
A dois anos dos Jogos Olímpicos de Los Angeles-2028, o Time Brasil chega à metade do ciclo com um cenário marcado por conquistas relevantes e renovação. Entre títulos mundiais, campanhas expressivas e a ascensão de atletas ainda jovens, diferentes modalidades já apresentam nomes capazes de assumir protagonismo no próximo ciclo, enquanto parte dos campeões de Paris-2024 optou por períodos de descanso ou passou por mudanças na preparação após a última Olimpíada.
O período também serve como primeira grande vitrine para uma geração ainda em formação. O desempenho brasileiro passa pela estrutura oferecida por clubes, confederações e centros de treinamento, com participação do Comitê Brasileiro de Clubes (CBC) no processo de formação esportiva. Para Paulo Maciel, presidente da entidade, os dois primeiros anos representam uma etapa decisiva para preparar atletas capazes de atingir o auge em Los Angeles-2028.
"Os dois anos iniciais representam um momento essencial para preparar os talentos que chegarão aos Jogos Olímpicos em seu ápice. Nesse sentido, a integração entre Clubes, Confederações e o Comitê Olímpico do Brasil (COB) é fundamental e decisiva para garantir aos atletas as condições necessárias para alcançar o melhor desempenho possível", analisou Paulo Maciel.
Entre os principais resultados individuais do período está Hugo Calderano. Número 9 do mundo no tênis de mesa, o brasileiro conquistou a Copa do Mundo da modalidade, em Macau, tornando-se o primeiro atleta das Américas a levantar o troféu. No Mundial de Doha, alcançou o vice-campeonato, interrompendo uma longa sequência de europeus e asiáticos nas primeiras posições. Calderano ainda venceu três etapas do WTT e chegou ao segundo lugar do ranking de duplas mistas ao lado de Bruna Takahashi.
No tênis, João Fonseca aparece como um dos símbolos da renovação. Aos 20 anos, o carioca ocupa a 26ª posição do ranking da ATP e está entre os mais jovens do top 50. Em Roland Garros, derrotou Novak Djokovic por 3 sets a 2 e alcançou as quartas de final, melhor campanha brasileira no torneio desde Gustavo Kuerten, em 2004. O resultado colocou o jovem tenista em uma posição de destaque na corrida por novos protagonistas para Los Angeles-2028.
“João Fonseca representa uma nova geração que chega com muita força e mostra que o tênis brasileiro tem capacidade de formar atletas para competir no mais alto nível. Resultados como o dele ajudam a renovar o interesse pela modalidade e inspiram crianças e jovens que estão começando no esporte. Para o próximo ciclo olímpico, ter um atleta desse nível em ascensão é muito importante para o desenvolvimento e para as perspectivas do tênis brasileiro”, comentou Danilo Gaino, presidente da Federação Paulista de Tênis.
O surfe também mantém o Brasil entre as principais forças do cenário internacional. Yago Dora conquistou o título mundial no ano passado, enquanto Ítalo Ferreira, campeão olímpico em Tóquio-2020, aparece na liderança do ranking mundial. Gabriel Medina, bronze em Paris-2024, voltou ao circuito após se recuperar de uma lesão no ombro. Entre as mulheres, Luana Silva ganhou espaço entre as principais brasileiras da modalidade, enquanto Tatiana Weston-Webb, prata na capital francesa, prepara o retorno ao circuito mundial após um período dedicado à maternidade.
No skate, Rayssa Leal voltou a vencer após superar uma lesão no joelho direito. A conquista do SLS Rio Takeover representou a quinta vitória da skatista no ciclo e recolocou a medalhista de prata em Tóquio-2020 e bronze em Paris-2024 em rota de busca pelo ouro inédito em Los Angeles-2028. Aos 18 anos, a Fadinha segue como uma das principais referências da nova geração brasileira.
Nos esportes coletivos, o vôlei feminino apresenta uma combinação semelhante entre continuidade e renovação. Com várias jogadoras incorporadas ao grupo, a Seleção Brasileira terminou a Liga das Nações como vice-campeã em 2025 e 2026 e conquistou o terceiro lugar no Campeonato Mundial de 2025, disputado na Tailândia. O trabalho de José Roberto Guimarães mantém o Brasil entre os candidatos a uma campanha relevante em Los Angeles-2028.
O basquete masculino também iniciou o ciclo em alta. Com jogo das Eliminatórias da Copa do Mundo contra a República Dominicana marcado para Brasília, na quinta-feira (27/8), a Seleção Brasileira conquistou a Copa América pela quinta vez, superando os Estados Unidos em uma virada e derrotando a Argentina na decisão. No basquete universitário, o Brasil ainda encerrou um jejum de 62 anos e conquistou o ouro nos Jogos Mundiais Universitários de Rhine-Ruhr 2025, novamente diante dos norte-americanos.
Outro indicador do processo de renovação apareceu no Pan-Americano Júnior de Assunção-2025, no Paraguai. O Brasil bateu o próprio recorde de medalhas e garantiu 48 vagas para o Pan-Americano de Lima-2027. A competição representou uma das primeiras grandes oportunidades do ciclo para atletas capazes de ocupar espaços no Time Brasil nos próximos anos.
“Os resultados dessa primeira metade do ciclo mostram a força que o esporte brasileiro tem quando existe uma estrutura adequada para o desenvolvimento dos atletas. A preparação para uma Olimpíada começa muito antes dos Jogos, e ter clubes, centros de treinamento e profissionais capacitados é fundamental para que esses talentos possam evoluir e chegar ao alto nível. Los Angeles 2028 ainda está pela frente, mas essa nova geração já demonstra que o Brasil tem atletas com potencial para manter o país competitivo e buscar grandes resultados”, ressaltou o medalhista olímpico Arthur Zanetti.
Sabáticos
Ao mesmo tempo, a primeira metade do caminho até Los Angeles-2028 também foi marcada por pausas entre algumas das principais campeãs olímpicas brasileiras. Rebeca Andrade, Beatriz Souza e a dupla Ana Patrícia e Duda atravessaram períodos de descanso após o ouro conquistado em Paris-2024, cada uma em circunstâncias diferentes.
Dona do recorde de medalhas olímpicas da história do Brasil, Rebeca interrompeu a carreira após o Brasileiro de 2024 e voltou às competições em julho de 2026, inclusive participando de etapa do nacional em Brasília. No retorno, no Ginásio Nilson Nelson, alcançou 14,800 no salto após executar um Yurchenko com dupla pirueta, nota apontada no material como a maior do mundo na temporada. Beatriz Souza, por outro lado, reduziu o calendário internacional em 2025, disputando apenas três competições no ano.
No vôlei de praia, Ana Patrícia e Duda alternaram períodos de competição e descanso. Uma lesão na coxa de Ana Patrícia provocou uma primeira pausa, enquanto Duda também se afastou das quadras em determinados momentos para cuidar da saúde mental. Mesmo com as interrupções, a dupla manteve o alto nível competitivo e conquistou o Circuito Brasileiro em 2025.
A primeira metade do ciclo, portanto, apresenta um Time Brasil dividido entre duas frentes. De um lado, atletas já consagrados tentam administrar o desgaste de uma Olimpíada e encontrar o momento ideal para voltar ao auge. Do outro, nomes como João Fonseca, Rayssa Leal e outros integrantes da nova geração ganham espaço antes mesmo da definição das equipes para Los Angeles.
Ainda faltam dois anos até a próxima Olimpíada. O Brasil, porém, já começa a desenhar a equipe capaz de levar adiante o desempenho de Paris-2024 e, ao mesmo tempo, renovar os protagonistas responsáveis pela próxima história olímpica.
