SETOR PRODUTIVO

Novas tarifas dos EUA geram preocupação para a indústria no país

Entidades que representam setor manifestaram apreensão com decisão do USTR que pode elevar para 25% as taxas de importação de produtos brasileiros em solo norte-americano

A decisão publicada na manhã desta terça-feira (2/6) pela representação comercial dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês) não foi bem recebida pelo setor industrial no Brasil, que teme a retomada do tarifaço "extinto" no início deste ano.

A Confederação Nacional da Indústria (CNI) e outras entidades devem participar das audiências promovidas pelo USTR, para tentar reverter a decisão até o dia 15 de julho, quando a medida pode entrar em vigor, se aprovada nos EUA.

A Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan) informou que já se habilitou junto ao USTR como parte na investigação em curso em conjunto com a CNI e outros representantes setoriais. A entidade fluminense defende que as negociações sejam objetivas em “defesa da indústria, dos investimentos e do importante relacionamento econômico e parceria estratégica entre Brasil e Estados Unidos”.

“Apesar de não ter efeito imediato, esta nova decisão contribui para o agravamento do cenário de imprevisibilidade e incerteza no relacionamento entre Brasil e EUA, impactando na geração de investimentos, empregos e renda em ambos os países”, avalia o presidente da Firjan, Luiz Césio Caetano.

Entidades apostam na diplomacia

Na mesma linha, a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) destacou que mantém o compromisso em colaborar com as autoridades brasileiras e norte-americanas no sentido de reverter a decisão e que, para isso, seguirá empenhada na “diplomacia empresarial”.

“A diplomacia empresarial cumpriu um papel relevante na negociação das exclusões de uma lista de produtos até aqui. Neste momento, no entanto, é fundamental uma atuação rápida e firme do governo brasileiro para evitar a confirmação de prejuízos graves às exportações do país antes da decisão final, esperada para julho”, destaca Paulo Skaf, presidente da Fiesp.

Já a Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg) manifesta preocupação com os efeitos adversos da medida, e lembra que os EUA são um dos principais destinos das exportações nacionais e estaduais, o que envolve bens industriais e produtos do agro, como carne bovina, café e suco de laranja.

“A Fiemg defende que o governo brasileiro mantenha atuação firme, técnica e diplomática junto às autoridades norte-americanas, com o objetivo de evitar a entrada em vigor da tarifa, ampliar a lista de produtos isentos e preservar a competitividade das empresas brasileiras no mercado dos Estados Unidos”, comenta, em nota, a entidade.

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