
O advogado Cristiano Pinto Ferreira, fundador da Casa do Advogado em Brasília, defendeu o marketing digital e o uso da inteligência artificial na profissão. Durante entrevista ao Podcast do Correio, ele ressaltou a importância da formação teórica do direito, mas argumentou que habilidades extras, como o domínio de novas ferramentas e tecnologias são importantes para alavancar os profissionais que precisam ir além do ensino tradicional.
"Nós entendemos que a advocacia é uma profissão das mais nobres que tem, mas apenas o diploma da faculdade, apenas o conhecimento técnico do direito, não é mais suficiente para que o advogado tenha prosperidade no atual mercado.", disse Cristiano aos jornalistas Denise Rothenburg e Carlos Alexandre de Souza.
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Cristiano defendeu o uso da inteligência artificial como um "segundo cérebro" e assistente do advogado. Ele criticou os profissionais que rejeitam usar a IA como um auxílio. "Não tem como, hoje, um profissional sobreviver, ter prosperidade se ele não usar as ferramentas", afirmou.
Apesar disso, o especialista alertou sobre o uso excessivo da inteligência artificial na rotina dos advogados. Segundo ele, protocolar respostas diretas da IA sem análises ou checagem pode gerar problemas no futuro da advocacia. "Infelizmente tem advogados aí que vão pegar o resultado da IA e vão simplesmente protocolar e aí desastres serão incríveis daqui pra frente", pontuou.
Posicionamento digital
Cristiano explicou como começou a introduzir o marketing digital no seu escritório e destacou que foi um dos pioneiros na prática. Ele contou que no início utilizou o Google Ads para atrair novos clientes e que, após o sucesso, passou a compartilhar com outros advogados formas de se posicionar digitalmente no ramo do direito.
Ele conta que foi questionado pela Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) sobre as normas que falavam sobre a exposição de advogados nos meios digitais. Na época não existia no regimento, regras relacionadas ao marketing digital na advocacia, sem especificar se podia ou não realizar tais práticas. "Então, tinha uma lacuna ali [no regimento] e eu interpretei a lacuna para o meu lado, lógico, como um bom advogado.", disse.
Cristiano explicou que compreende a resistência inicial da OAB em se adaptar às tendências, por se tratar de uma entidade secular e contou que atualmente, a OAB está se adaptando a novas tendências. "Se eu fosse a um evento da OAB falar em departamento comercial no escritório de advocacia há cinco anos, eu sairia de lá preso. Hoje em dia é comum", relata.
"A mesma advocacia que nós viemos dialogando ao longo dos anos, hoje me convida com muita honra — e eu vou com muito respeito e prazer — para falar desses devaneios, de tecnologia, departamento comercial, marketing, gestão, tecnologia", completa.
Nova advocacia
Sobre o futuro da profissão, Cristiano mencionou a construção de uma "nova advocacia". "Eu acredito que a velha e tradicional advocacia, que a ideia de que a advocacia é meramente técnica, formou uma leva. Todos nós viemos de lá. Mas tem aqui uma nova advocacia, que é a soma da técnica mais nova. Na nova advocacia, o cara é tecnicamente bom, mas o cara entende de negócios, o cara entende de gestão, o cara entende, minimamente, como tocar uma empresa.", defendeu.
Ele contou que já fez parte do meio acadêmico, mas foi convidado a se retirar de uma instituição tradicional ao tentar introduzir temas como posicionamento de mercado e carreira nas aulas de Direito. Como alternativa, Ferreira anunciou a criação de uma nova faculdade de direito e negócios em São Paulo e Brasília. O objetivo é garantir que o aluno tenha um domínio técnico rigoroso do direito, mas associado também a competências práticas de mercado.
"Temos que ser bons no direito. Depois, a gente precisa ter novas habilidades. Então na nossa faculdade, vamos trabalhar para formar excelentes advogados, brilhantes técnicos, mas que esses advogados tenham novas habilidades", explicou.
O advogado detalhou que a instituição manterá disciplinas tradicionais, como processo civil e processo penal, mas combinadas com aulas de vendas, tecnologia e gestão. "Porque, se não se adaptarem, hoje as faculdades tradicionais são verdadeiros Titanics", afirmou.
*Estagiária sob supervisão de Edla Lula