
Nova Jersey — Alguns dias da Copa do Mundo exigem convite especial e save the date. Passeio completo. O cumprimento do ritual de uma cerimônia de gala. Lionel André Messi Cuccittini fará 39 anos na quarta-feira, mas a celebração pode ser antecipada. Se o jogador eleito oito vezes número 1 do planeta balançar a rede uma vez contra a Áustria na segunda rodada do Grupo J, hoje, às 14h, na AT&T Arena, em Dallas, descolará do alemão Miroslav Klose e se tornará o maior artilheiro do quase centenário torneio.
O status pertenceu ao alemão Gerd Müller até 2006, quando o recorde foi atualizado por Ronaldo. O Fenômeno balançou a rede contra Gana e atingiu a marca de 15. Duas edições depois, Klose atualizou o recorde na maior humilhação do esporte: Brasil 1 x 7 Alemanha no Mineirão, em Belo Horizonte. O germânico ganhou a companhia de Messi na primeira rodada da Copa de 2026. A Pulga estreou na sexta Copa da carreira com três gols na vitória dos atuais campeões contra a Argélia e alcançou a barreira das 16 bolas na rede.
A possibilidade de Messi chegar ao Olimpo na fase de grupos é fortíssima. Se não for hoje contra a forte Áustria, a próxima vítima é a frágil Jordânia. Por sinal, o duelo com a seleção árabe na última rodada é a chance de o capitão albiceleste disparar e manter o principal concorrente em atividade sob certo controle — ao menos nesta edição.
Tartaruga Ninja
O francês Kylian Mbappé tem metade das seis Copas disputadas por Messi e coleciona a impressionante marca de 14 gols no torneio. Em tese, tem potencial para superar o ex-companheiro de Paris Saint-Germain nesta ou nas próximas edições. Enquanto a Pulga se despede do megaevento da bola, Mbappé tem pelo menos mais duas participações pela frente. Doze anos mais jovem do que Messi, o galático do Real Madrid tem 27 anos.
A estreia da Tartaruga Ninja foi letal. Balançou as redes duas vezes contra Senegal na estreia. Deixou Edson Arantes do Nascimento, o Rei Pelé, para trás, e igualou a performance de Gerd Müller. Mbappé entra em campo contra o Iraque, às 18h (de Brasília), no Lincoln Financial Field, na Filadélfia, com 14 gols. Portanto, sabendo o que Messi fez antes em Dallas.
Ex-recordista, Ronaldo tem o preferido ao trono: Lionel Messi. "Para os deuses do futebol, é uma estatística com selo o fato de ele passar todo mundo. Se tem alguém que merece passar e ter esse título de artilheiro de todas as Copas de todos os tempos, acho que o Messi é o cara perfeito para estar ali", afirmou o bicampeão mundial depois de testemunhar os três gols de Messi na vitória contra a Argélia no Kansas, na terça-feira passada.
"Já respondi algumas vezes sobre isso porque, quando o Klose me passou, eu falei: "Gente, isso aí são números, é uma estatística, e recordes são feitos para serem superados. Não tem um recorde que vai ficar para sempre, mas não é o que determina cada jogador e o que fez a vida inteira, mas é um belo de um número e uma bela de uma estatística", disse Ronaldo, em uma live no perfil pessoal em uma rede social.
Enquanto Messi e Mbappé ameaçam a hegemonia de Klose, um novo candidato surge turbinado na estreia no torneio. Aos 25 anos, Erling Haaland estufou a rede do Iraque duas vezes na primeira rodada. Hoje, às 21h, entrará em campo contra Senegal no MetLife Stadium, em Nova Jersey, para o duelo à parte com Mané no palco da final do Mundial.
A expansão da Copa do Mundo para 48 países, e provavelmente para 64 na edição centenária de 2030, permite à Noruega sonhar em bater o ponto em todas as Copas daqui em diante. Sorte de Haaland a possibilidade de superar Messi e/ou Mbappé nas próximas edições. Ou alguém duvida da capacidade da máquina escandinava de fazer gols?
Continuidade do Mundial passado
João Vitor Marques
Enviado especial
Dallas - "Não sei o que vai ser, é muito difícil, vamos desfrutar que somos campeões do mundo". Aos 45 anos, o torcedor Roberto García sintetiza o sentimento de milhares de argentinos que foram aos Estados Unidos para a Copa do Mundo. Sem peso, Messi e companhia sonham acordados desde o título em 18 de dezembro de 2022, no Catar. E querem alongar essa sensação. Para isso, enfrentam a Áustria, hoje, pela segunda rodada do Grupo J. A bola rola às 14h, no AT&T Stadium, em Dallas.
Até aqui, tudo parece uma continuidade do Mundial passado: estádio lotado em azul e branco, Messi absolutamente decisivo e sorrisos que não cabem no rosto. Na estreia na terça-feira passada, a Argentina bateu a Argélia por 3 x 0, no Arrowhead Stadium, em Kansas City. O camisa 10 fez um hat-trick e igualou o ex-atacante alemão Miroslav Klose como o maior artilheiro da história das Copas, ambos com 16 gols.
Se em 2022 havia uma pressão pelos 36 anos sem o título, agora a tensão se esvaiu e deu lugar a um sentimento generalizado de confiança. O ambiente é quase perfeito. "Quase" porque a maior estrela vive um drama: o pai de Messi, Jorge, está em tratamento por uma questão de saúde não revelada pela família. "Passei dias difíceis, complicados", disse o craque, que chorou após marcar o primeiro gol diante dos argelinos.
O próximo desafio dos tricampeões não parece fácil. Pela frente, a Áustria, que bateu a Jordânia por 3 x 1 na estreia, também na terça-feira passada, no Levi's Stadium, em Santa Clara, na Califórnia. Trata-se de uma equipe forte coletivamente e com bons talentos individuais. Capitaneados pelo zagueiro David Alaba, os austríacos contam com nomes experimentados no futebol mundial, como os meio-campistas Marcel Sabitzer e Konrad Laimer e o centroavante Marko Arnautovi.
Ex-treinador interino do Manchester United e com longa trajetória em clubes da Alemanha, o alemão Ralf Rangnick, de 67 anos, é o responsável por dirigir a equipe desde 2022 — está, portanto, na segunda Copa do Mundo com os austríacos. Sob o comando dele, a Áustria caiu para a Turquia nas oitavas de final da Eurocopa de 2024 e foi líder de grupo nas Eliminatórias para este Mundial.
O jogo ganhou certa cara de decisão após os resultados da primeira rodada. Afinal, a equipe que vencer garante a classificação ao mata-mata da Copa do Mundo e fica muito perto de assegurar, também, a liderança da chave.
