A decisão publicada na manhã desta terça-feira (2/6) pela representação comercial dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês) não foi bem recebida pelo setor industrial no Brasil, que teme a retomada do tarifaço "extinto" no início deste ano.
A Confederação Nacional da Indústria (CNI) e outras entidades devem participar das audiências promovidas pelo USTR, para tentar reverter a decisão até o dia 15 de julho, quando a medida pode entrar em vigor, se aprovada nos EUA.
A Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan) informou que já se habilitou junto ao USTR como parte na investigação em curso em conjunto com a CNI e outros representantes setoriais. A entidade fluminense defende que as negociações sejam objetivas em “defesa da indústria, dos investimentos e do importante relacionamento econômico e parceria estratégica entre Brasil e Estados Unidos”.
“Apesar de não ter efeito imediato, esta nova decisão contribui para o agravamento do cenário de imprevisibilidade e incerteza no relacionamento entre Brasil e EUA, impactando na geração de investimentos, empregos e renda em ambos os países”, avalia o presidente da Firjan, Luiz Césio Caetano.
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Entidades apostam na diplomacia
Na mesma linha, a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) destacou que mantém o compromisso em colaborar com as autoridades brasileiras e norte-americanas no sentido de reverter a decisão e que, para isso, seguirá empenhada na “diplomacia empresarial”.
“A diplomacia empresarial cumpriu um papel relevante na negociação das exclusões de uma lista de produtos até aqui. Neste momento, no entanto, é fundamental uma atuação rápida e firme do governo brasileiro para evitar a confirmação de prejuízos graves às exportações do país antes da decisão final, esperada para julho”, destaca Paulo Skaf, presidente da Fiesp.
Já a Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg) manifesta preocupação com os efeitos adversos da medida, e lembra que os EUA são um dos principais destinos das exportações nacionais e estaduais, o que envolve bens industriais e produtos do agro, como carne bovina, café e suco de laranja.
“A Fiemg defende que o governo brasileiro mantenha atuação firme, técnica e diplomática junto às autoridades norte-americanas, com o objetivo de evitar a entrada em vigor da tarifa, ampliar a lista de produtos isentos e preservar a competitividade das empresas brasileiras no mercado dos Estados Unidos”, comenta, em nota, a entidade.
