
Se o céu é o limite, os gigantes da Seleção Brasileira masculina de basquete trataram de pedir a bênção antes de chegar lá. No primeiro dia de preparação em Brasília para o duelo com a República Dominicana pelas Eliminatórias da Copa do Mundo de 2027, os 16 jogadores e demais integrantes da delegação visitaram a Catedral. Conheceram um dos cartões-postais da capital e exercitaram a fé antes de retomar a saga pela vaga no Mundial do Catar. Afinal, uma ajudinha dos céus nunca é demais, começando na quinta-feira (27/8), quando a bola sobe no Ginásio Nilson Nelson contra a República Dominicana.
O pedido de bênção não é por acaso. O Brasil chega a Brasília para iniciar uma etapa decisiva do caminho até o Mundial do Catar. A Seleção venceu os seis jogos da primeira fase das Eliminatórias e chega à segunda etapa com 100% de aproveitamento. Terá pela frente República Dominicana, México e Estados Unidos, em partidas de ida e volta. Os três primeiros colocados do grupo garantem vaga na Copa de 2027, enquanto o melhor quarto colocado entre as três chaves também se classifica.
A caminhada ganhou novo significado depois de Paris-2024. O Brasil voltou aos Jogos Olímpicos após ficar fora de Tóquio-2020 e terminou em sétimo lugar na França. Um ano depois, deu a resposta com o título da AmeriCup, encerrando um jejum continental de 16 anos. Agora, o técnico Aleksandar Petrovic tenta transformar a retomada de confiança em uma presença na Copa do Mundo.
Petrovic tem 16 jogadores relacionados. O brasiliense Gui Santos é o maior desfalque, não liberado pelo Golden State Warriors da NBA. O armador Raulzinho Neto reaparece depois de Paris-2024. Yago Mateus, Bruno Caboclo, Léo Meindl e Didi Louzada formam a ponte com a equipe olímpica. O ala-armador Georginho, MVP da última temporada do NBB, representa o crescimento do basquete nacional.
Também há espaço para nomes da nova geração. Ala-armador, Reynan Gabriel, de 22 anos, volta a aparecer entre os convocados. Léo Beath, de 23, é outro nome para ficar de olho: o ala de 2,04m atua no basquete universitário dos Estados Unidos, pela UC San Diego. Ruan Miranda, 25, ex-Cerrado, completa o grupo de jogadores que ampliam espaço no ciclo.
Um dos destaques da convocação é Bruno Caboclo. Aos 30 anos, o pivô de 2,06m de altura vive uma espécie de recomeço na Seleção. Escolhido na primeira rodada do draft da NBA em 2014, passou por diferentes franquias da liga, mas encontrou no Brasil espaço para recuperar o protagonismo. Foi MVP do Pré-Olímpico de Riga, em 2024, que levou a equipe a Paris, e apareceu no quinteto ideal da AmeriCup de 2025, ao lado de Yago, o MVP.
O título da AmeriCup há um ano mostrou que Petrovic tem mais do que cinco titulares confiáveis. A Seleção encontrou alternativas, ganhou resistência para os momentos de pressão e, principalmente, criou um núcleo capaz de dividir o protagonismo. Yago, Lucas Dias, Georginho e Caboclo foram os símbolos de uma equipe que fez da confiança e da química de grupo armas tão importantes quanto o talento.
Se Caboclo representa a retomada, Yago é o rosto do momento. O armador foi eleito o MVP da AmeriCup de 2025 e terminou o torneio como principal pontuador e líder em eficiência e assistências do Brasil. Aos 27 anos, chega a Brasília como uma das peças mais confiáveis de Petrovic e com a responsabilidade de ditar o ritmo de uma Seleção que tenta transformar a conquista continental em classificação para o Mundial.
A ponte com a equipe olímpica também está preservada. O ala-armador Didi Louzada e o ala Léo Meindl estiveram em Paris, enquanto Raulzinho Neto retorna à Seleção depois dos Jogos de 2024. É uma combinação que Petrovic parece buscar neste ciclo: manter jogadores que provaram capacidade em grandes torneios sem fechar a porta para quem começa a pedir passagem.
O resultado dessa filosofia da comissão técnica é refletido nos números. O Brasil venceu os seis jogos da primeira fase das Eliminatórias e chega à segunda etapa invicto, mas agora o nível de dificuldade aumenta: República Dominicana, México e Estados Unidos estarão no caminho até o Catar.
O Brasil carrega para a segunda fase as seis vitórias na etapa anterior — os resultados não são zerados — e começa na liderança do Grupo E, com 6-0. Os Estados Unidos aparecem em segundo, com 5-1, e a República Dominicana, adversária de quinta-feira, em terceiro, com 4-2. México, Colômbia e Chile completam a chave. Cada seleção ainda fará seis partidas.
A matemática também joga a favor do Brasil. Com quatro vitórias nas seis partidas restantes, a Seleção chegaria a 10-2 e estaria matematicamente entre os três primeiros do grupo. Isso porque, em uma chave com seis equipes, seria impossível quatro seleções diferentes alcançarem 10 vitórias. Os três primeiros avançam diretamente para a Copa.
Jogos do Brasil na segunda fase
Quinta-feira (27/8)
20h10 Brasil x República Dominicana
Transmissão: CazéTV
Ingressos: Tickzi.com.br, a partir de R$ 50
31 de agosto
23h10 México x Brasil
27 de novembro
Brasil x Estados Unidos
30 de novembro
Brasil x México
25 de fevereiro
República Dominicana x Brasil
28 de fevereiro
Estados Unidos x Brasil

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