao ao, no controle da inflação. “É importante observar que os salários seguem crescendo em ritmo forte. Em relação a março de 2025, a renda real média habitual, que mostra quanto cada trabalhador ganha já descontada a inflação, teve alta de 5,5%. Somando a remuneração de todos os trabalhadores (massa de renda habitual), a expansão é de 7,1%. Trata-se de um aumento expressivo. A forte elevação da renda do trabalhador impõe desafios para a inflação brasileira", destacou.

Na avaliação dela, os dados da Pnad sugerem que estamos em um momento de estabilidade da taxa de desemprego “em nível muito baixo para os padrões do país”. “Mesmo que haja alguma desaceleração na criação de vagas em função da perda de ritmo da economia, o mercado de trabalho deve continuar aquecido neste ano. Nossa projeção é de que a taxa de desemprego termine 2026 pouco acima de 5%”, afirmou. Com isso, de acordo com Moreno, a expectativa é de que os próximos cortes também da Selic sejam da mesma magnitude, “mas essa calibração dependerá da duração e dos impactos do conflito no Oriente Médio”. “A inflação de serviços do país, que segue pressionada pelo mercado de trabalho aquecido, é outro fator que pode interferir nas próximas decisões. Por ora, mantemos a previsão de que a Selic encerre este ano em 13,5%", afirmou ela, que prevê uma taxa acima da mediana do mercado, de 13% anuais.

Outros dados da pesquisa

Conforme os dados do IBGE, o nível da ocupação (percentual de pessoas ocupadas na população em idade de trabalhar) foi 58,2%, recuando 0,7 ponto percentual no trimestre (58,9%), mas subindo 0,4 p.p. (57,8%) no ano. A taxa composta de subutilização (14,3%) subiu 0,9 p.p. frente ao trimestre móvel anterior (13,4%) e recuou 1,6 p.p. no ano (15,9%).

A população subutilizada (16,3 milhões) cresceu 6,6% (mais 1,0 milhão de pessoas) no trimestre (15,9%), mas recuou 10,1% (menos 1,8 milhão de pessoas) no ano.A população desalentada, de 2,7 milhões mostrou estabilidade no trimestre e queda de 15,9% (menos 509 mil pessoas) no ano. O percentual de desalentados (2,4%) ficou estável no trimestre e recuou 0,5 p.p. no ano.

O número de empregados no setor privado (52,4 milhões) recuou 1,0% (menos 527 mil pessoas) no trimestre, mas cresceu 1,1% (mais 583 mil pessoas) no ano, conforme os dados da Pnad.

O número de empregados com carteira assinada no setor privado, excluindo trabalhadores domésticos, somou 39,2 milhões, com estabilidade no trimestre e alta de 1,3% (mais 504 mil pessoas) no ano. Já o número de empregados sem carteira assinada no setor privado (13,3 milhões) recuou 2,1% (menos 285 mil pessoas) no trimestre e ficou estável no ano.

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O número de empregados no setor público (12,7 milhões) caiu 2,5% (menos 322 mil pessoas) no trimestre e subiu 3,7% (mais 455 mil pessoas) no ano.A soma de trabalhadores por conta própria chegou a 26 milhões em março, número estável no trimestre, com alta de 2,4% (mais 607 mil pessoas) no ano.

A taxa de informalidade foi de 37,3% da população ocupada (ou 38,1 milhões de trabalhadores informais), abaixo dos 37,6 % (ou 38,7 milhões) do trimestre anterior e dos 38,0 % (ou 38,2 milhões) do trimestre encerrado em março de 2025.

 

 

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postado em 30/04/2026 12:46
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