Brasil

Endrick vira sensação na Copa e ganha apoio da torcida

Coro dos torcedores por mais tempo ao atacante ganha força justamente quando se abre vaga no ataque

Nova Jersey — Em tempos de debates fervorosos sobre Neymar, um jogador parece escapar de qualquer divergência. Aos 19 anos, Endrick Felipe Moreira de Sousa ainda espera a primeira oportunidade como titular na Copa do Mundo, mas conquistou algo raro no futebol brasileiro: a unanimidade. Na vitória por 3 x 0 sobre o Haiti, na Filadélfia, milhares de torcedores transformaram o nome do atacante em canto de arquibancada e pressionaram Carlo Ancelotti a colocá-lo em campo contra o Haiti.

O pedido foi atendido aos 19 minutos do segundo tempo. O coro de "Endrick, Endrick, Endrick..." ecoava das arquibancadas do Lincoln Financial Field quando Carlo Ancelotti decidiu chamar o atacante. Como tem acontecido nos jogos grandes da temporada, o garoto parecia iluminado. Bastaram poucos minutos para balançar as redes em uma jogada construída pela dupla sub-20 com Rayan. Lançado pela direita, bateu rasteiro entre as pernas do goleiro. O gol só não valeu porque a arbitragem flagrou posição irregular. A explosão da torcida, porém, foi real e escancarou a "Endrickmania".

"Fico muito feliz e agradecido. Estão acontecendo coisas extraordinárias na minha vida. Fiz um gol que acabou anulado, pude ajudar a equipe em diferentes funções e realizei o sonho de disputar uma Copa do Mundo. São coisas extraordinárias acontecendo na minha vida", celebrou na zona mista.

A entrada em campo também garantiu a Endrick um lugar na história. O atacante se tornou o sétimo jogador mais jovem a vestir a camisa da Seleção Brasileira em Copas do Mundo. A lista é liderada por Pelé, lançado no torneio aos 17 anos, sete meses e 23 dias, e reúne nomes como Carvalho Leite, Marco Antônio, Tostão, Mazzola e, mais recentemente, Rayan.

Carlo Ancelotti foi o primeiro treinador de Endrick no futebol europeu. Embora não tenha sido titular frequente sob o comando do italiano no Real Madrid, o atacante construiu uma relação próxima com o técnico e acredita que o período na Espanha ajuda a explicar a confiança recebida também na Seleção Brasileira.

"Passei um ano com ele no Real Madrid. Independentemente de ter jogado cinco, 10 ou 15 minutos, pude aprender muito e estar perto dele. Ele sabe o que eu faço quando entro em campo. Dou a minha vida pela equipe, e aqui na Seleção não é diferente", afirmou.

Nos bastidores, os relatos são de que Endrick tem se destacado nos treinamentos e impressionado companheiros e integrantes da comissão técnica. A intensidade, a capacidade de finalização e a entrega física ajudam a explicar a crescente pressão popular por mais minutos ao atacante na Copa do Mundo.

Com a estreia diante do Haiti, o brasiliense também se livrou de uma comparação inevitável. Convocado aos 17 anos para a campanha do tetra nos Estados Unidos, Ronaldo não entrou em campo em nenhuma das sete partidas sob o comando de Carlos Alberto Parreira. O treinador entendia que utilizar o jovem ao lado de Romário e Bebeto comprometeria o equilíbrio da equipe. Trinta e dois anos depois, Endrick já pode dizer que teve a oportunidade que o Fenômeno precisou esperar até 1998 para receber.

Com a confirmação da lesão muscular de Raphinha, abriu-se uma vaga no ataque brasileiro pelo lado direito. É justamente o setor em que Endrick e Rayan se sentem mais confortáveis. Luiz Henrique também aparece como opção para Carlo Ancelotti. Caso escolha o brasiliense, o treinador poderá recolocá-lo em uma lista raríssima da história da Seleção. O último jogador com menos de 20 anos a iniciar uma partida de Copa do Mundo pelo Brasil foi o lateral-esquerdo Marco Antônio, no México, em 1970. Em quase seis décadas, nenhum outro abaixo dessa faixa etária recebeu essa oportunidade.

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