W3 | A AVENIDA DE BRASÍLIA

W3 com mais vida: Infinu e Sesc mostram que revitalização é possível

Espaço nasceu de parceria com o programa Adote uma Praça e transformou beco abandonado em corredor cultural

Foto de perfil do autor(a) Gabriella Braz
Gabriella Braz
21/04/2026 05:40
7min de leitura

Considerado o caso de sucesso na revitalização da W3 Sul, o Infinu reúne música, artesanato, gastronomia e é um dos espaços de mais movimentação noturna da via que “dorme cedo”. O espaço está localizado na Praça das Avós, na 506 Sul, desde 2019, e é o único da via que ganhou vida com parceria público-privada, por meio do programa Adote uma Praça.

A relação com a via começou naquele ano, quando os organizadores do festival Picnik resolveram buscar um espaço fixo, como explica um dos organizadores, o empreendedor Miguel Galvão: “Para difundir nossos valores e princípios, seria necessário ter um espaço de contato diário com o público, passo importante para transformar nossa visão em cultura e depois, realidade”.

Atualmente, o espaço abriga a hamburgueria Las Chicas, o bistrô Yakiton, a pizzaria Alfredo's e a drinqueria Biricutico, a loja de calçados autorais Akinna, as marcas de roupas Verdurão e a Negro Blue, e a PicniK Colab, uma loja colaborativa que abriga mais de 30 marcas. Isso, claro, sem esquecer o bar e espaço de shows do Infinu, um lugar que abre as portas para artistas locais e nacionais dos mais variados gêneros.

Em uma semana no Infinu, é possível curtir um show intimista de um artista MPB, dançar ao som de bandas de forró, participar de batalhas de rap, agitar com as apresentações de rock e prestigiar a cena local. Além das atividades dentro desse espaço, a Praça dos Avós também dá lugar a feirinhas dos mais variados produtos. 

“Nossa ideia sempre foi criar um ponto de inflexão na cena cultural da cidade, principalmente por apresentar uma vitrine bela e diversa do que é produzido criativamente em nossa cidade, com espaço também para receber com dignidade artistas alternativos dos mais variados tipos e lugares”, afirma Miguel.

Miguel Galvão ganhou o Prêmio JK Correio Braziliense no ano passado, na categoria Economia Criativa

Vazio que persiste

Quem vê o espaço revitalizado, nem imagina que ali ficava mais um dos vazios ao lado de prédios abandonados da W3 Sul. Apesar do sucesso, o empreendedor revela certa frustração com o esvaziamento que persiste na avenida histórica. “A expectativa era que nosso surgimento estimularia mais ocupações pela avenida, sobretudo culturais e de entretenimento (vocação natural da localidade), replicando o modelo que transforma em praças os ‘becos’, nunca amistosos, entre os blocos comerciais das quadras 500. Com raras exceções — que nem funcionam mais —, isso não aconteceu, e o que poderia ser uma realidade espalhada por toda W3, virou um oásis em permanente resistência”, lamenta. 

Para Miguel, ocupar esses espaços é mais do que uma forma de difundir a cultura, é um dever constitucional. “A Constituição Federal nos diz que os imóveis devem ser usados de forma produtiva e benéfica para a coletividade, não apenas para o dono. Se isso é verdade, quem ganha com uma área privada vazia numa avenida que já tem infraestrutura instalada (elétrica, água, saneamento, transporte público etc), localização privilegiada e que foi construída com base nos esforços de uma geração que literalmente se sacrificou para que isso pudesse existir?”, questiona. 

  • Localizado na Praça das Avós, na 506 Sul, o Infinu ganhou vida com parceria público-privada, por meio do programa Adote uma Praça
    Localizado na Praça das Avós, na 506 Sul, o Infinu ganhou vida com parceria público-privada, por meio do programa Adote uma Praça Divulgação/Kande Bonfim
  • Localizado na Praça das Avós, na 506 Sul, o Infinu ganhou vida com parceria público-privada, por meio do programa Adote uma Praça
    Localizado na Praça das Avós, na 506 Sul, o Infinu ganhou vida com parceria público-privada, por meio do programa Adote uma Praça Divulgação/Kande Bonfim
  • Localizado na Praça das Avós, na 506 Sul, o Infinu ganhou vida com parceria público-privada, por meio do programa Adote uma Praça
    Localizado na Praça das Avós, na 506 Sul, o Infinu ganhou vida com parceria público-privada, por meio do programa Adote uma Praça Divulgação/Kande Bonfim
  • Localizado na Praça das Avós, na 506 Sul, o Infinu ganhou vida com parceria público-privada, por meio do programa Adote uma Praça
    Localizado na Praça das Avós, na 506 Sul, o Infinu ganhou vida com parceria público-privada, por meio do programa Adote uma Praça Divulgação/Kande Bonfim
  • Miguel Galvão à frente dos parceiros: o Infinu é um modelo que traz o futuro para o presente
    Miguel Galvão à frente dos parceiros: o Infinu é um modelo que traz o futuro para o presente Luis Nova Exp. CB/DA Press
  • Galeria Infinu na 506 sul.
    Galeria Infinu na 506 sul. MINERVINO JUNIOR
  • A Infinu, na 506 Sul, é uma mistura de nova economia e criatividade: no espaço há shows e um comércio aquecido
    A Infinu, na 506 Sul, é uma mistura de nova economia e criatividade: no espaço há shows e um comércio aquecido Minervino Júnior/CB/D.A Press

Renovação comprometida

Embora seja considerado um caso de sucesso no programa, o contrato do Infinu com o Adote uma Praça não foi renovado. Miguel relata que entrou em contato para continuar a parceria, o que foi confirmado ao Correio pela Secretaria de Obras, responsável pelo projeto, mas a renovação foi negada. 

