Carlo Ancelotti jamais repetiu uma escalação desde que assumiu a Seleção Brasileira. Da estreia contra o Equador até a Copa do Mundo, foram 13 formações iniciais diferentes. Hoje, às 21h30, diante do Haiti, o treinador italiano apresentará a 14ª versão do time que busca levar ao hexa.
O principal desafio, porém, não está na troca de peças, mas na necessidade de reencontrar convicções. No empate por 1 x 1 contra o Marrocos, o técnico abriu mão de conceitos trabalhados nas semanas anteriores, abandonou o 4-2-4 e promoveu mudanças importantes, como as entradas de Ibañez, Lucas Paquetá e Igor Thiago. O resultado foi uma Seleção desconectada das próprias virtudes.
Embora tenha evitado confirmar a escalação, a tendência é de retorno a uma estrutura mais próxima daquela ensaiada antes da estreia. Matheus Cunha deve assumir a referência ofensiva ao lado de Vinicius Junior, Raphinha e Luiz Henrique. Danilo retorna à lateral direita. Casemiro, apesar da atuação abaixo do esperado contra os marroquinos, deve permanecer ao lado de Bruno Guimarães na proteção à defesa.
"Faremos algumas mudanças. Vou colocar alguns jogadores que estão mais frescos do que outros. Temos de melhorar o equilíbrio e a qualidade do jogo, errar menos passes. Temos qualidade para fazer isso, para oferecer um futebol mais agradável. Temos jogadores de força e potência. O pensamento é fazer melhor. E temos que fazer melhor", reconheceu Ancelotti.
O treinador também rebateu as críticas sobre a suposta ausência de filosofia de jogo. "Não quero uma identidade clara na equipe porque minha equipe tem que saber fazer várias coisas. Defender em bloco baixo, atacar aproveitando a qualidade dos jogadores. Não esperem uma identidade única, porque eu não quero isso. Quero uma equipe capaz de executar diferentes facetas do futebol", argumentou.
Endrick voltou a ser assunto na conferência de Ancelotti. O treinador pregou cautela com o atacante de 19 anos. "Temos que colocar Endrick no momento correto. Vamos esperar um pouco. Ele vai ser importante. A primeira parte do jogo foi inesperada. Penso que a estreia na Copa do Mundo e o peso da camisa influenciaram o aspecto mental dos jogadores. Começar bem é importante, mas não é o mais importante. A equipe tem que ser mais do que perfeita. Tem que ser resiliente", analisou.
