Enredos

Caju, cigana e voduns: conheça os enredos das escolas de samba do Rio de Janeiro

Imperatriz foi campeã do Carnaval Carioca em 2023 depois de 22 anos de jejum

Imperatriz foi campeã do Carnaval Carioca em 2023 depois de 22 anos de jejum  -  (crédito: Foto: Ismar Ingber | Riotur)
Imperatriz foi campeã do Carnaval Carioca em 2023 depois de 22 anos de jejum - (crédito: Foto: Ismar Ingber | Riotur)
Jogada10
postado em 11/02/2024 10:46

O Carnaval é um dos momentos mais sublimes do ano, quando os foliões tomam conta das ruas com muita alegria e empolgação. Na Marquês de Sapucaí, doze escolas disputam o título e desfilam no domingo e segunda-feira, dias 11 e 12 de fevereiro, respectivamente. Assim, o Jogada10 apresenta um resumo de cada enredo que as agremiações levarão para o Sambódromo.

Além do enredo, o julgamento do carnaval carioca conta com outros oito a serem analisados: Comissão de Frente, Mestre sala e Porta-bandeira, samba, harmonia, evolução, bateria, alegorias e adereços e fantasias. Ao todo, serão três cabines (uma dupla no setor 3, outra no 6 e, por fim, uma no setor 10), com 36 jurados – quatro por quesito.

Unidos do Porto da Pedra

Carnavalesco: Mauro Quintaes

Após ganhar a Série Ouro, a escola de São Gonçalo tenta repetir os feitos de Viradouro e Imperatriz e permanecer no Grupo Especial logo depois do acesso, algo que não acontecia há 12 anos. Nesse sentido, entrará na avenida para celebrar a sabedoria popular do Nordeste a partir da influência do lunário de saberes seculares que desembarcou no Brasil no século XVIII. A agremiação fará a abertura do Grupo Especial e luta para quebrar a sina da primeira escola de domingo, que frequentemente é rebaixada na história do carnaval carioca.

Beija-Flor de Nilópolis

Carnavalesco: João Vitor Araújo

O enredo da azul e branco da Baixada Fluminense é “Um delírio de Carnaval na Maceió de Rás Gonguila” e irá mergulhar na trajetória de um personagem real importante para o carnaval de Maceió. Trata-se de Rás Gonguila e na relação entre as nobrezas da capital alagoana com a Etiópia. Um encontro mágico guiado pela luz dos encantados e da ancestralidade, com as cores, os ritmos e os pisados dos folguedos das Alagoas.

Acadêmicos do Salgueiro

Carnavalesco: Édson Pereira

A escola tijucana levará para a avenida um enredo em forma de protesto na luta pelos povos originários, sobre os Yanomamis. Nesse sentido, o desfile pretende contar a luta contra a tirania do invasor, dos espíritos ancestrais ao desmatamento. Além disso, irá trazer à tona a chegada dos garimpeiros na maior Terra Indi?gena (TI) do pai?s, e o assassinato do jornalista britânico Dom Phillips e o indigenista da Funai Bruno Araújo Pereira, em 2022. A agremiação será a terceira a desfilar no domingo de carnaval e tem um dos sambas mais aclamados do pré-carnaval.

Acadêmicos do Grande Rio

Carnavalesco: Leonardo Bora e Gabriel Haddad

A agremiação de Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, apresenta a narrativa mitológica da tribo tamoio, os Tupinambá do Rio de Janeiro, sobre a origem do mundo. De acordo com a cultura, eles são os descendentes da primeira mulher e do único sobrevivente do dilúvio. Além disso, aprenderam a respeitar e cultuar a onça como o espírito maior. Quarta escola a entrar na Sapucaí no domingo de carnaval, a tricolor trará toda a lenda que é perpetuada por diversos povos.

Unidos da Tijuca

Carnavalesco: Alexandre Louzada

A escola do Borel pretende dar a volta por cima e beliscar uma vaga no desfile das campeãs. Para isso, trará uma homenagem a história e as lendas de Portugal. Assim, o desfile é pautado no Fado, estilo musical mais popular do país lusitano. O enredo contará, em clima de encantamento, fatos, mistérios e lendas populares que pairam sobre a formação dessa nação.

