Quando o assunto é gol, Fábio Rampi tem dupla missão: evitá-lo e marcá-lo. Enquanto o Gama prepara a ofensiva para o duelo de sábado (8/8), às 17h, no Passo D'Areia, pelo jogo de ida das quartas de final da Série D do Campeonato Brasileiro, o São José-RS deposita parte da esperança de acesso justamente no guardião das traves. A serviço do clube de Porto Alegre desde 2015, o goleiro de 37 anos soma 37 gols na carreira e transformou pênaltis e faltas em uma especialidade rara para quem deveria apenas defender.
A missão do camisa 1 será impedir que o Gama confirme o favoritismo. Melhor time entre os 96 da primeira fase, o alviverde encara justamente o classificado de pior campanha entre os oito sobreviventes. O São José-RS quase ficou fora do mata-mata, mas cresceu na reta decisiva e aposta no goleiro-artilheiro para tentar surpreender.
A vocação ofensiva nasceu por necessidade. Contratado pelo São José em 2015, Rampi assumiu as cobranças de pênalti depois que o clube ficou sem um especialista. A aposta deu tão certo que extrapolou a marca da cal. Hoje, o goleiro também cobra faltas próximas da área e acumula 37 gols na carreira, marca que o coloca como o maior goleiro-artilheiro em atividade e o sétimo da história, atrás apenas de Rogério Ceni, Chilavert, Jorge Campos, Johnny Vegas, Márcio e René Higuita.
Em julho, Rampi marcou de falta na vitória por 2 x 0 sobre a Portuguesa-RJ, pela terceira fase da Série D. O gol encerrou um jejum de três anos sem um goleiro balançar as redes dessa maneira nas quatro divisões do Campeonato Brasileiro. Curiosamente, o último a conseguir o feito também havia sido ele, em 2023, quando marcou contra o América-RN pela Série C. Na mesma partida, ainda defendeu um pênalti nos acréscimos, reforçando a condição de personagem improvável do futebol brasileiro.
A inspiração veio justamente do maior de todos. "Naquele momento, estávamos com dificuldade nas cobranças. O treinador perguntou se eu queria tentar, porque costumava treinar depois das atividades. Desde então, nunca mais parei", contou Rampi ao Lance!, em 2021. Admirador de Rogério Ceni, ele transformou uma solução emergencial em marca registrada.
A idolatria construída em mais de uma década e após 406 jogos no Zequinha pode ganhar um novo capítulo. Rampi foi protagonista do acesso à Série C em 2018 e agora tenta repetir o roteiro para recolocar o clube na terceira divisão.
Antes de pensar em atacar, Rampi terá de cumprir a missão que define qualquer goleiro: impedir o Gama de marcar. A tarefa não será simples. O alviverde saiu zerado apenas cinco vezes nos 36 jogos disputados na temporada e soma 61 gols, média superior a 1,6 por partida. O principal responsável pela artilharia é Felipe Clemente. Autor de 20 gols em 2026, 10 deles nesta Série D, o atacante persegue o artilheiro Renan, do CSA-AL (11).
*Estagiário sob supervisão de Victor Parrini
