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Copom decide Selic em meio à pressão por ajuste fiscal e juros altos

Mercado espera comunicado mais duro e está dividido em novo corte ou manutenção da taxa de juros. Focus eleva projeção para 2026.

O Comitê de Política Monetária (Copom) define hoje a nova taxa básica de juros. A aposta do mercado financeiro para a conclusão da reunião, que teve início ontem, voltou a ser de uma Selic de 13,5% ao ano, após a mediana das projeções levantadas pelo Boletim Focus terem reduzido para 13,25% na primeira semana após o primeiro turno das eleições.

Além da taxa em si, os investidores estão atentos ao comunicado que será emitido pelo Banco Central, após a reunião, que vai sinalizar os próximos movimentos em relação ao juros no país. Segundo o Focus, a maioria ainda espera uma queda de 0,25 ponto percentual nesta reunião e o encerramento do ciclo de queda no último encontro do ano, marcado para os dias 8 e 9 de dezembro.

A mediana das projeções para a Selic também subiu em todo o horizonte do relatório. Para 2027, o mercado espera uma taxa de juros a 12,5% a.a., ante uma estimativa de 11,75% a.a. até a semana anterior. Nos anos seguintes, 2028 e 2029, as apostas subiram para 11% e 10,25%, respectivamente. O analista da Ouro Preto Investimentos Sidney Lima avalia que a projeção de 10% para 2028 só voltará a ser viável com um ajuste fiscal convincente, baseado no controle das despesas obrigatórias e na recuperação dos resultados primários. 

"Sem isso, qualquer expansão adicional dos gastos tende a ser cobrada pelo mercado por meio de um dólar mais caro, juros futuros elevados e crédito mais restrito. Para a Bolsa, vejo um ambiente de maior seletividade, com empresas endividadas e dependentes do consumo doméstico mais pressionadas", destaca o especialista.

Na mesma linha, o CEO da Asset, Gustavo Assis, considera que a expectativa de juros menores, mesmo diante de uma inflação mais elevada, está relacionada ao patamar ainda restritivo da política monetária, que tende a continuar limitando o consumo e os investimentos. Entretanto, caso o aumento das despesas públicas não seja acompanhado por medidas consistentes de controle fiscal, ele acredita que o mercado poderá exigir prêmios de risco maiores, pressionando o dólar, os juros futuros e as expectativas de inflação. 

"Para permitir uma redução sustentável da Selic até 2028, será fundamental apresentar um ajuste estrutural das contas públicas, com controle das despesas obrigatórias, maior eficiência do gasto e uma trajetória crível de estabilização da dívida. Sem essas medidas, a economia poderá conviver com juros reais elevados por mais tempo, dificultando a recuperação do crédito, do consumo e dos investimentos produtivos", analisa Assis.

Já  para André Matos, CEO da MA7 Capital, o governo precisaria sair do déeicit e mostrar um caminho crível de superávits crescentes, com revisão de gastos obrigatórios e de benefícios tributários, rumo aos cerca de 2% do PIB que estabilizariam a dívida. "A ideia de que mais gastos seriam compensados pelo dólar e pelos juros mais altos não se sustenta: mais da metade da dívida é atrelada à Selic, e cada ponto a mais de juros custa algo perto de R$ 50 bilhões por ano ao governo, cerca de metade de todo o pacote de medidas da campanha", destaca.

 


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