Tecnologia

IA pode acelerar desenvolvimento de países emergentes em uma década

Relatório do Banco Mundial aponta que economias em desenvolvimento têm mais oportunidades do que riscos com a inteligência artificial, desde que invistam em energia, conectividade e qualificação profissional

A inteligência artificial (IA) pode acelerar significativamente o desenvolvimento econômico dos países de baixa e média renda, permitindo que essas nações alcancem, em apenas uma década, avanços que historicamente levariam cerca de um século. 

A avaliação consta em relatório divulgado nesta terça-feira (4/8) pelo Banco Mundial, que aponta, no entanto, que esse potencial depende de investimentos rápidos em infraestrutura energética, conectividade digital e capacitação da força de trabalho.

O estudo também indica que os impactos da IA sobre o mercado de trabalho tendem a ser menos severos nas economias emergentes do que nas desenvolvidas. Segundo o Banco Mundial, os países em desenvolvimento têm mais oportunidades de ampliar a produtividade e modernizar serviços do que riscos imediatos de substituição em massa de trabalhadores.

"A inteligência artificial lançou uma tábua de salvação para as economias em desenvolvimento, e elas deveriam aproveitá-la", afirmou o vice-presidente sênior e economista-chefe do Banco Mundial, Indermit Gill.

De acordo com o relatório, embora empresas e governos ao redor do mundo estejam destinando bilhões de dólares para incorporar a IA às suas atividades, os países emergentes não precisam necessariamente competir na construção de grandes modelos de linguagem ou investir em estruturas de altíssimo custo para colher benefícios da tecnologia.

"Adaptando ferramentas de inteligência artificial menores e de baixo custo às condições locais, é possível ampliar o acesso de milhões de pessoas a serviços de saúde, educação, justiça e assistência técnica para a agricultura", destacou Gill.

Na prática, a instituição avalia que profissionais da saúde poderão utilizar a IA para acelerar diagnósticos, professores terão apoio na elaboração de planos de ensino mais eficientes e agricultores poderão tomar decisões mais precisas sobre o que plantar e o melhor momento para o cultivo.

O relatório cita ainda estimativas do Fundo Monetário Internacional (FMI), segundo as quais a inteligência artificial poderá elevar em cerca de 4% o Produto Interno Bruto (PIB) da África Subsaariana ao longo da próxima década, desde que existam condições adequadas para sua adoção.

Produtividade

Apesar das preocupações globais sobre a substituição de trabalhadores pela IA generativa, o Banco Mundial estima que o risco é significativamente menor nos países de baixa e média renda. Enquanto 14,2% dos empregos nas economias avançadas apresentam elevado potencial de automação, essa parcela é de 4,5% nos países em desenvolvimento.

Por outro lado, o potencial de ganhos de produtividade é semelhante entre os dois grupos. O estudo calcula que 16,2% dos empregos nas economias emergentes poderão ser beneficiados pela adoção da IA, percentual próximo aos 18,7% registrados nos países de alta renda.

Para que esse potencial se concretize, o Banco Mundial recomenda que os governos ampliem o acesso à eletricidade e à internet, fortaleçam a formação em competências digitais e expandam a disponibilidade de smartphones e equipamentos de informática.

Ao mesmo tempo, o organismo alerta que a disseminação da inteligência artificial também traz desafios importantes, como o aumento da desigualdade de renda, a disseminação de desinformação cada vez mais sofisticada e o risco de uso da tecnologia para ampliar mecanismos de repressão política.

 

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