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Especial: Copa Libertadores reconecta lendas do Botafogo ao Junior Barranquilla

Heleno honrou a camisa do Botafogo nos anos 40

Heleno honrou a camisa do Botafogo nos anos 40  -  (crédito: Foto: Domínio público)
Heleno honrou a camisa do Botafogo nos anos 40 - (crédito: Foto: Domínio público)
Jogada10
postado em 02/04/2024 08:18

Heleno de Freitas, Quarentinha e Garrincha. O trio de ataque soa como poesia barroca aos ouvidos alvinegros e, embora nunca tenha atuado junto, figura na imaginação de quem esboça o Botafogo de todos os tempos. Porém, o elo que os une à Estrela Solitária, nesta semana, extrapola o universo preto e branco. Afinal, em conjunturas distintas, os ídolos vestiram a camisa do Júnior Barranquilla (COL), adversário do Glorioso nesta quarta-feira (3), às 19h, no Estádio Nilton Santos, pela primeira rodada do Grupo D desta edição da Copa Libertadores.

Para esmiuçar cada passagem pela Colômbia, o Jogada10 procurou os biógrafos Marcos Eduardo Neves (Heleno de Freitas), Rafael Casé (Quarentinha) e Ruy Castro (Garrincha). Na sequência, pela ordem cronológica, eles contextualizam o momento de cada ídolo em terras cafeteiras.

Heleno na Premier League das Américas

Craque e galanteador, Heleno de Freitas, mesmo em declínio na carreira, causou impacto na Colômbia. O governo do país bancava astros internacionais, como, por exemplo, Di Stéfano, para acalmar a população e evitar o risco de uma guerra civil, após o assassinato de um líder da oposição. Para equilibrar o campeonato, o Estado definia onde os reforços internacionais jogariam. Heleno acabaria no Tiburón (Tubarão, em português, o apelido do Junior Barranquilla). Amado ou odiado. Impossível, portanto, ser indiferente!

“Naquele tempo, era uma Premier League. Um oásis. Heleno não estava bem, mas lotava os estádios e fez Gabriel García Márquez ficar vidrado em sua personalidade, pois, formado em Direito, tinha uma capacidade intelectual acima dos companheiros. Gabo escreveu que Heleno era ovacionado e aplaudido no mesmo tom. As mulheres queriam vê-lo; os homens, matá-lo. Levou uma vida promíscua. Saía com a família, em seguida, corria atrás de outras mulheres”, lembra Marcos Eduardo Neves, jornalista que assina “Nunca houve um homem como Heleno”.

Na época, a loucura já consumia o ídolo alvinegro. Heleno contraiu uma sífilis que logo avançaria para o cérebro. A doença, somada ao temperamento explosivo do jogador, fez com que, antes de aventurar-se pela Colômbia, em 1949, terminasse expulso do Vasco. O motivo: apontou uma arma para Flávio Costa, técnico que o deixou fora da Copa do Mundo de 1950.

Quarentinha e o melhor ataque da história do futebol colombiano?

Maior artilheiro da história do Botafogo, com 313 gols, Quarentinha teve uma estadia maior na Colômbia, a partir de 1965, quando a liga local ainda atraía veteranos. Por lá, iniciou sua trajetória no Unión Magdalena, clube modesto pelo qual anotou 40 gols. Estes números o levaram ao Deportivo Cali. Popular e com prestígio, o atacante, porém, não conseguiu repetir o mesmo êxito. O Junior, então, seria a chance de o ídolo alvinegro se redimir.

“Barranquilla o acolhe, e Quarentinha vive muito bem na cidade. Ele joga em uma linha formada só com brasileiros: Pepe Romero (ex-Palmeiras), Da Cunha (ex-Flamengo), Dida (ex-Flamengo) e Valentim (ex-Botafogo). Dizem que foi o melhor ataque da história do futebol colombiano. Quando, em dezembro de 1967, decide voltar ao Brasil, causa grande comoção e surpresa. Na Colômbia, ele não tinha que dividir o estrelato com tantos outros jogadores”, relatou Rafael Casé, autor de “O artilheiro que não sorria”.

Quarentinha deixou o Junior com 12 gols em 35 jogos. Sua grande exibição foi contra o Tolima, rival contra o qual balançou as redes por três vezes. No fim da carreira, apesar da idolatria no estrangeiro, decidiu que os filhos seriam criados no Brasil.

Mané chegou, jogou e saiu. Uma semana e tchau!

Seis anos depois ser o protagonista da Seleção Brasileira no bicampeonato mundial, no Chile, Garrincha, já em decadência física, procurava, na Bacia do Prata, um clube para “reposicionar-se no mercado”. Contudo, as lesões e o alcoolismo seriam os implacáveis marcadores que, em campo, ele não teve. É, aliás, neste cenário que o Junior Barranquilla resolveu contrariar a lógica e enviar uma passagem ao maior ídolo da história do Botafogo, inchado e 12 quilos acima do peso.

Sem firmar contrato (receberia uma grana a cada jogo disputado) e depois de negativas de Boca Juniors e Nacional-URU, o Anjo das Pernas Tortas deixou Buenos Aires e se apresentou ao Tiburón. Em Barranquilla, durante agosto de 1968, disputou somente uma partida até ser dispensado: derrota para o Santa Fe por 3 a 2. Na saída do estádio, a torcida queria agredi-lo, segundo o livro “Estrela solitária”, de Ruy Castro, jornalista e membro da Academia Brasileira de Letras.

“Tenha em mente apenas o seguinte: a carreira de Garrincha no futebol acabou assim que o juiz apitou o fim daquela partida. Botafogo 3×0 Flamengo, na decisão do Campeonato Carioca de 1962”, resumiu, ao J10, Ruy Castro.

Botafogo emplaca mais um!

Outro grande nome na história do Botafogo, Paulo Cézar Caju chegou a treinar e a jogar entre os profissionais do Junior Barranquilla, em 1966, quando ainda era um meninote. Marinho Rodrigues, pai adotivo do jogador, era, inclusive, o treinador da equipe. Em 1967, o meia regressou ao Brasil para os primeiros testes em General Severiano.

“Em minha estreia, ao lado de Dida e Escurinho, vencemos o Millionarios por 5 a 2. Fiz três gols”, gabou-se Caju, em depoimento ao “Museu da Pelada”.

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