Eu, Estudante

Brasileiros costumam reutilizar materiais escolares do ano anterior

Pesquisa do Instituto Locomotiva e da QuestionPro revelou que 80% dos brasileiros reaproveitam os materiais escolares do ano letivo anterior


Uma pesquisa realizada pelo Instituto Locomotiva em parceria com a QuestionPro indicou que oito em cada 10 brasileiros com filhos em idade escolar que vão às compras nesta volta às aulas costumam reaproveitar itens do ano letivo anterior, como mochilas, estojos e cadernos parcialmente usados. O dado revela como a busca por economia se tornou uma estratégia central das famílias diante dos custos associados ao início do ano escolar.

Paulo Pinto/Agência Brasil - Renato Meirelles, presidente do Instituto Locomotiva.

De acordo com a pesquisa, a avaliação da lista de material escolar enviada pelas escolas divide a opinião dos pais, 56% dos brasileiros consideram adequada, enquanto 42% avaliam como exagerada. O presidente do Instituto Locomotiva, Renato Meirelles, afirmou que o problema não está apenas no preço dos itens, mas, sim, no volume e à real necessidade do que é solicitado: “Em um cenário em que os gastos com material escolar pesam no orçamento da maioria das famílias, qualquer exigência adicional tende a ser questionada, sobretudo, quando ultrapassa o que as famílias consideram essencial para o aprendizado”.

Meirelles afirmou que o planejamento antecipado, reaproveitamento consciente, pesquisa de preços e definição de prioridades são práticas fundamentais. “As famílias  fazem isso na prática. A educação financeira ajuda a transformar estratégias defensivas em planejamento ao longo do ano, diluindo custos e reduzindo a pressão no início do ano letivo”, afirmou. 

Mesmo com a preocupação financeira das famílias, nove em cada dez brasileiros com filhos em idade escolar afirmam que irão comprar materiais para o ano letivo de 2026. A pesquisa mostra ainda que 92% das famílias afirmam que as crianças participam da seleção do material escolar. Em 45% dos casos, os filhos escolhem a maioria dos itens. Entre crianças de 11 a 14 anos, a participação chega a 95%. Meirelles afirma que o desafio é equilibrar a inclusão das crianças no processo de compra e o fator econômico: “Faz parte do papel do processo educacional e afetivo. A pesquisa mostra que os pais não abrem mão da participação dos filhos, mas adaptam escolhas à realidade financeira da família. Isso se traduz em práticas como reaproveitar itens do ano anterior, substituir marcas mais caras e pesquisar preços em diferentes lojas. O desejo existe, mas é mediado por decisões racionais dos adultos, que tentam conciliar o envolvimento das crianças com os limites do orçamento”.

 

*Estagiário sob a supervisão de Ana Sá