Seja pela movimentação da via, seja pela memória afetiva, a W3 ainda atrai uma série de comerciantes dos mais diversos ramos. A inauguração de novos estabelecimentos ainda não é suficiente para suprir a quantidade de pontos vagos, mas dá uma nova cara e mais diversidade à via.
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Na W3 Norte, levantamento do Correio encontrou quatro novos comércios abertos em 2025. Entre eles, a cafeteria Bimi, única do ramo de café e confeitaria na parte Norte da via, que conta com restaurantes, sorveterias e quiosques, além de uma loja de artigos para baristas.
Para Cyntia Ashiuchi, uma das sócias do Bimi, o estabelecimento veio para trazer diversidade à W3 e fugir da lógica de cafeterias nas entrequadras, onde o ramo é mais comum. Ela conta que passou cerca de um ano “namorando” o ponto na 715 Norte, que estava vago. Cyntia e os sócios chegaram a ver outros locais, mas a praticidade da W3 falou mais alto.
Por ser um ponto de destaque, eles também optaram por fazer uma fachada diferente, toda branca, o que difere das outras lojas e chama atenção de quem estiver de passagem por ali. “Eu acho que diversificar e modificar a cidade de uma maneira que contribua para o que a gente já tem, é muito importante”, afirma. “Então, a gente sai de um lugar, tipo as comerciais locais, que são muito tradicionais para cafeteria, para doceria, para padaria e abre um espaço com mais cara de cidade grande mesmo.”
A proposta do Bimi tem como base um atendimento agilizado para aquelas pessoas que estão na W3 com o objetivo de resolver pendências. É como naqueles filmes dos anos 2000 em que a protagonista é uma executiva importante em Nova York e caminha por aí com seu café expresso enquanto atende a ligações. Para isso, nada melhor que a principal avenida do Plano Piloto.
“A ideia é ter uma experiência de cidade grande. As pessoas vivem essa coisa de querer se isolar da cidade, querer se isolar do barulho, e você tem essas oportunidades em pontos mais afastados, como nas entrequadras”, pontua. “Aqui, tem gente que passa de carro, a pé, de ônibus, então eu acho muito conveniente.”
Diversidade na legislação
A diversidade no comércio da W3 é uma bandeira amplamente discutida, que ganhou novos contornos com a aprovação do Plano de Preservação do Conjunto Urbanístico de Brasília (PPCUB). As discussões acerca do ordenamento urbano ampliaram o número de atividades econômicas permitidas nas vias Sul e Norte.
Segundo dados do Mapa do Comércio, levantamento da Fecomércio-DF, a W3 Sul tem 4.702 empresas de 440 tipos de Classificação Nacional de Atividades Econômicas (CNAE), enquanto a W3 Norte conta com 1.067 empresas e 230 CNAEs.
Reconfiguração do comércio
Um dos fatores que tem afastado comerciantes da W3 Sul é o tamanho dos estabelecimentos. Os lotes, pensados como depósitos de mercadoria no Plano Piloto de Lucio Costa, se estendem da W3 para a W2, e são grandes demais para alguns tipos de comércio.
Mas foi justamente esse fator que a empreendedora Maria Clara Costa, 27 anos, enxergou como oportunidade. Em janeiro deste ano, ela e o irmão inauguraram a Ração Express, comércio que atua com entregas de produtos de petshop, na 513 Sul. Como o local precisava ser espaçoso, para armazenar os estoques de ração, e perto de onde moram, a via foi a escolhida.
“Eu acredito que a W3 tem essa vantagem de, devido às proporções da loja, ser mais barata”, explica. “E uma das coisas que a gente achou muito importante foi ter visibilidade. Aqui é um trecho de ônibus, passa todo o tipo veículo.”
Embora venda itens na própria loja, o foco são as entregas rápidas, o que tornou a W3 um ponto ideal, com proximidade de regiões como Sudoeste, Guará e até mesmo Lago Sul. “A gente também vive em uma era digital, é interessante estudar a forma como as pessoas transformaram hábitos de consumo”, explica Maria Clara.
Patrícia Costa, mãe de Maria Clara, que também cuida da loja, tem uma relação de afeto com a W3 desde que chegou a Brasília, em 1991. Para ela, negócios como o Ração Express são uma forma de movimentar a W3 Sul, aproveitando a estrutura que os lotes e a via oferecem.
Impulsionando novos negócios com planejamento
Para aqueles novos empreendedores, que, como Cyntia, estão apostando em novos negócios, o Correio falou com Rodrigo Moll, analista de atendimento do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), para entender algumas dicas de como começar a carreira no comércio com o pé direito. Segundo Moll, a primeira regra é clara. "Planejar, principalmente quando ele (o novo comerciante) não tem muita experiência. Tem de cuidar do planejamento, de preferência antes de fazer o investimento. Planejar ponto de comércio, produto, público-alvo", aponta.
O planejamento é tão importante, que o especialista indica como forma de superar obstáculos nos negócios. "O planejamento ajuda a minimizar riscos, pra fazer o investimento mais seguro. Acabar com todos os riscos é muito difícil, tem muita coisa fora do controle, mas tem coisas que são previsíveis, que podem ser mitigáveis. Por exemplo, usar o plano de marketing, definir preço, praça (de venda), divulgação, o plano operacional, as características de estrutura, equipamentos. Tudo isso é possível de ser planejado, antes da pessoa começar o negocio. É o recomendado", ensina.
Para quem já conseguiu dá o primeiro passo nos negócios, Moll detalha como fazer as vendas decolarem. "Realmente, as redes sociais são importantíssimas pra qualquer negócio hoje em dia, é importante que as pessoas planejem a presença on-line, o que inclusive tem consultoria do Sebrae, é difícil o empreendedor fugir dessa ordem. Para quem está começando é importante conhecer o público. A marca precisa construir comunidade, é você conhecer seu cliente e se relacionar com ele, fazer (com) que o cliente se sinta pertencente".
Mesmo que as regras dos negócios se enquadrem em negócios além da W3, a reportagem perguntou a Moll quais as principais características de um negócio no local. "Quem se instala na W3 tem uma vantagem porque ali tem um público com poder aquisitivo, que tem condições de manter o negócios", responde.
