Foram 48.570 visitantes em menos de dois meses. A exposição Colagem e Poéticas da Alteridade, do Coletivo ILÓ, ocupou a Galeria 3 do Museu Nacional da República entre 30 de abril e 21 de junho e se tornou uma das mostras mais visitadas do espaço neste ano. Os números, divulgados pelo próprio museu, surpreenderam até as artistas. "Inacreditável", resume Adriana Mariz, integrante do coletivo.
Agora, o grupo lança o catálogo digital da exposição — gratuito e disponível pelo Instagram @coletivoilo. A publicação tem 82 páginas e vai além do registro das obras. Abre com o ensaio crítico Citação, apropriação, criação do novo, assinado pela curadora e professora Marília Panitz, que situa o trabalho do grupo na tradição da colagem como linguagem artística — de Max Ernst e do surrealismo às fotomontagens de Athos Bulcão. "É da alteridade que se constitui tal poesia visual", escreve Panitz.
O catálogo traz ainda os processos criativos de cada artista, imagens da expografia assinada por Thays Tyr, fotos de bastidores e registros das quatro rodas de conversa realizadas no museu e das cinco oficinas de colagem oferecidas a idosos na Casa do Vovô. "Ele reúne as obras, os encontros, as reflexões e os processos que deram forma a um projeto construído coletivamente, movido pelo desejo de dialogar com a diversidade dos olhares e das experiências que nos constituem", descreve Adriana.
O público que lotou a galeria era diverso. "Famílias, escolas, artistas, antropólogos, grupos de turistas de várias regiões do país", conta Adriana. "Jovens e crianças contemplando as obras atentamente. Foi muito bonito de ver." Entre os momentos que marcaram o grupo, uma turma do Colégio Leonardo da Vinci, do Espírito Santo, transformou a visita em roda de conversa sobre arte e escolas artísticas — a pedido do próprio professor que os acompanhava.
Já as oficinas com o público 60+ renderam um álbum de colagens feitas pelos idosos. "Vê-los se esforçando para ultrapassar as limitações físicas e criando arte foi muito impressionante, sobretudo ao ver o resultado de suas criações", diz Adriana.
O Coletivo ILÓ é formado por oito antropólogas que estudaram na Universidade de Brasília nas décadas de 1980 e 1990 e se reencontraram em 2022 para criar juntas. As integrantes são Adriana Mariz, Christine de Alencar Chaves, Lara Amorim, Lelia Lofego, Márcia Maria Gramkow, Nei Clara de Lima, Patrícia de Mendonça Rodrigues e Rita de Almeida Castro. O projeto foi financiado pelo Fundo de Apoio à Cultura do Distrito Federal.
Para Adriana, o percurso mudou o grupo. "Amadurecemos. A exposição no Museu Nacional da República, um dos locais mais icônicos das artes no Distrito Federal, de certa forma nos referendou como antropólogas artistas."
Fique de olho: o coletivo já retomou os encontros e prepara uma nova exposição, prevista para novembro, na Fundação Athos Bulcão — desta vez em diálogo com a obra do artista. Acompanhe pelo Instagram @coletivoilo.
*Estagiário sob a supervisão de Ana Sá