
Há jogos capazes de definir uma temporada. Outros carregam algo maior. Para o Minas Brasília, o duelo de hoje, às 16h, no Estádio Bezerrão, pode recolocar o clube na elite do futebol feminino brasileiro após cinco anos e, ao mesmo tempo, tirar Brasília de uma lista incômoda justamente às vésperas da Copa do Mundo Feminina de 2027. Com a vitória por 1 x 0 sobre o Ação-MT na partida de ida, em Mato Grosso, as Minas precisam de um empate para confirmar o acesso à Série A1 do Campeonato Brasileiro Feminino. A CBFTV exibe.
O peso da decisão ultrapassa a fronteira do clube. Das oito cidades escolhidas como sedes do Mundial do próximo ano, apenas três estão sem um representante local na primeira divisão nacional: Brasília, Fortaleza e Recife — a cidade pernambucana também disputa o acesso, com o Sport. A capital, portanto, pode deixar a relação de exceções no momento mais simbólico possível. Na próxima temporada, quando o Mané Garrincha receber uma partida da Seleção Brasileira e o país inteiro estiver voltado para o futebol feminino, o Minas pode estar do outro lado da história, disputando a principal competição nacional da modalidade.
A oportunidade foi construída longe do Distrito Federal. Em Mato Grosso, as Minas venceram o Ação por 1 x 0 e levaram para casa uma vantagem mínima, mas preciosa. Agora, a decisão será no Bezerrão, estádio responsável por receber o confronto mais importante do clube nos últimos cinco anos. Em 2026, a equipe ainda não perdeu como mandante e chega ao duelo com 100% de aproveitamento em casa, combinação capaz de aumentar a confiança antes da tarde mais importante da temporada.
A coincidência com a Copa transforma o acesso em algo maior. O Mundial de 2027 será a primeira edição disputada na América do Sul e terá Brasília entre as oito cidades-sede. Nesta semana, a Fifa confirmou o Mané Garrincha como palco do terceiro jogo do Brasil na fase de grupos, em 4 de julho. O estádio estará no centro das atenções do país, mas o futebol feminino da capital busca chegar a esse momento com uma representante também entre os grandes do calendário brasileiro. A ausência vem desde o ano passado, quando o Real Brasília saiu de cena ao desativar o departamento. O Minas caiu da elite em 2021.
Treinadora da equipe, Kethleen Azevedo sabe da dimensão da oportunidade. Desde o início do ano, conversa com o elenco sobre a possibilidade de disputar a Série A1 justamente na temporada de uma Copa do Mundo no Brasil. O acesso, para ela, pode ampliar o alcance do projeto desenvolvido pelo clube e dar visibilidade ao trabalho feito com categorias de base e núcleos sociais. "Sabemos da responsabilidade de subir. Não só por estar na elite, mas pelo futebol feminino de Brasília. O Minas vem fazendo um trabalho gigante com categoria de base e núcleos sociais. Então, nós somos um grande clube e merecemos muito estar na Série A1", afirmou.
A comandante da equipe verde e azul também projetou o impacto de uma eventual conquista no cenário local. A Copa já mexeu com o calendário e evidenciou Brasília ao colocar o Estádio Nacional Mané Garrincha entre os grandes palcos do torneio — ao todo, serão sete jogos, seis dos grupos e um das oitavas de final. Agora, as Minas tentam fazer o movimento complementar: transformar a efervescência criada pelo Mundial em um novo momento para o futebol feminino da capital.
"Nós vamos trabalhar muito para que isso se concretize hoje, que o Minas Brasília seja cada vez maior e que traga cada vez mais visibilidade para o Distrito Federal", disse Kethleen. "Nós, que trabalhamos no futebol feminino, estamos muito felizes pela Copa do Mundo ser no Brasil. Um evento dessa grandeza. Sabemos do impacto social que vai causar, da visibilidade para a modalidade. Muito feliz também de Brasília ser escolhida uma das cidades-sede", vibrou.
O Ação ainda pode mudar a história. Uma vitória mato-grossense no Bezerrão por dois ou mais gols elimina as Minas. Triunfo visitante por um gol leva a decisão para os pênaltis. Para o time candango, porém, a matemática é simples: empate ou vitória significam semifinal e acesso à elite nacional em 2027.
Hoje, portanto, o Minas Brasília não entra em campo apenas para defender uma vantagem. Joga por cinco anos de espera, pelo projeto construído ao longo da temporada e pela chance de fazer Brasília dar um grito de inclusão e voltar a figurar entre as principais forças do país antes mesmo de a Copa do Mundo Feminina começar.
*Estagiária sob a supervisão de Danilo Queiroz

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