Imperatriz Leopoldinense

Carnavalesco: Leandro Vieira

Atual campeã, a escola de Ramos busca o bicampeonato com mais um enredo voltado à cultura popular. Baseado no cordel escrito por Leandro Gomes de Barros sobre o testamento da cigana Esmeralda, o carnavalesco traz um verdadeiro manual de boa sorte. Ao longo do desfile, as alegorias e fantasias irão ilustrar a leitura das mãos, astrologia, entre outros recursos para buscar o caminho da sorte e do sucesso. A verde e branca, portanto, será a última a desfilar no domingo de carnaval e aposta no refrão “Vai clarear, olho o povo cantando na rua” para incendiar a Marquês de Sapucaí.

Mocidade Independente de Padre Miguel

Carnavalesco: Marcus Ferreira

Na contramão dos enredos ditos com o “acadêmicos”, a escola de Padre Miguel trará um tema que resgata sua própria história vanguardista: o caju. Dessa forma, a agremiação, que quase foi rebaixada em 2023, busca dar a volta por cima ao contar as histórias e lendas do fruto e da castanha, desde os povos originários até o fruto sendo levado por europeus pela primeira vez. Vale ressaltar que o fruto é símbolo do movimento tropicalista, da brasilidade e da sensualidade. Primeira a desfilar na segunda de carnaval, a verde e branca da Zona Oeste trará o samba mais comentado do pré-carnaval e aposta nele para o sucesso de seu desfile.

Portela

Carnavalescos: Antônio Gonzaga e André Rodrigues

Querendo apagar o péssimo desfile de seu centenário, a maior campeã do carnaval traz um enredo baseado no romance “Um Defeito de Cor”, da escritora Ana Maria Gonçalves. Um livro de sucesso que conta a saga de uma negra matriarca que se confunde a tantas outras até os dias de hoje. Ela refaz os caminhos imaginados da história da mãe preta, Luiza Mahim, através de seu ?lho, Luiz Gama.

Unidos de Vila Isabel

Carnavalesco: Paulo Barros

A escola da terra de Noel aposta em uma reedição e volta ao passado com “Gbala, viagem ao templo da criação”, desenvolvido em 1993 pelo carnavalesco Oswaldo Jardim.  O samba de Martinho da Vila, que foi estandarte de ouro na ocasião, é uma das apostas. O desfile contará que no início do tempo, o deus supremo Olorum delegou para o seu assistente Oxalá que ele criasse os homens. O mundo precisava de alguém que pudesse zelar por essa criação pelo mundo, como a gente conhece: as folhas, as plantas, os animais e as águas do mar. Logo depois, o homem passou a tratar mal aquilo que ele deveria cuidar. Então, os orixás reuniram crianças de todo mundo para que elas pudessem ir ao templo da criação.

Mangueira

Carnavalescos: Annik Salmon e Guilherme Estevão

Em 2024, a verde e rosa vai homenagear uma de suas maiores artistas: Alcione. O desfile, portanto, pretende levar ao público as raízes, valores, tradições e, claro, o contato da Marrom com a música desde pequena no Maranhão. A escola tem um histórico de títulos baseados em homenagens como com Dorival Caymmi, Carlos Drummond e Andrade, Chico Buarque e Maria Bethânia. Outro ponto que a escola da Zona Norte do Rio aposta é no carisma da homenageada e no horário de desfile (quarta de segunda-feira), um dos mais quentes do carnaval carioca.

Paraíso do Tuiuti

Carnavalesco: Jack Vasconcelos

A escola de São Cristóvão, na zona Norte, pretende contar a história de João Cândido, marinheiro brasileiro que liderou o movimento de revolta contra os maus-tratos sofridos a bordo. Com o controle das embarcações, em plena baía carioca, ele fez com que os canhões fossem virados para a cidade e exigiu o fim da fome e da chibata. Nesse sentido, o intuito é aclamar o homenageado como um verdadeiro herói nacional e dar luz ao seu nome e feito.

Unidos do Viradouro

Carnavalesco: Tarcísio Zanon

Fechando o Carnaval de 2024, a escola de Niterói busca ressignificar o culto ao vodun serpente, que muitas das vezes é visto como algo negativo. Na Avenida, o intuito é contar de um pacto místico que influenciou vitórias significativas de mulheres-soldados. As guerreiras Mino, consagradas na fé e nas batalhas, protegidas pelo sobrenatural. Além disso, traz a figura de Ludovina Pessoa, sacerdotisa daomeana, que veio com a missão de perpetuar e crença vodun e contribuiu na formação do que hoje é conhecido como candomblé jeje, que tem como referência o terreiro de Bogum, em Salvador.

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