GRUPO I
Haaland é poupado, Mbappé não marca, mas Dembelé deixa hat-trick
Duelo entre Noruega e França em Boston carregava expectativa do enfrentamento entre os craques de City e Real, mas é decidido pelo Bola de Ouro do PSG na vitória por 4 x 1
GRUPO I
Duelo entre Noruega e França em Boston carregava expectativa do enfrentamento entre os craques de City e Real, mas é decidido pelo Bola de Ouro do PSG na vitória por 4 x 1

Boston — Poucos lugares no esporte estão tão associados à palavra dinastia quanto o Gillette Stadium. Casa do New England Patriots, franquia que divide com o Pittsburgh Steelers o posto de maior campeã da NFL, com seis títulos, a arena foi palco da era dourada liderada por Tom Brady, considerado por muitos o maior jogador da história do futebol americano. Nesta sexta-feira (26/6), testemunhou outra demonstração de supremacia, mas com a bola redonda. A França dominou a Noruega do primeiro ao último minuto, venceu por 4 x 1 e confirmou a liderança do Grupo I e reforçou a impressão de que é a seleção mais capacitada para repetir Brasil e Alemanha como as capazes de alcançar três finais consecutivas de Copa do Mundo.
A sensação é de que poucas seleções, hoje, estão preparadas para desafiar a França. O Brasil agradece. A liderança do Grupo I empurrou os franceses para o lado oposto do chaveamento e afastou a possibilidade de um reencontro logo nas oitavas de final. Se superar o Japão na segunda-feira, a Seleção enfrentará Noruega ou Costa do Marfim, adversárias na terça, em Dallas.
O palco que eternizou Tom Brady aguardava um espetáculo entre dois dos maiores atacantes da atualidade. O calendário reservava o primeiro encontro entre Erling Haaland e Kylian Mbappé por seleções. Faltou combinar com o técnico Ståle Solbakken. Classificada antecipadamente, a Noruega preservou Haaland e outras peças importantes, impedindo que o centroavante tentasse alcançar Lionel Messi, artilheiro desta Copa com cinco gols e maior goleador da história dos Mundiais, com 18.
A energia do estádio do New England Patriots já havia inspirado a França na vitória sobre a Seleção Brasileira, por 2 x 1, na Data Fifa de março. A França está tão bem ensaiada e sabe tão bem o que fazer, que não precisou do técnico Didier Deschamps à beira do gramado. O dono da prancheta dos Bleus retornou às pressas para o país devido à morte da mãe. As instruções desta sexta ficaram a cargo do auxiliar Guy Stéphan.
A ausência de Haaland escancarou uma dependência que preocupa os noruegueses. Dos sete gols da equipe nesta Copa, quatro saíram dos pés do camisa 9. Sem ele, a seleção perdeu profundidade, presença de área e poder de intimidação. O problema não está apenas no ataque. A defesa também inspira pouca confiança. Os Vikings sofreram sete gols em três partidas e, entre os classificados aos 16 avos de final, apresentam o pior desempenho defensivo, ao lado da Suécia, vazada sete vezes por Tunísia, Holanda e Japão.
Sem Haaland, todas as atenções recaíram sobre Mbappé. O camisa 10, porém, escolheu outro caminho. Abriu mão do protagonismo individual para servir ao coletivo. Foi dele o passe para os dois primeiros gols de Ousmane Dembélé e a movimentação que desmontou a marcação norueguesa durante todo o primeiro tempo. Poderia, inclusive, ter escrito seu nome na história logo aos 20 segundos, mas o travessão impediu o que seria o gol mais rápido desta Copa do Mundo.
A leitura dos franceses foi imediata: o dia era de Dembélé. O atual vencedor da Bola de Ouro aproveitou os espaços oferecidos pela defesa adversária, completou um hat-trick ainda antes do intervalo — o primeiro dele em 62 partidas pela seleção — e transformou o jogo em um monólogo francês. O placar de 3 x 1 era até modesto diante do volume ofensivo. Foram 14 finalizações da França contra apenas cinco da Noruega.
Sem Haaland, os escandinavos pouco ameaçaram. O único lampejo surgiu no gol de Aasgaard, marcado segundos depois do segundo de Dembélé, aproveitando uma rara desatenção da defesa francesa. Foi um susto passageiro. A impressão deixada em Foxborough é que, mesmo diante de um adversário competitivo, a França jogou em uma velocidade acima dos demais candidatos ao título.
Houve tentativa de reação norueguesa na volta dos vestiários. O ponta-direita Oscar Bobb invadiu a área com drible em Théo Hernández e sofreu pênalti. Mais uma vez, faltou Haaland. Larsen telegrafou onde bateria e viu Maginan buscar no canto esquerdo. Outra jogada que teria desfecho diferente se o camisa 9 estivesse em campo foi aos 26 minutos. Oscar Bobb recebeu livre pela esquerda, cortou para dentro e chutou em cima do paredão francês. Na etapa final, Doué substituiu Dembelé e não deixou o sarrafo cair: entrou e deu números finais na goleada.
Noruega 1 x 4 França
Copa do Mundo (3ª rodada do Grupo I)
Local: Gillete Stadium, Boston (EUA)
Árbitro: Michael Oliver (Inglaterra)
Público: 64.146 presentes
Escalações
Noruega — Egil Selvik; Frederik Aursnes, Henrik Falchener (Sondre Langas), Leo Ostigard e Frederik Bjorkan (Marcus Pedersen); Kristian Thorstvedt (Morten Thorsby) e Patrick Berg; Oscar Bobb (Petter Hauge), Thelo Aasgaard e Andreas Schjelderup (Antonio Nusa); Jorgen Larsen. Técnico: Stale Solbakken
Gol: Aasgard, aos 21 do 1ºT
Cartões amarelos: Berg
França — Mike Maignan; Jules Koundé (Malo Gusto), Dayot Upamecano (Ibrahima Konaté), Maxence Lacroix e Theo Hernández; Aurélien Tchouaméni e Manu Koné; Ousmane Dembélé (Bradley Barcola), Michael Olise (Rayan Cherki) e Desiré Doué; Kyliban Mbappé (Jean-Philippe Mateta). Técnico: Guy Stéphan
Gols: Dembelé, aos 7, 20 e 32 do 1ºT, e Doué, aos 48 do 2ºT
Cartão amarelo: Tchouaméni
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