Ao longo da Semana da Escuta das Adolescências, os estudantes dos anos finais do ensino fundamental — 6º ao 9º ano — puderam avaliar, entre diversos aspectos, as atividades essenciais para uma “escola do futuro”. No recorte estadual, os resultados revelaram que, na capital federal, 43% dos jovens do 6º e 7º associam a presença de atividades que envolvem tecnologia e, em proporção semelhante, atividades “mão na massa”, com porcentagem de 42%, para melhorar o processo de aprendizagem.
Em contrapartida, entre os alunos mais velhos — 8° e 9° ano — a valorização dessas abordagens apresenta percentuais ligeiramente menores: a tecnologia é apontada como relevante por 39%, assim como as atividades práticas, que mantiveram o mesmo índice.
O levantamento foi realizado pelo Ministério da Educação (MEC), em parceria com o Itaú Social, o Conselho Nacional de Secretários de Educação (Consed) e a União dos Dirigentes Municipais de Educação (Undime), e ouviu cerca de 19 mil estudantes do DF e mais de 2,3 milhões em contexto nacional, com o objetivo de entender, sob a perspectiva dos jovens, mais acerca de suas identidades, diversidades e obstáculos, além de estimular gestores, professores e comunidades a promoverem escolas mais inclusivas e transformadoras.
Resultados
A pesquisa evidenciou, ainda, as atividades que os jovens consideram importantes para o próprio desenvolvimento. No recorte estadual, os resultados revelaram que, na capital federal, a preferência sofre alterações a depender da faixa etária. Para 43% dos estudantes do 6º e 7º anos, as disciplinas tradicionais (língua portuguesa, matemática, ciências humanas e ciências da natureza) são essenciais para sua aprendizagem, enquanto, para os adolescentes do 8º e 9º anos, o índice foi de 29%.
Também a respeito dos conteúdos essenciais, 38% dos mais velhos concordam com a importância de disciplinas esportivas e de bem-estar para um melhor aproveitamento da fase escolar, assim como a educação financeira, que ficou apenas 3% atrás na porcentagem, com 35% aprovando a disciplina. Já no grupo mais novo, 42% destacam o esporte como necessário, mas apenas 25% enxergam a questão financeira como disciplina crucial.
Outro dado revelado pela pesquisa foi a diferença significativa no nível de confiança que os estudantes depositam em adultos no ambiente escolar. Entre os alunos mais jovens, essa confiança é maior quando comparada à dos mais velhos: 72% dos estudantes do 6º e 7º anos afirmam ter essa referência, enquanto, entre os alunos do 8º e 9º anos, o índice cai para 60%.
De acordo com Patrícia, os resultados indicam um ponto de atenção ao longo da trajetória escolar dos educandos. Para os que cursam os últimos dois anos do ensino fundamental, há uma menor percepção das instituições como locais de pertencimento e acolhimento, se comparadas aos anos iniciais da faixa. Essa diferença pode refletir na relação e na expressão dos alunos futuramente.
Para além da perspectiva de confiança, a escuta realizada com cerca de 19 mil alunos também apresentou resultados significativos na avaliação dos estudantes em relação às escolas como locais de aprendizado para todos. O relatório apontou que 60% do grupo mais jovem observa o ambiente escolar como espaço de acolhimento e aprendizagem, enquanto apenas 47% dos mais velhos compartilham a mesma visão.
Escola do futuro
Ao pensar na “escola do futuro”, a aluna do 9º ano Natiyeli Fernandes Morais, de 14 anos, destaca a importância das atividades fora da sala de aula para aumentar a motivação e o interesse dos estudantes. Ela afirma: “Sair da rotina de sala de aula desperta curiosidade, participação ativa e entusiasmo, o que contribui para um aprendizado mais prazeroso e eficaz”.
A posição de Natiyeli confirma outros dados coletados pela pesquisa. Segundo o recorte, interações fora do ambiente escolar, como passeios e visitas, são bem avaliadas pelos jovens estudantes. Ao todo, 43% dos mais jovens e 49% dos mais velhos respondentes consideram essa experiência uma forma de ampliar oportunidades de aprendizagem.
Aproveitamento
De acordo com a superintendente do Itaú Social, Patrícia Mota Guedes, as instituições de ensino podem aproveitar os resultados da pesquisa para rever estratégias de formação continuada, por meio do apoio a gestores e educadores, além de engajar os estudantes com atividades práticas, externas ao ambiente escolar, e estímulo ao movimento. Para ela, essa forma de educar é fundamental, embora complexa. “Exige planejamento e, portanto, condições para que os professores possam planejar e os alunos recebam formação continuada e acompanhamento pedagógico”, afirmou Patrícia.
A superintendente afirma ainda que os dados revelam a importância do investimento das instituições em estratégias que priorizem o estímulo ao senso de acolhimento, pertencimento e participação dos estudantes mais velhos. Ela defende que essa tática é necessária para combater índices de abandono escolar e desinteresse futuro.
Por fim, Patrícia destaca que investir em escutas internas em cada instituição é um dos passos primordiais para garantir melhores resultados educacionais e compreender as vivências dos discentes. Com base nos dados do recorte nacional, ela reforça ainda a importância de investir em estratégias de transição e preparo dos estudantes para as novas etapas escolares.