Ano letivo

Ano letivo no DF deve ser concluído a distância, diz secretário de Educação

Leandro Cruz confirmou, na manhã desta terça-feira (1/9), que aulas presenciais só devem retornar após o fim do ano letivo, que vai até janeiro de 2021, como antecipado pelo Correio

Tainá Seixas
postado em 01/09/2020 10:41 / atualizado em 01/09/2020 11:22
Retorno às salas de aula segue sem data marcada -  (foto: Viola Júnior/Esp. CB/D.A Press)
Retorno às salas de aula segue sem data marcada - (foto: Viola Júnior/Esp. CB/D.A Press)

O secretário de educação, Leandro Cruz, admitiu, na manhã desta terça-feira (1º/9), que o ano letivo nas escolas de ensino público do Distrito Federal deve ser concluído à distância. Na ausência de uma vacina, não existe qualquer previsão prática para a retomada das aulas nas unidades de ensino, como antecipou o Correio na semana passada.

Em entrevista ao Bom Dia DF, da Tv Globo, nesta manhã, o responsável pela pasta reconheceu que o ensino remota deve ser mantido até o fim das atividades deste ciclo, com data prevista para 28 de janeiro de 2021. Inicialmente, o calendário previa retomada das atividades presenciais para segunda-feira (31/8), o que não foi possível devido à alta curva de contágio de coronavírus no Distrito Federal atualmente.

"Nós não colocaríamos em risco nossos professores, funcionários e principalmente nossos estudantes para servir como vetores de propagação da doença", explicou o secretário. Perguntado se haverá um comprometimento do aprendizado destes estudantes devido à modalidade remota, ele completou: "Eu acho que terá danos a todos os alunos de 2020, os que estão de forma remota e mais ainda aqueles que não estão."

Para Samuel Fernandes, diretor do Sindicato dos Professores do Distrito Federal (Sinpro-DF), encerrar o ano letivo de forma remota é a opção viável de continuidade das atividades escolares mantendo a proteção de estudantes e professores.

"A pandemia não está controlada e está encaminhando para isso. O que precisa ser resolvido ainda é o problema da internet gratuita para os alunos e os alunos que não têm nenhum acesso aos equipamentos eletrônicos. Se o governo cumprisse o papel dele fornecendo a internet e o material eletrônico, tudo se encaminharia bem melhor, como deveria ser", avalia o diretor.

A estudante do 3º ano do Centro de Ensino Médio Integrado (CEMI) do Gama Júlia Soares Simão, 17 anos, respira aliviada com a possibilidade de não voltar às aulas presenciais pois avalia as atividades presenciais como arriscadas neste momento de alto números de casos.

"Eu meio que já sabia que não tinha como voltar porque é muita gente junta. Não tem o que fazer mesmo, só manter a quarentena. Eu fico aliviada. Ainda mais que tem professores que são grupo de risco também, muita gente que mora com grupo de risco, é muito perigoso. É a proteção da gente, temos que ter cuidado", explica a estudante.

Apesar disso, a estudante relata que têm sido difícil manter os estudos de forma remota. "É muito difícil porque a gente não fica sozinho dentro de casa, tem que fazer as tarefas domésticas e as tarefas da escola. Tem que ter muito foco e muita determinação. Se a gente desanimar, a gente não consegue", desabafa.


Unir anos letivos?

Uma das medidas que estão sendo estudadas pela secretaria e foi antecipadas ao Correio é a da junção de anos letivos. Isso significa que, dada a interrupção do cronograma presencial, é possível que os anos de 2020 e 2021 sejam considerados como um ciclo do ano letivo. “E nós buscaremos, nos próximos anos, uma série de ações e atividades pedagógicas com o objetivo de minimizar os problemas a toda essa geração”, declarou, na entrevista, Leandro Cruz.

Nesse cenário, o fator determinante que mudaria os planos da pasta seria a chegada de uma vacina segura e com distribuição massiva, o que ainda é pouco provável de ocorrer antes do fim do ano letivo de 2020.

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