
O confronto entre Brasil e Itália, neste domingo (7/6), no ginásio Nilson Nelson, teve um roteiro escrito pelos deuses do vôlei. No último dia da etapa de Brasília, as duas potências ficaram cara a cara para medir forças. Para testar o coração de quem acompanhava, a Seleção Brasileira derrotou as europeias por 3 sets a 2, em uma tarde para sempre ser lembrada. Todos os ingressos foram esgotados e o time de Zé Roberto se despediu da capital com a energia calorosa dos torcedores brasilienses. As parciais foram de: 25 x 15 / 25 x 22 / 25 x 22 / 26 x 24 e 15 x 12.
Durante muito tempo, a seleção italiana foi a grande carrasca brasileira. Em um cenário sem Gabi Guimarães, a principal jogadora e capitã da Amarelinha, o Brasil soube fazer o dever de casa e quebrar o jejum de dois anos sem vencer as maiores rivais. A última vez havia sido em junho de 2024 por 3 sets a 2, também na VNL. Do outro lado, uma Itália irreconhecível, apática e sem a melhor forma de Ekaterina Antropova, a oposta e regente do time. O Brasil encerrou a primeira fase da liga internacional como líder, ostentando 12 pontos de forma invicta.
Maior pontuadora do jogo, Ana Cristina foi o nome do triunfo brasileiro. A jovem carioca de 22 anos foi dona de 21 pontos, quase um set inteiro. Julia Bergmann com 18 e Diana com 15 foram outras jogadoras que incomodaram a defesa adversária. A oposta Antropova foi a maior pontuadora da seleção visitante com 18 pontos.
“Acho que foi nunca desistir e também jogar unidas. Cada momento ali, uma cometia o erro, a outra ajudava a consertar. Estamos sempre juntas em um único objetivo, e acho que isso foi essencial. Sabemos da qualidade que elas têm e também somos um time que está crescendo, ainda temos muita coisa para evoluir. Depois a gente vai ter tempo para estudar esse jogo, de entender o que precisamos melhorar, mas o mais importante foi lutar até o final e ir para todas as bolas”, disse Ana Cristina ao Correio.
O jogo
Na briga de gigantes, o clássico entre Brasil e Itália levou os torcedores à loucura desde o primeiro segundo do jogo. Ana Cristina foi a responsável por abrir o placar do confronto. Na sequência, Júlia Kudiess mostrou o que sabe fazer de melhor: bloquear. A soberania brasileira pairava em quadra. Com domínio total do time de Zé Roberto, o argentino Julio Veloso foi obrigado a pedir um tempo. Sem resultado, a Amarelinha colocou à prova o poder do sistema defensivo. Bem posicionadas na rede, anularam a principal jogadora italiana: a oposta Ekaterina Antropova. Sem piedade, Ana Cristina matou o último ponto do set. 25 x 15.
Após o apagão da primeira etapa, a Itália voltou com outra postura para a segunda parcial. Desta vez, cada ponto foi disputado, colocando equilíbrio no clássico. A oposta Nwakalor se tornou o paredão da seleção italiana, faturando uma sequência de três bloqueios nos ataques do Brasil. 18 x 16 para as europeias. A Seleção conseguiu derrubar a desvantagem para apenas dois pontos. Com nove pontos no jogo, Júlia Bergmann jogava de gala no ataque verde-amarelo. Talvez as italianas não estivessem preparadas para a torcida brasileira. De virada, Júlia Kudiess aniquilou mais um set para o Brasil. Fim da parcial: 25 x 22.
O Ginásio Nilson Nelson pulsava a energia e a magia do Brasil. A tarde deste domingo, foi uma daquelas na qual tudo parecia dar certo. A Seleção abriu cinco pontos de vantagem, com três aces seguidos. A resposta italiana foi imediata, quatro pontos seguidos e todos em cima de erros brasileiros. Em quadra, o jogo valia a liderança da primeira semana de VNL. O nervosismo forçou Zé pedir um tempo para ajustar a equipe que, naquela altura (15 x 15), cometia erros bobos. O jogo passou a ficar mais dramático, Para as brasileiras, o set da vitória. Para as italianas, a parcial que as devolveria para a disputa.
Tudo podia acontecer. Com 22 x 24 para as visitantes, os detalhes iam se tornando a principal arma do jogo. Entretanto, na tentativa de bloqueio de Júlia Kudiess, a equipe de Julio Veloso conquistou a vitória no set. 22 x 25.
Foi um começo de quarto tempo difícil para o Brasil, o cansaço e o nervosismo se tornaram mais aparentes. Com rallys mais longos, as equipes passaram a deixar a técnica de lado e partiram para o tudo ou nada. Uma única coisa importava: derrubar a bola no chão. As italianas gostaram do jogo, elas reforçaram o bloqueio e exploraram o jogo no fundamento. Ganharia o jogo quem melhor soubesse lidar com a pressão. Mais uma vez, um 20 x 20 que deixava tudo aberto. Era o momento do Brasil matar o jogo. 24 x 24, a aflição pairava no ar. Assim como na parcial anterior, dois erros de marcação deram a vitória à Itália. 26 x 24.
O verde-amarelo pulsava nas arquibancadas. Em um só coro o nome do Brasil ecoava no lugar. 10 x 10, as parciais empatadas se tornaram uma característica após o segundo set. O match point era brasileiro e o sonho de voltar a vencer a maior rival após dois anos estava próximo. Em tarde mágica em Brasília, o Brasil conquistou a vitória do confronto no tie-break, com 15 x 12 na parcial.
