Brasileirão

Camisas 10 à moda antiga: Fluminense e Palmeiras são raros times a manter tradição

Em tempos de extinção dos camisas 10 à moda antiga, Fluminense e Palmeiras são raros times no mundo a delegar a cadência da equipe aos meias. Ganso e Scarpa assumem o protagonismo no clássico de hoje entre vice e líder

Paulo Martins*
postado em 27/08/2022 06:00
 (crédito: KLEBER SALES)
(crédito: KLEBER SALES)

O Brasileirão terá, pela segunda rodada consecutiva, um duelo de líderes: em segundo lugar com 41 pontos, o Fluminense receberá o ponteiro Palmeiras (49), hoje, às 19h, no Maracanã, pela 24ª rodada. Anteriormente, o jogo estava marcado para as 11h de amanhã, mas foi antecipado pela CBF para respeitar o limite de 72 horas no calendário. O time alviverde tem pela frente o duelo de ida das semifinais da Libertadores contra o Athletico-PR.

A distância entre Palmeiras e Fluminense é de oito pontos, porém a agenda pode ser um diferencial para as decisões dos treinadores na partida de logo mais: o Flu vem de empate por 2 x 2 contra o Corinthians, pelo duelo de ida das semifinais da Copa do Brasil. O Palestra teve semana vazia após o empate por 1 x 1 contra o Flamengo na rodada passada, mas também mira o confronto no meio de semana na copa continental. Irá à Arena da Baixada, na terça-feira, para encarar o Furacão.

No duelo de hoje, dois jogadores podem ser fundamentais: experientes e de carreira respeitada, os principais armadores de Fernando Diniz e Abel Ferreira tendem a ser jogadores-chave para seus times no gramado do Maracanã. Como diria Tite, o Correio Braziliense apresenta agora os "ritmistas" de Fluminense e Palmeiras: Paulo Henrique Ganso e Gustavo Scarpa.

Reinventado por Diniz

Quando muitos pensavam que Paulo Henrique Ganso nada mais tinha a contribuir com o futebol depois de sua expressiva e notável passagem pelo Santos, a complicada fase de lesões no São Paulo e uma difícil época no Sevilla, da Espanha, Fernando Diniz comprou a briga para recuperar o futebol dele no Fluminense. É fato que o camisa 10 tricolor não exibe a mesma jovialidade e vigor de outras épocas, mas contribui de forma inegável com os companheiros.

Ganso foi quem abriu a contagem no duelo de quarta-feira contra o Corinthians, após deslocar Cássio em penalidade máxima convertida no princípio do jogo válido pela Copa do Brasil. A bola na rede foi a sétima dele na temporada. Além disso, contribuiu com mais sete assistências no ano.

O número não aparenta ser espetacular, mas a posição em que o meia atua na prancheta de Fernando Diniz, jogando desde a função de volante, sem precisar pisar a grande área a todo momento, favorece com que o tricolor tenha qualidade e produtividade no ataque: o time das Laranjeiras está a apenas um gol de empatar com Palmeiras e Flamengo (38) como melhor ataque deste campeonato.

Recepção hostil para o ex

Antes de chegar ao clube da Barra Funda, Gustavo Scarpa teve boa passagem pelo Fluminense e foi tido como mercenário pelo torcedor tricolor, que mais uma vez deverá ser pouco receptivo com o menino de Xerém. Entre os palmeirenses, o camisa 14 tampouco fora sempre uma unanimidade, até Abel Ferreira achar seu melhor futebol, chegando a colocá-lo como lateral esquerdo em uma oportunidade.

Hoje em dia, Scarpa compete com quem vinha sendo o melhor jogador alviverde na temporada: Raphael Veiga, que não recuperou seu alto nível após uma infecção por covid-19. É bem verdade que Scarpa foi menos às redes que seu companheiro (nove gols contra 19), mas deu mais assistências na comparação entre ele: nove contra seis.

Para um jogador outrora criticado — e até improvisado, o meia-esquerda de origem não decepciona quando troca de lado com Dudu nem quando faz a armação pelo meio, sendo homem fundamental: sem as participações diretas dele em gol no Brasileiro (quatro bolas na rede e seis assistências), o Palmeiras teria nove pontos a menos e seria vice-líder a um ponto do rival de hoje à noite.

*Estagiário sob a supervisão de Marcos Paulo Lima

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