Segundo a pasta, a solicitação apresentava atualizações no espaço e precisou passar pela aprovação de outras pastas. “A tramitação do processo chegou à Seduh, onde não foi aprovado por não estar em conformidade com as exigências urbanísticas necessárias”, informou. 

Procurada, a Seduh afirmou que a proposta de renovação continha “novos elementos que não se enquadram nos critérios, no que tange a análise urbanística, para adesão ao programa”. “No momento o processo se encontra arquivado na RA do Plano Piloto”, diz a nota. 

  • Espaço revitalizado pelo Infinu na 506 Sul estava abandonado
    Espaço revitalizado pelo Infinu na 506 Sul estava abandonado Divulgação/Infinu
  • Espaço revitalizado pelo Infinu na 506 Sul estava abandonado
    Espaço revitalizado pelo Infinu na 506 Sul estava abandonado Divulgação/Infinu
  • Espaço revitalizado pelo Infinu na 506 Sul estava abandonado
    Espaço revitalizado pelo Infinu na 506 Sul estava abandonado Divulgação/Infinu
  • Espaço revitalizado pelo Infinu na 506 Sul estava abandonado
    Espaço revitalizado pelo Infinu na 506 Sul estava abandonado Divulgação/Infinu

Parceria longa com o Sesc-DF

“A W3 é, sem dúvida nenhuma, a avenida mais icônica do Distrito Federal, foi a primeira avenida comercial de Brasília. Era uma avenida muito pujante. Hoje, diminuiu um pouco, mas continua sendo extremamente importante para nossa capital”, pontua José Aparecido da Freire, presidente do Sistema Fecomércio no DF. 

Não à toa, na década de 1970, a via foi escolhida para abrigar a primeira unidade do Serviço Social do Comércio (Sesc), o da 504 Sul. A relevância cultural, somada à facilidade do transporte, também faz com que a parceria Sesc e W3 persista, com unidades no Setor Comercial Sul, na 912 Norte (próximo a W3) e o Centro Cultural da 511 Norte, que está em fase de construção. 

“A 511 Norte foi escolhida por dois motivos: um é que o prédio era maravilhoso e estava desocupado. Nós precisávamos comprar um imóvel que estivesse desocupado; e a outra é que a 511 e a 512 Norte, muita gente de Brasília não sabe, é a única quadra que não tem lojas pequenas de varejo, nós só temos concessionárias, então em um domingo ou sexta à noite, você vai ter vaga de estacionamento”, explica Freire. 

O projeto, assinado pelo diretor artístico Batman Zavareze, tem mais de 10 mil metros quadrados e vai contar com galerias, teatro e sala de cinema. Em outubro, o Centro Cultural reuniu apresentações de Hamilton de Holanda, Criolo e Clarice Falcão em evento de pré-lançamento. 

No prédio da 511, onde vai ser a nova unidade, funcionou uma agência da Caixa Econômica Federal. Apesar da localização privilegiada, a edificação ficou desocupada por quase 20 anos.

  • Assinado pelo diretor artístico Batman Zavareze, prédio abandonado na 511 Norte vai dar lugar ao Centro Cultural do Sesc
    Assinado pelo diretor artístico Batman Zavareze, prédio abandonado na 511 Norte vai dar lugar ao Centro Cultural do Sesc Divulgação/Sesc-DF
  • Assinado pelo diretor artístico Batman Zavareze, prédio abandonado na 511 Norte vai dar lugar ao Centro Cultural do Sesc
    Assinado pelo diretor artístico Batman Zavareze, prédio abandonado na 511 Norte vai dar lugar ao Centro Cultural do Sesc Divulgação/Sesc-DF
  • Assinado pelo diretor artístico Batman Zavareze, prédio abandonado na 511 Norte vai dar lugar ao Centro Cultural do Sesc
    Assinado pelo diretor artístico Batman Zavareze, prédio abandonado na 511 Norte vai dar lugar ao Centro Cultural do Sesc Divulgação/Sesc-DF
  • Assinado pelo diretor artístico Batman Zavareze, prédio abandonado na 511 Norte vai dar lugar ao Centro Cultural do Sesc
    Assinado pelo diretor artístico Batman Zavareze, prédio abandonado na 511 Norte vai dar lugar ao Centro Cultural do Sesc Divulgação/Sesc-DF
  • Assinado pelo diretor artístico Batman Zavareze, prédio abandonado na 511 Norte vai dar lugar ao Centro Cultural do Sesc
    Assinado pelo diretor artístico Batman Zavareze, prédio abandonado na 511 Norte vai dar lugar ao Centro Cultural do Sesc Divulgação/Sesc-DF
  •  Assinado pelo diretor artístico Batman Zavareze, prédio abandonado na 511 Norte vai dar lugar ao Centro Cultural do Sesc
    Assinado pelo diretor artístico Batman Zavareze, prédio abandonado na 511 Norte vai dar lugar ao Centro Cultural do Sesc Divulgação/Sesc-DF
  •  Assinado pelo diretor artístico Batman Zavareze, prédio abandonado na 511 Norte vai dar lugar ao Centro Cultural do Sesc
    Assinado pelo diretor artístico Batman Zavareze, prédio abandonado na 511 Norte vai dar lugar ao Centro Cultural do Sesc Divulgação/Sesc-DF