
A produção brasileira de petróleo e gás natural alcançou 5,842 milhões de barris de óleo equivalente por dia (boe/d) em junho de 2026, segundo dados divulgados, ontem, pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). O desempenho foi impulsionado pelo avanço da produção no pré-sal, que respondeu por 82% de todo o volume extraído no país.
A produção de petróleo somou 4,475 milhões de barris por dia (bbl/d), alta de 4% em relação a maio e de 19,1% na comparação com junho de 2025. Já a produção de gás natural atingiu 217,35 milhões de metros cúbicos por dia (m³/d), crescimento de 5,5% frente ao mês anterior e de 19,7% na comparação anual.
O pré-sal produziu 4,788 milhões de boe/d, sendo 3,699 milhões de barris diários de petróleo e 173,19 milhões de metros cúbicos por dia de gás natural. A produção foi obtida a partir de 198 poços e registrou crescimento de 4,2% em relação a maio e de 24% na comparação com junho do ano passado.
Segundo a ANP, o aproveitamento do gás natural permaneceu elevado, alcançando 97% da produção. Ao todo, 64,36 milhões de metros cúbicos por dia foram disponibilizados ao mercado.
A queima de gás natural totalizou 6,63 milhões de metros cúbicos por dia, volume 12,9% superior ao registrado em maio. De acordo com a agência, o aumento ocorreu principalmente em razão da fase de comissionamento da plataforma P-79, instalada no campo de Búzios.
Para o economista e sócio da Valor Investimentos, Davi Lelis, o crescimento da produção brasileira ocorre em um momento favorável para o setor energético, mas os efeitos positivos dependem também do cenário internacional.
Segundo ele, é importante diferenciar o aumento da produção nacional da valorização do petróleo no mercado internacional. "Há uma distinção fundamental para entender essas notícias: a primeira é o volume de petróleo que o Brasil produz, e a segunda é o preço pelo qual esse petróleo será vendido. São dois motores diferentes", explica.
Na avaliação do economista, o aumento de quase 20% na produção brasileira em junho é resultado de investimentos realizados ao longo dos últimos anos e da entrada em operação de novos projetos."É resultado de investimentos feitos ao longo de vários anos, de novos poços entrando em operação agora e de ganhos de eficiência na engenharia de extração. Em outras palavras, o Brasil está colhendo hoje os frutos das decisões tomadas e da infraestrutura construída no passado", afirma.
Lelis destaca que o cenário internacional também contribui para ampliar as receitas do setor. Segundo ele, as tensões geopolíticas envolvendo Estados Unidos e Irã elevaram as cotações do petróleo, criando um ambiente ainda mais favorável para os exportadores.
"Como o conflito entre os Estados Unidos e o Irã continua afetando fortemente o Estreito de Ormuz, região por onde passa cerca de um quinto do petróleo mundial, o preço do Brent subiu mais de 20% no último mês, voltando ao patamar de US$ 90 por barril. Isso cria uma combinação muito favorável para o Brasil, pois estamos produzindo mais barris e cada um deles está valendo mais", diz.
Gás na Colômbia
A Petrobras também confirmou, ontem, a descoberta de uma nova acumulação de gás natural no poço exploratório Sandia-1, localizado no Bloco GUA-OFF-0, em águas profundas da Colômbia. O poço está situado a cerca de 42 quilômetros da costa colombiana, em uma lâmina d'água de 1.251 metros.
A área também abriga outras descobertas relevantes, estando localizada a 18 quilômetros dos poços Sirius-1 e Sirius-2 e a apenas nove quilômetros do poço Copoazu-1.
A perfuração do Sandia-1 foi iniciada em 12 de junho e alcançou sua profundidade final em 29 de julho. Segundo a Petrobras, a presença de gás natural já foi comprovada, mas a caracterização definitiva da descoberta dependerá de análises laboratoriais e da avaliação detalhada dos intervalos identificados por meio de perfis de poço.
A operação é conduzida pela subsidiária colombiana da Petrobras, a PIB-COL, que detém 44,44% de participação no consórcio. A parceira Ecopetrol S.A. possui os 55,56% restantes e participa da condução das atividades exploratórias.
De acordo com a Petrobras, a descoberta fortalece o potencial de produção de gás natural no offshore colombiano e poderá contribuir para a segurança energética da região ao incorporar novos volumes ao sistema de abastecimento.
Para Davi Lelis, a descoberta de gás natural na Colômbia também amplia a importância estratégica da Petrobras na região. "Esse movimento ocorre justamente no momento em que o mundo volta a perceber os riscos da dependência excessiva do petróleo e do gás provenientes do Oriente Médio e da Rússia", afirma.
*Estagiário sob a supervisão de Edla Lula

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